Copersucar decide abrir capital de seu centro tecnológico
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Agronegócio

Copersucar decide abrir capital de seu centro tecnológico

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O Centro de Tecnologia Copersucar (CTC), que nos últimos 25 anos tem sido responsável por inúmeras contribuições ao desenvolvimento do setor sucroalcooleiro do país, deverá ser transformado, até o fim do mês de abril, em uma entidade de direito privado aberta à participação de quaisquer produtores e usinas do país. Em seu novo formato, o centro será mantido por contribuições de seus futuros associados e por receita proveniente dos pagamentos de royalties, conforme adiantou ao Valor Hermelindo Ruete de Oliveira, presidente do conselho de administração da Copersucar.

Oliveira explicou, ainda, que o CTC - que deverá ser rebatizado de Centro de Tecnologia Canavieira -, será administrado por um conselho formado pelos associados e que não haverá distribuição de dividendos. Em caso de resultado positivo, os recursos deverão ser reaplicados compulsoriamente em pesquisas visando melhorias de processos de produção e industriais. A Copersucar não participará diretamente do CTC remodelado, mas certamente suas 32 usinas cooperadas estarão entre os sócios-fundadores do centro.

"Vamos abrir a possibilidade de que todo o setor participe do CTC, dos fornecedores de cana aos usineiros", afirmou Oliveira. Com isso, a expectativa é de que aumentem o orçamento e os investimentos do centro. A proposta de orçamento do novo CTC prevê aporte de R$ 42 milhões ao longo de cinco safras a partir da 2004/05. Nas últimas duas temporadas, as aplicações giraram em torno de R$ 30 milhões.

Nessas primeiras cinco safras, o associado será obrigado a contribuir, por meio de promissória e fiança bancária. A idéia é que as contribuições, que serão divididas entre as áreas agrícola e industrial, sejam proporcionais. As colaborações da área industrial serão calculadas com base na tonelagem de cana moída; no caso da área agrícola, com base na área plantada com cana. A pesquisa agrícola deverá receber a maior parte do valor arrecadado, até porque, segundo Oliveira, "a pesquisa agrícola deve ser local".

Segundo Cassio Domingues, presidente-executivo da Coperscuar, a transformação do CTC em entidade de direito privado não implicará paralisação de suas atividades. Suas quatro estações - Piracicaba (SP), Jaú (SP), Miracatu (SP) e Camamu (BA) - continuarão operando normalmente, com seus atuais funcionários, que serão transferidos da Copersucar. É o caso, por exemplo, de William Lee Burnquist, hoje coordenador de tecnologia da gerência de tecnologia da Copersucar, que passará a desempenhar suas funções na nova associação.

Domingues explica que a tecnologia produzida pelo CTC poderá ser adquirida mesmo por produtores ou usinas que não se associarem, mas é óbvio que os sócios do centro terão acesso a ela antes dos demais e em condições vantajosas. "Neste caso, é importante notar que o conselho do novo CTC poderá decidir não liberar uma eventual descoberta", afirmou o executivo da Coperscuar. Hermelindo Ruete de Oliveira também salientou que, caso a adesão ao centro seja pequena, a Copersucar pode recuar e não abrir o capital. "Mas isso não vai acontecer, porque o clima é de entusiasmo", disse.

Domingues acredita que a abertura do CTC vai maximizar seus ativos e oferecer resultados melhores. Ou seja, os cooperados da Copersucar também terão vantagens. "Temos uma Ferrari cuja manutenção é cara. Com o novo centro, nossos cooperados serão beneficiados", afirmou ele. Quando o CTC foi inaugurado, a participação da Copersucar na produção sucroalcooleira brasileira era muito superior à atual. A cooperativa chegou a contar com mais de 70 usinas cooperadas.

Fundado pela Copersucar em 1979, o CTC transformou-se em referência mundial e colaborou, com o desenvolvimento de novas variedades de cana, para o aumento da produção e da produtividade dos canaviais do país. Hoje, o centro tem registradas mais de 20 variedades com certificados de proteção de cultivares no Ministério da Agricultura.

O centro também trabalha, em conjunto com o Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), no mapeamento genético da cana, atualmente em sua segunda fase. Envolvido com a biotecnologia, o CTC também pesquisa transgênicos, e já tem cinco variedades de cana geneticamente modificadas (resistentes a herbicidas e inseticidas) à espera da liberação de plantio e comercialização no país.


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