Como o PIX vai impactar o agro?
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ENTREVISTA

Como o PIX vai impactar o agro?

Sistema passa a valer em 16 de novembro e também deve modificar algumas relações no agro
Por: -Eliza Maliszewski
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Só se fala no tal do PIX. Você sabe do que se trata exatamente? Trata-se de um novo sistema de pagamentos via eletrônica que promete incentivar a competição entre bancos, contribuir para a digitalização e o fim do papel moeda.

De forma prática os usuários poderão fazer algumas operações bancárias sem custo, como transferências de pessoa física, por exemplo. A previsão é que a maioria das transações seja aprovada e finalizada em até 10 segundos.

A ferramenta foi elaborada pelo Banco Central do Brasil e entra em vigor no Brasil em 16 de novembro. Só até o fechamento desta reportagem já eram mais de 30 milhões de chaves cadastradas. E o mais interessante é que as fintechs, startups ligadas à transações financeiras, são as que lideram o processo com mais da metade dos cadastros. 

Na Europa, o PIX surgiu como uma alternativa para reduzir os custos de transações gerados pelas taxas das bandeiras que fazem a intermediação de pagamentos, chamado de Pan European Payment System Initiave (PEPSI), elaborado pelo Banco Central Europeu (BCE). Em outros países sistemas semelhantes não são novidade. Na Índia há o UPI (Unified Payments Interface) no México o CoDi  e nos Estados Unidos, o Zelle. 

O Brasil usa como parâmetro o modelo Europeu. Entre as vantagens a diminuição da necessidade de manusear o dinheiro físico, reduzindo o problema da falta do troco e a facilidade de automatizar o negócio e conciliar os pagamentos recebidos. Os impactos do novo sistema também devem chegar a um dos principais setores do país, o agronegócio. O Portal Agrolink conversou com a professora de Economia e coordenadora do Núcleo de Estudo da Conjuntura Econômica da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Nadja Heiderich, para entender melhor os impactos no setor.

Portal Agrolink: para começar o que é o PIX e o que ele promete entregar? 
Nadja Heiderich:
o PIX é um sistema de pagamentos instantâneo, que vai funcionar 24h por dia, 7 dias da semana, 365 dias por ano, onde não há tarifas, pelo menos para a pessoa física. Ele promete trazer maior agilidade às transações financeiras e aos pagamentos. Vai reduzir o custo ao pagador e ao recebedor, e vai fazer com que a gente não precise mais andar com troco, uma vez que o pagamento pode ser realizado no mesmo momento da transação. E o recebimento acontece em torno de 10 segundos, ou até menos, na transferência de uma conta para outra. 

Outra vantagem do sistema PIX é que ele vai vir para revolucionar o sistema de pagamento no Brasil de fato. Você não precisa mais esperar para realizar um TED ou um DOC. Como ele é instantâneo, você não precisa mais da necessidade de dinheiro físico. Na corrida para atender o consumidor, as instituições financeiras vão tentar trazer mais benefícios para o consumidor final, o que vai gerar uma melhora da qualidade dos serviços financeiros prestados, maior poder de escolha do consumidor e menor custo. 

Portal Agrolink: no agronegócio como pode atuar, benefícios e cuidados.
Nadja Heiderich: no caso do agronegócio, o PIX também vai servir para agilizar os pagamentos em diversas situações: na feira, o feirante vai poder realizar o pagamento instantaneamente ao seu fornecedor, trazendo mais segurança de fluxo de caixa para os pequenos produtores. Não só o feirante para produtor, mas consumidor para o feirante. Trará mais agilidade e praticidade em termos desses pagamentos. 

Portal Agrolink: especialistas já apontam que o PIX pode beneficiar pequenos produtores que dependem de uma renda imediata e não estão tão acostumados com transações digitais. É isso mesmo? 
Nadja Heiderich: a gente sabe que nas áreas rurais a quantidade de agências bancárias é menor e de acesso mais difícil. De maneira digital os produtores poderão realizar pagamentos e ter recebimentos de forma mais rápida, fazendo um fluxo de caixa mais controlado, dado que ele depende dessa renda mais imediata. 

Portal Agrolink: a ferramenta também pode agilizar compras de insumos? 
Nadja Heiderich: com relação a insumos o produtor, quando houver necessidade, realizará transação e terá insumo de maneira mais rápida. 

Portal Agrolink: como fica a questão da conectividade para usar a ferramenta no campo? Precisa necessariamente de conexão? 
Nadja Heiderich: essa questão de fato ainda é um problema, mas a pandemia acelerou o processo de digitalização no meio rural. Vários produtores têm investido nessas soluções. Existe um movimento das operadoras de telefonia para investir em maior tecnologia para cesso a áreas rurais, diante dessa nova realidade e demandas surgidas por conta do distanciamento. Mas o PIX também tem soluções offline, onde o produtor pode gerar um QR code e enviar para o consumidor, para esse realizar o pagamento online. O Banco Central ainda estuda o pagamento ser realizado offline, mas o recebimento ocorrer online. 

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