Colheita do algodão começa com os preços em queda

Agronegócio

Colheita do algodão começa com os preços em queda

Produção nacional de algodão deve chegar a 1,6 milhão de toneladas
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A redução na demanda chinesa, aliada à elevação dos estoques mundiais e ao início da colheita nacional, pode derrubar os preços do algodão. Estes fatores preocupam os representantes do setor, que esperam altos níveis de produção na safra 2013/2014 e não veem perspectivas de recuperação. O algodão em pluma encerrou a semana cotado a R$ 62,56 por arroba, mas já se cogita a hipótese de negociações pelo preço mínimo, R$ 54,90 por arroba, para os próximos meses. 

O vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e cotonicultor da região de Barreiras, oeste da Bahia, João Carlos Jacovssen, conta que é natural uma queda nos preços nesta época do ano, mas a influência do mercado internacional traz um certo "desânimo" aos produtores. 

"Estamos novamente dependentes da demanda da China, que vai diminuir os níveis de importação neste ano. As produções de países como Índia, Paquistão e Estados Unidos, grandes exportadores, estão caminhando normalmente. Se este cenário permanecer, o preço tende a cair mais do que o esperado e teremos que recorrer à política de preço mínimo do governo. Não temos nada para comemorar", enfatiza João Jacovssen. 

Na avaliação do analista do Safras & Mercado, Rodrigo Neves, o momento atual ainda é lucrativo para o produtor. Segundo o especialista, a baixa deve vir nas próximas três semanas, com a entrada da nova safra, e os maiores impactos surgirão apenas depois que os contratos para o período de 2013/2014 se cumprirem. "É menos da metade da colheita que cai no mercado nacional puxando os preços", diz. 

No mercado nacional, a indústria tenta postergar ao máximo a realização de novas compras, na expectativa de conseguir preços menores assim que o produto do Cerrado estiver disponível, de acordo com a avaliação dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Além das questões mercadológicas, o vice-presidente da Abrapa diz que os cotonicultores também tiveram aumento nos custos de produção para combater a lagarta Helicoverpa armígera nas lavouras, principalmente na maior região produtora do País, o Centro-Oeste. 

Mercado externo 

O analista do Safras & Mercado - com foco no cenário internacional - Elcio Bento, lembra que, em 2011, o mundo tinha cerca de 10,9 milhões de toneladas de algodão em seus estoques. Atualmente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que, no dia 31 de agosto de 2014, estes estoques cheguem a 22,1 milhões de toneladas, ou seja, superem o dobro daquele ano. 

"O principal motor do mercado internacional foi justamente a China, grande compradora. Os estoques do país já chegaram a 13 milhões de toneladas, por isso já houve o anúncio de que comprarão um milhão de toneladas a menos na safra 2014/2015. O impacto negativo cairá sobre os exportadores Brasil, Índia, Austrália e Estados Unidos", enfatiza. 

Produção 

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimam que a produção nacional de algodão atinja 1,6 milhão de toneladas. O Estado do Mato Grosso sozinho responde por 939,4 mil toneladas do produto. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), cerca de 1,5% (9.527 hectares) do total da área de algodão no estado foi colhida até a semana passada. 
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