Mercado

Commodities em alta devem levar a recorde de exportações

Os preços e a demanda firmes dos principais produtos exportados no Brasil poderão garantir um novo aumento dos embarques em 2018
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Após atingir recorde de exportações no ano passado, o Brasil deve repetir a dose em 2018. Os preços em alta das principais commodities embarcadas – soja, minério de ferro e petróleo – podem proporcionar mais um desempenho excepcional ao País.

Além disso, a expectativa de analistas ouvidos pelo DCI é que o País também ganhe participação no mercado global, elevando os volumes de exportações. É o caso do petróleo, que vem ganhando espaço no mundo com o pré-sal.

“Neste ano, o País vai ganhar market share principalmente porque a Petrobras está elevando sua produção, bem como os outros players do mercado nacional”, afirma o analista da área na Tendências Consultoria, Walter de Vitto.

No ano passado, a receita com as exportações brasileiras foi de US$ 217 bilhões, crescimento de 17,5% sobre 2016 e recorde histórico para o País. O minério de ferro, que foi o segundo principal produto de exportação brasileira nos últimos três anos, deve contribuir novamente para a balança comercial em 2018. Especialistas destacam a expansão da demanda chinesa por minério de qualidade e o crescimento da economia global como fatores para o avanço da commodity brasileira.

Na opinião do analista independente da Upside Investor, Pedro Galdi, o avanço da economia internacional deve impulsionar as vendas de minério de ferro. Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) da China – país que produz 50% do aço do mundo e, portanto, precisa do insumo – aumentou 6,9% no ano passado, superando as expectativas do mercado.

Apesar disso, o analista de mineração da Tendências, Felipe Beraldi, projeta que o preço do minério de ferro deve cair até o fim do ano. “Ao longo de 2017, vimos a valorização do insumo, que subiu 22,7%, encerrando em um preço médio de US$ 70 a tonelada. Mas neste ano, deve haver uma queda, encerrando 2018 em US$ 65”, avalia. “Já vemos um arrefecimento no mercado imobiliário chinês. Além disso, a oferta global de minério de ferro está em expansão, com a maturação do projeto S11D da Vale em Carajás”, esclarece.

Contudo, Beraldi acredita que o preço menor será compensado pelo aumento dos volumes exportados pela Vale. “Há projetos competitivos e minério de qualidade por aqui, então as receitas com os embarques devem crescer por conta da quantidade exportada”, comenta o analista.

Galdi lembra que a China está tentando reduzir a poluição nos grandes centros urbanos intervindo nas siderúrgicas. “Usar carvão, que está caro, com minério de qualidade inferior é queimar dinheiro. Com o problema da poluição, isso tem levado os chineses a fechar as usinas defasadas”, destaca. Essa busca por minério de melhor qualidade beneficia a Vale, que produz a commodity com até 68% de ferro contido no complexo de Carajás, contra 62% da referência global. “Há um excesso de minério nos portos, mas de baixa qualidade para compor um mix. Os chineses vão continuar comprando o produto brasileiro”, explica.

De excesso de oferta também sofre o mercado global de óleo e gás. Neste cenário, membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia estão cortando os níveis de produção para equilibrar os preços. Segundo projeções da Tendências, a cotação do Brent deve registrar crescimento de 12,5% em 2018, para uma média de cerca de US$ 61,1 por barril. “Se a Opep prolongar ainda mais o acordo [de cortes de produção], os preços podem ter uma alta ainda maior”, estima.

Ele lembra que a produção de países de fora da Opep deve crescer em torno de dois milhões de barris por dia neste ano, reforçando a posição de destaque de países como EUA e Brasil. “Neste cenário, vamos ganhar share.”

Joia da coroa

Depois de mais um ano na liderança entre os produtos mais exportados pelo Brasil, o complexo soja –composto por grãos, farelo e óleo– deve ter um 2018 positivo. A estimativa é de embarques de 84 milhões de toneladas e receita de US$ 32 bilhões, resultados ligeiramente superiores a 2017. “Os volumes da safra estão bem encaminhados neste ano. Houve uma ligeira redução de custos de produção e o preço médio do grão deve ficar nos moldes de 2017, de R$ 65 por saca”, avalia o consultor sênior da Datagro, Flávio de França Júnior.

A perspectiva é de que a produção de soja no ciclo 2017/2018 alcance 113 milhões de toneladas, volume próximo às 114 milhões de toneladas da safra anterior. Porém, diante da melhora da economia, mais grãos devem ser destinados ao consumo interno, tanto para o biodiesel – com a regulamentação do B-10, a partir de março – quanto para a proteína animal.

Apesar da projeção de ligeira queda das exportações de soja em grão para este ano, de 68 milhões de toneladas para 66 milhões de toneladas, a expectativa é que ainda assim o Brasil figure na liderança global de embarques da oleaginosa.

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