Coreanos dão sinal verde para importação de suíno brasileiro

Agronegócio

Coreanos dão sinal verde para importação de suíno brasileiro

Situação dos preços do produto no Brasil preocupa
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Enquanto negociações com o país asiático são destravadas, a situação dos preços do produto no Brasil preocupa. O frango é considerado o culpado pela baixa.

São Paulo - O mercado sul-coreano deve finalmente ser aberto este ano para a carne de suínos de Santa Catarina representando um alento para os produtores nacionais que enfrentam dificuldades com os baixos preços no mercado interno. A expectativa é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, que voltou recentemente de uma missão à capital coreana, onde discutiu os impasses que limitavam a negociação. Entretanto, do outro lado desta negociação, no Brasil a situação para os suinocultores não está nada bem. Os preços médios do animal vivo caíram quase 12% desde janeiro até este mês.

Após a abertura do mercado chinês para a carne suína brasileira, a Coreia do Sul, que já negociava desde o ano passado com o governo brasileiro os termos para começar a importar essa proteína, parece ter entrado em um consenso com o Brasil a respeito dos entraves técnicos que emperravam a sequência das negociações. Camargo Neto se mostrou bastante otimista em relação a esta negociação, afirmando que agora somente questões burocráticas precisam ser resolvidas. "A visita foi muito boa, e cumprimos uma etapa. Demos um passo à frente, não sei avaliar quanto tempo levará para abrir esse mercado, mas acho que rapidamente teremos uma solução. Acho que a parte técnica foi encerrada, agora temos as partes burocráticas, mas estou otimista", disse ao DCI.

Segundo Camargo Neto, o processo estava emperrando no Brasil que após a troca de muitas correspondências com os coreanos, não conseguia sanar todas as dúvidas levantadas por eles. "O processo estava parado por conta do Brasil, que trocava correspondências mas não resolvia o impasse. Os documentos iam e voltavam, e eles não estavam satisfeitos com as informações, então em uma reunião pessoal foi possível esclarecer tudo isso, e não há mais dúvidas", garantiu.

O presidente da Abipecs afirmou que seis frigoríficos do estado catarinense enviaram seus questionários aos coreanos, e que a expectativa geral é de exportações significativas para aquele país. "Na hora em que começarmos a exportar, os montantes serão muito mais consideráveis, ao contrário do que vimos na China. Entraremos com muito mais vigor. Aproximadamente seis frigoríficos de Santa Catarina mandaram a documentação, agora é só esperar", comentou.

Se por um lado o setor comemora, por outro as dúvidas seguem tirando o sono do produtor. Desde janeiro deste ano os preços do suíno vivo na região centro-sul do País caíram 12%, passando de R$ 2,67 no primeiro mês do ano, para R$ 2,36 na média de preços deste mês. Para analistas de mercado, os valores da carne têm recuado desta forma por conta dos preços do frango, que chegaram a patamares abaixo do custo de produção neste mês. "Desde o começo do ano nós temos observado uma produção de carne de frango muito acentuado, muito acima do consumo, e os preços caíram, o que afeta a carne suína", comentou o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias.

A expectativa é que o preço das duas carnes siga em baixa até junho, quando os suínos devem passar de R$ 2,36 o animal vivo, para R$ 2,7. Já para os frangos a recuperação será mais lenta, chegando a R$ 1,8 em junho contra os R$ 1,64 deste mês. "Acredito que os preços dos suínos comecem a subir a partir de junho, historicamente segundo o semestre sempre é melhor, e os preços devem ficar parecidos com o ano passado", garantiu, Felipe Neto analista da Safras & Mercado.

Já para o setor de frangos, que enfrenta preços abaixo do custo de produção, a solução pode ser a redução de turnos de trabalho, nos frigoríficos. "Algumas empresas já pensam em cortar turnos.

Ouvi um comentário que algumas empresas estão reavaliando as suas operações, pois não dá para se manter dessa forma. Pois aí elas passam a ter prejuízo, com a média do custo de produção maior que o consumidor está pagando", disse Ricardo Santin, diretor de Mercado da União Brasileira da Avicultura (Ubabef).

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