Condições mais favoráveis para a indústria frigorífica no segundo semestre?
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Agronegócio

Condições mais favoráveis para a indústria frigorífica no segundo semestre?

Segundo a Scot Consultoria, para a margem das indústrias melhorar no segundo semestre, na comparação com o primeiro será necessário que bons resultados venham das vendas. E se o dólar se mantiver firme já ajuda bastante
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 É fato que os preços do boi gordo subiram forte no primeiro semestre de 2008. Entre janeiro e junho, na média de 28 praças pesquisadas pela Scot Consultoria, o aumento (considerando valores em reais nominais) foi de 21%. Destaque para Rondônia, com alta de 35%, e Tocantins (Sul e Norte), Redenção e Marabá, no Pará, todas com 29% de aumento.


É fato também que, neste segundo semestre, o ritmo de alta diminuiu bastante. Na verdade, o mercado está andando de lado, com variação média, entre julho e agosto (ainda incompleto) de -0,1%.

Diante desse cenário, temos ouvido conclusões do tipo: “Agora a oferta aumenta por conta dos confinamentos” ou “A margem das indústrias vai melhorar, porque o boi não sobe mais”.

Primeiro, é preciso considerar que o Brasil abate cerca de 46 milhões de cabeças ao ano, e que o confinamento gira em torno de 3 milhões de cabeças. Considerando mais o semiconfinamento, seria algo entre 7 ou 8 milhões de cabeças. Em síntese, a maior parte dos animais é terminada quase que exclusivamente a pasto e, se na entressafra aumenta a oferta de boi de cocho, também diminui a oferta de boi de pasto.

Lógico que existem as especificidades regionais, e aí vale uma “menção honrosa” a Goiás, que com mais 1 milhão de cabeças confinadas está se tornando um Estado sem entressafra. Temos tratado bastante desta questão, neste mesmo espaço, ao longo da última semana.


De toda forma, essa não é a realidade da maior parte do país. No Norte, por exemplo, que foi para onde a pecuária mais avançou nos últimos anos, praticamente não existe confinamento e a oferta de animais terminados encontra-se realmente bastante reduzida.

Segundo, mesmo que os preços parem de subir, seria preciso que realmente despencassem para retornar aos patamares do primeiro semestre. Em São Paulo, por exemplo, o primeiro semestre ficou com preço médio de R$79,42/@. E o boi hoje é negociado a R$92,00/@. Em Rondônia foi registrada média de R$67,72/@ nos primeiros 6 meses do ano, frente a uma cotação atual de R$80,00/@.


Em síntese, o custo da matéria-prima (boi gordo) não deverá recuar aos patamares do primeiro semestre. Primeiro, porque a oferta, com raríssimas exceções, não está aumentando (a morosidade do mercado se deve, principalmente, a dificuldades na ponta vendedora de carne). Segundo, porque seria preciso um movimento de baixa bastante forte e prolongado para que isso acontecesse, o que não é, de forma alguma, típico de entressafra.

Para a margem das indústrias melhorar no segundo semestre, na comparação com o primeiro (e esperamos que melhore mesmo), será necessário que bons resultados venham das vendas. E se o dólar se mantiver firme já ajuda bastante.

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