Cooperativas de crédito dão salto de R$ 1 bilhão
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Agronegócio

Cooperativas de crédito dão salto de R$ 1 bilhão

Instituições chegam a triplicar valor financiado em três anos
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Com foco em pequenos e médios produtores, instituições chegam a triplicar valor financiado em três anos, um avanço nove vezes maior que o do orçamento do Plano Safra


Todos os anos, antes de tirar o maquinário do galpão para preparar a terra, o agricultor Marcos Antonio Wrobleski, da Lapa, a 70 quilômetros de Curitiba, visita o gerente da cooperativa de crédito para solicitar o financiamento do custeio da safra de verão. Para a temporada atual, o produtor de milho, soja e feijão emprestou R$ 33 mil para o plantio de 22 hectares distribuídos em três propriedades que possui no município da Região Metropolitana de Curitiba.


“A burocracia é pequena e a liberação de crédito rápida”, conta Wrobleski, que há 19 anos é cliente da cooperativa Sicredi. Além da safra, ele tem usado financiamento quando precisa comprar plantadeiras ou outros equipamentos. Mas os planos de aquisições não param por aí. “Tem que sonhar alto”, afirma ele, que pretende ampliar o patrimônio com a ajuda do crédito cooperativista.

Graças a agricultores que vêm se estruturando em pequenas e médias propriedades, e que dependem de financiamentos, as cooperativas de crédito registram expansão bem acima da média do setor. O crescimento dos recursos liberados por essas entidades nas últimas safras supera em até nove vezes a evolução do orçamento geral do Plano Agrícola Pecuário (PAP), o Plano Safra do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuário (Mapa).

Juntas, Sicredi e Cresol, as duas principais cooperativas de crédito rural do país ampliaram em mais de R$ 1 bilhão os recursos disponíveis aos produtores nesta safra, de R$ 4,34 bilhões no ano passado para R$ 5,39 bilhões nesta temporada.

O setor sustenta que possui diferenciais competitivos em relação aos bancos. “Na cooperativa, o agricultor é tratado como cliente e como dono. Isso mexe com o emocional e o agricultor se torna fiel”, ressalta Manfred Dasenbrock, presidente da Central Sicredi PR/SP. “Ao longo do ano, a cooperativa nunca está em greve”, complementa.


O segredo


As cooperativas de crédito atraem os agricultores que buscam fugir das grandes estruturas bancárias, geralmente localizadas em cidades de médio e grande porte. Porém, o crescimento ‘meteórico’ das instituições financeiras ocorreu na última década, a patir de pequenas cidades e de estratégias defendidas como a “democratização do crédito rural”.

Hoje, o Sicredi, que surgiu no início da década de 80 da união de cooperativas de crédito gaúchas, opera em mais de 1,1 mil pontos de atendimento em dez estados brasileiros. Para safra 2012/13, a cooperativa projeta liberar R$ 1,5 bilhão somente nos estados do Paraná e São Paulo, crescimento de 50% em relação ao valor liberado na safra passada (R$ 1 bilhão). Em âmbito nacional, a previsão da instituição é alcançar R$ 5,19 bilhões, contra os R$ 4,17 bilhões da safra passada, um aumento de 25%.

O Cresol, de Francisco Bel­­­­trão (Sudoeste), também teve sua expansão nos últimos anos. Surgiu em 1996 com cinco unidades no Su­­doeste e no Centro-Oeste do Paraná. Hoje, está presente em Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e São Paulo. Caso alcance a estimativa de emprestar R$ 200 milhões na safra atual (um terço já cumprida), a instituição terá aumento de 219% nos valores liberados no período de três temporadas agrícolas.


O orçamento geral do Pla­­no Safra aumentou 23% no intervalo de três safras, saltando de R$ 108 bilhões para 133 bilhões (considerando a agricultura familiar e a empresarial). Em relação aos valores efetivamente liberados, a tomada de crédito via PAP passou de R$ 98,1 bilhões na safra 2009/10 para R$ 106 na temporada passada, uma expansão de 8%. O agronegócio informa que vem tomando cada vez mais crédito de outras fontes, sem subsídio do governo.

Para o Banco do Brasil, cooperativas são “parceiras”


Apesar da gradativa migração de crédito para as cooperativas, o Banco do Brasil, principal agente financiador da safra, não vê o segmento como concorrente. O Banco pretende liberar somente ao Paraná R$ 8,6 bilhões por meio do PAP – R$ 2 bilhões destinados pré-custeio e custeio. O gerente estadual do mercado de agronegócio, Pablo da Silva Ricoldy, reconhece que há disputa pelo mesmo cliente somente em algumas operações. Porém, o executivo afirma que entidades como Sicredi e Cresol fortalecem o mercado e são identificadas pelo banco como parceiras.

“O Banco do Brasil é parceiro e acontece de repassarmos crédito às cooperativas assim como operar diretamente com o cooperado”, explica. “Muitas vezes, precisamos de uma mobilização em determinada região e a cooperativa de crédito ajuda”, complementa.


No ano passado, o BB liberou R$ 44,2 bilhões aos agricultores e, para este ano, prevê aplicar 20% a mais: R$ 55 bilhões.

Outro gigante estatal do setor financeiro, a Caixa Econômica Federal, tem plano para atuar no crédito agrícola. Porém, ainda não está definida a data nem o modelo de negócio.

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