Com maior seca dos últimos 33 anos, milho safrinha sofre no PR

Agronegócio

Com maior seca dos últimos 33 anos, milho safrinha sofre no PR

Apesar do aumento de 33% da área plantada, entressafra não escapará das perdas
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Segundo levantamento da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), o milho safrinha deste ano está sofrendo com o clima. Nunca houve registros de precipitações tão ruins em meses de maio como deste ano, principalmente em Umuarama. Apesar do aumento de 33% da área plantada na região em relação ao ano passado, em 2011 a entressafra não escapará das perdas. Ainda não se pode prever de quanto será o prejuízo.


Segundo o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, Ático Luiz Ferreira, no ano passado a região – compreendida entre Umuarama e Cianorte, ou antiga Amerios – possuía 90 mil hectares de milho plantado, com produção de 403 mil toneladas, ou seja, 4.500kg por hectare. “São valores até bons por se tratar de entressafra”, comenta.

Apesar da plantação ter sido insignificante no verão (apenas 3.400 hectares), para a entressafra foram 121 mil hectares de milho plantados, um aumento de 33% em relação ao inverno do ano anterior.

SECA INESPERADA

Tudo estava caminhando bem até o mês passado. Segundo Ático, a média de chuvas para maio é de 125 milímetros, levando em consideração os últimos 33 anos. Entretanto, em Umuarama não houve precipitação no mês, embora, na região, algumas pancadas de chuva podem ter ajudado no desenvolvimento do milho safrinha.


Se levada em consideração a série histórica, ao menos 70 milímetros deviam ter chovido no mês anterior, porém, neste ano a precipitação foi zero. (Veja mais no quadro “Histórico de chuvas para o mês de maio”)

A expectativa, segundo previsões meteorológicas, é que chova nos próximos dias sete e oito de junho. “Pela temperatura, uma chuva de 30 milímetros já ajudaria bastante”, diz Ático.

ATUAL SITUAÇÃO DAS PLANTAÇÕES

Conforme quadro de acompanhamento das plantações da região, 5% do milho estão em desenvolvimento, 30% florindo, 60% frutificando e 5% maturando. A falta de chuva não assusta tanto pela quantidade de milho já frutificado na região. “Quanto mais adiantado, menos perde-se caso não haja chuva e, se não houver chuvas nos próximos dias, quanto mais novo o milho estiver, pior será o resultado da entressafra”, explica o agrônomo do Deral, Pedro Morimoto.

Segundo Ático, só será possível ter uma noção das perdas quando a colheita começar.

PREÇOS

A saca de 60 quilos do milho custava no mesmo período do ano passado R$14,50. Neste ano o preço subiu 62%, indo para R$23,50 a saca. Diversos são os fatores que explicam o aumento, entre eles o baixo estoque de milho, o aquecimento da demanda e o incentivo às exportações, concedido pelo governo federal por meio do Programa de Escoamento do Produto (PEP). O porto de Paranaguá, por exemplo, registrou um aumento de 16% na exportação de milho no primeiro quadrimestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010.


HISTÓRICO DE CHUVAS PARA O MÊS DE MAIO

ANO PRECIPITAÇÃO ATMOSFÉRICA

1983 363 milímetros
1992 432 milímetros
2002 493 milímetros
2004 279 milímetros
2009 225 milímetros
2010 154 milímetros
2011 0

(Dados de Umuarama que consideram as maiores precipitações para o mês de maio. Em nenhum ano, desde 1978, o mês foi sem chuvas na cidade)

CAFÉ VIVE ÓTIMO MOMENTO

Diferentemente do milho, o café vive um momento excelente na região. Embora com apenas 20% colhido, já se pode comemorar os resultados. “Em ternos de clima a situação do café está ótima. Isso ajuda muito o cafeicultor a fornecer um produto de boa qualidade, que vai interferir muito no preço na hora de vender”.

O bom clima ajuda no momento de secagem no terreirão e os frutos que caem no chão não estragam. Além do que, com raízes profundas, a seca não atinge em nada a planta para a próxima safra.
Ático comenta que existem muitos agricultores que estão esqueletando o café, ou seja, as plantas que não terão boa produtividade têm os galhos e a ponta cortados para não produzir neste ano, voltando assim com força total no próximo.

Com vários fatores favoráveis, o preço segue o mesmo ritmo. Seguindo a tendência mundial, a saca de café teve um aumento de 200% na região. No ano passado, a saca que custava R$215 já chega neste ano de R$397 à R$430.

“Em 1986 havia 160 mil hectares na região. A produção vem diminuindo ano a ano, bem como o estoque mundial, isso consequentemente faz os preços aumentarem”, explica Ático.

Em 2010, a região tinha 4.718 hectares plantados, com produção de 1.369 quilos de café por hectare. Neste ano a área plantada é maior, 4.440, entretanto, a estimativa é de colheita menor, de 1.000 à 1.200 kg/hectare. Esta diminuição é explicada pela própria característica da planta, que rende mais em anos alternados.

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