Conheça o Porco Celta
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Imagem: Divulgação
SUINOCULTURA

Conheça o Porco Celta

Produtores avaliam se dieta mais limpa altera qualidade de carne e gordura
Por: -Eliza Maliszewski

Você já ouviu falar em Porco Celta? A raça é espanhola e está em perigo de extinção. Até aos anos 50 era típica da Galícia. São animais muito compridos, pouco precoces (demoram a crescer), com cabeças muito grandes e orelhas compridas que cobrem os olhos, muito altos e gostam de caminhar. A carne destes animais é de alta qualidade para a produção de embutidos e presuntos e possuem uma grande quantidade de gordura.

Desde que a carne de porco celta estourou nas lojas espanholas e nas grandes áreas de distribuição não parou de ganhar adeptos entre os consumidores. Em 2020 o volume de produção marcou um aumento de cerca de 37 mil quilos em relação aos dados do ano anterior. Dados da Associação de Criadores da Raça Suína Celta (Asoporcel) contabilizam uma produção total de 191.066,15 quilos em 2020, o que implica um crescimento próximo de 20% face aos 154.205,5 quilos em 2019.

Outro dado importante é que no último mês de agosto, período de baixa demanda, as vendas superaram os 19 mil quilos, 33% a mais que no ano anterior. A demanda também fez com que muitos produtores fechassem o ciclo, transformando as próprias carcaças em embutidos.

A Asoporcel acredita que os bons resultados têm muito a ver com a agilidade dos produtores para se adaptarem ao novo contexto econômico e também a agilidade para dar substituir a carne que os restaurantes perderam durante a pandemia.

Agora os produtores da Espanha investigam se a forma de alimentação do animal pode gerar uma carne e gordura mais saudáveis. Eles passaram a testar se essa raça, que já é rica em gorduras poliinsaturadas, teria mudanças se for alimentada com milho rico em ácido oléico.

Em um projeto de pesquisa tentou-se determinar quais as mudanças que essa dieta poderia ter na proteína. Um dos grandes problemas que a suinocultura enfrentará tem a ver com os consumidores, que estão cada vez mais conscientes e sensibilizados para cuidar da saúde e reduzir o consumo de gorduras. 

"O tipo de alimentação que estes animais recebem tem um impacto significativo na composição do grão de carne obtido no final do processo", explica Iván Rodríguez, diretor técnico da Associação de Criadores do Celta Porco. Também afirma que a gordura desses animais contém altas concentrações de ácidos graxos saturados e menores concentrações de mono e poli-ionaturados, mas pesquisas em nutrição suína têm mostrado que o perfil dos ácidos graxos da carne suína pode ser alterado com dietas que contenham variações nas concentrações de ácidos graxos, principalmente, com a contribuição de materiais de origem vegetal que costumam ser ricos em rasas.

O trabalho começou com o plantio desses de milho. Posteriormente vão ser adotados três tipos diferentes de dieta, que serão fornecidos a três grupos diferentes de animais. Alguns comerão milho rico em oleico, outros milho corvo e, terceiro, manterão uma dieta normal. Todas as informações possíveis serão coletadas desde o nascimento até a ida ao matadouro e, posteriormente, a carne será enviada ao centro de tecnologia para análise, para verificar se a dieta diferenciada realmente influenciou sua composição ou características organolépticas.

Os criadores destacam que a inclusão desses novos grãos na dieta evitará que gorduras animais ou óleo de palma sejam incluídos na dieta. Além disso, essa melhora não ocorrerá apenas nas carnes frescas, mas também impactará a indústria de curados, ao melhorar o perfil lipídico da gordura de cobertura e da gordura intramuscular.

Os idealizadores deste projeto de pesquisa têm certeza de que ele contribuirá para reduzir os gastos com alimentação que as fazendas atualmente enfrentam, promover o cultivo de variedades autóctones, como o milho corvo, e ajudar a valorizar terras abandonadas.
 


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