Conflitos elevam riscos para mercados agrícolas
No Oriente Médio, o petróleo segue passando pelo Estreito de Ormuz
No Oriente Médio, o petróleo segue passando pelo Estreito de Ormuz - Foto: Divulgação
Os conflitos geopolíticos seguem ampliando os riscos para os mercados agrícolas globais, com possíveis efeitos sobre custos de produção, transporte e formação de preços também no Brasil. Segundo o Rabobank, os principais focos de atenção neste momento estão no Mar Negro, nas interrupções próximas ao Estreito de Ormuz e nos impactos do El Niño, especialmente sobre commodities tropicais.
Na madrugada de 20 de setembro, a Ucrânia realizou um grande ataque contra a Rússia, causando danos significativos a uma refinaria de petróleo. As tensões entre os dois países permanecem elevadas, enquanto a situação dos grãos no Mar Negro continua crítica, com as exportações enfrentando dificuldades após ataques anteriores à infraestrutura de navegação.
No Oriente Médio, o petróleo segue passando pelo Estreito de Ormuz, mas com custos elevados e relatos de novos ataques a navios-tanque. Os contratos futuros do Brent eram negociados a US$ 98,3 por barril, enquanto as margens de refino permaneciam altas diante da redução da capacidade global. O diesel mais caro acrescenta pressão sobre despesas agrícolas e logísticas, um fator relevante para cadeias que dependem intensamente de transporte.
O cenário também inclui relatos de ataque dos houthis a Riad e de avanço do grupo na disputa pelo controle das regiões montanhosas do Iêmen.
No comércio agrícola, a aproximação entre Estados Unidos e China ganhou espaço antes da cúpula prevista para 23 a 25 de setembro. A China aumentou as compras de soja norte-americana, movimento que deu sustentação às cotações em Chicago. A soja era negociada a 1.319 centavos de dólar por bushel, enquanto os compromissos de exportação dos EUA para 2026/27 chegaram a 20,6 milhões de toneladas, quase o dobro do registrado um ano antes.