Commodities em alta, fertilizante aperta
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Imagem: Divulgação
RABOBANK

Commodities em alta, fertilizante aperta

Especuladores migraram para os futuros das commodities agrícolas
Por: -Leonardo Gottems

“As commodities agrícolas permanecem altas, enquanto os fertilizantes se estreitam em 2021”, afirma o relatório “Rabobank Field Crop Margin Outlook 2021: Higher Prices Lift Margins and Global Spirits”, do Rabobank. De acordo com o estudo, os preços dos grãos e sementes oleaginosas atingiram níveis máximos de vários anos no ano que passou – apesar das consequências econômicas e sociais da pandemia de COVID-19. 

“Isso foi impulsionado, em primeiro lugar, pela demanda resiliente de rações, principalmente da China, com os estoques de milho e soja previstos para diminuir ao longo da temporada 2020/21 como resultado”, ressaltam o relatório, assinado pela analista de Insumos Agrícolas Elizabeth Lunik.

Em segundo lugar, destaca a especialista do Rabobank, o fenômeno climático La Niña representou – e continuará a representar – desafios para os agricultores de todo o mundo, restringindo os estoques globais de grãos. 

Um terceiro fator apontado pelo estudo do banco especializado em soluções financeiras para o agronegócio é que os especuladores migraram para os futuros das commodities agrícolas, exacerbando a alta dos preços. “Também observamos um aumento do interesse de investidores institucionais”, destaca Elizabeth Lunik. 

“Em 2021, acreditamos que os riscos dos preços do trigo permanecerão elevados – pelo menos até o verão, quando a nova safra do hemisfério norte estará disponível. Os preços do milho e da soja são sustentados pela demanda chinesa por ração e pelas baixas taxas de estoque/uso entre os exportadores”, conclui o relatório da instituição financeira.

FERTILIZANTES

Ainda de acordo com o Rabobank, em 2020, o complexo global de fertilizantes atingiu as mínimas de dez anos durante a segunda metade do ano, apoiado pela melhora da demanda em várias regiões geográficas importantes – em particular, Brasil e Índia. “No Brasil, a melhoria dos preços das commodities continua a alimentar as fortes margens do agricultor, e a demanda por fertilizantes aumentou por cinco anos consecutivos”, diz o relatório. 

“No prazo imediato, esperamos que os preços da ureia e do fosfato continuem sendo sustentados pela demanda até o segundo trimestre de 2021; entretanto, uma vez que a demanda sazonal do hemisfério norte diminua, suprimentos pesados e capacidade de produção crescente podem pesar sobre os preços”, destaca Elizabeth Lunik. 

Como alternativa, destaca ela, nos mercados de potássio “esperamos que os preços aumentem a uma taxa constante, à medida que os importadores chineses e indianos cobrem os estoques, e espera-se uma demanda sustentada dos EUA e do Brasil. Isso – além de algumas fábricas de alto custo cortando a produção, o que restringe a oferta – leva a um equilíbrio entre oferta e demanda mais apertado”, conclui.


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