Colheita leva segunda safra de milho ao preço mínimo no MT
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Agronegócio

Colheita leva segunda safra de milho ao preço mínimo no MT

No mês de julho, a segunda safra de milho atinge o pico da colheita
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No mês de julho, a segunda safra de milho atinge o pico da colheita e a expansão da oferta levou os grãos do maior estado produtor, o Mato Grosso, ao preço mínimo em algumas regiões. O presidente da Frente Parlamentar de Agricultura e Pecuária, deputado federal Luis Carlos Heinze (PP/RS) disse ao DCI que "a demanda para intervenção do governo já foi levada ao ministério da Agricultura e as fazendas estão sendo procuradas". Estima-se que nas próximas semanas alguma medida seja tomada.

O milhocultor do município de Sorriso, no Mato Grosso, Laércio Lenz, conta que os produtores da região pararam de comercializar o grão até que os valores se recuperem. "O produto chegou a ser vendido a R$ 11 por saca de 60 quilos, não é viável. Nossa área plantada foi menor que o ano passado e ainda faltam mais de 50% para colher. Vamos depender do governo de novo", diz.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o preço mínimo para o milho do Mato Grosso está em R$ 13,56 por saca de 60 quilos.

Na propriedade de Lenz foram plantados 650 hectares nesta segunda safra, contra os 750 hectares destinados ao plantio no mesmo período do ano passado. Para o produtor, houve um recuo em torno de 20% na média de área plantada na região.

Nesta safra, o milhocultor está colhendo 90 sacas por hectare, visto que já chegou a uma produtividade de 117 sacas por hectare no comparativo anual. "A safrinha 2012/2013 foi excelente. No período de 2013/2014 os produtores resistiram e ainda houve problema climático", afirma.

Na avaliação do pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Mauro Osaki, os produtores da região de Sorriso, no Mato Grosso, e do Paraná - segundo maior estado produtor - estão pagando apenas os custos operacionais com a venda dos grãos.

"O uso de fertilizantes e tecnologias para o controle de pragas encareceu as despesas do milhocultor. Só o preço das sementes corresponde entre 25% e 30% dos custos de produção", diz Osaki.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alisson Paolinelli, acrescenta a infraestrutura logística como mais um entrave.

Mercado

A analista de mercado da consultoria FCStone, Ana Luiza Lodi, explica que, por mais que a segunda safra de 2014 seja menor que a 2012/2013, a produção deste ano ainda é muito significativa.

"Agora temos que olhar para a demanda e ver se haverá uma reação capaz de contrabalançar. A exportação do milho não tem um grande importador, como a China é para a soja. Nos Estados Unidos, o último relatório do USDA [Departamento de Agricultura dos Estados Unidos] mostrou que 75% da safra de milho estão boa ou excelente, assim como os estoques norte-americanos que vieram próximos do teto, em 3,8 bilhões de bushels, trazendo perspectivas baixistas para o mercado externo", avalia Lodi.

Atualmente, milho brasileiro tem demanda de exportação para cerca de 20 milhões de toneladas, porém, de acordo com o pesquisador do Cepea, Lucílio Alves, será necessário exportar pelo menos 23 milhões de toneladas para movimentar os preços nacionais.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados ontem (01) mostram que as exportações de milho em junho atingiram o menor volume dos últimos três anos, 87,6 mil toneladas, ante 126,5 mil em maio. No acumulado do ano, o país embarcou 5,3 milhões de toneladas, abaixo dos 8,5 milhões do mesmo período em 2013. "Junho é sempre fraco. A partir de agora os embarques começam a acelerar novamente, mas não nos níveis do ano passado", disse o analista de milho da consultoria Safras & Mercado, Paulo Molinari.

Em contrapartida, Alves enfatiza que problemas políticos em países como Rússia, Ucrânia e Argentina favorecem as relações comerciais do Brasil.

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