Corretora vê safra de soja 11/12 do Brasil abaixo de 70 mi t
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Agronegócio

Corretora vê safra de soja 11/12 do Brasil abaixo de 70 mi t

Potencial de perdas aumenta
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SÃO PAULO (Reuters) - Uma esperada safra recorde de soja do Brasil na temporada 2011/12 foi descartada por corretores nesta sexta-feira (6), com alguns deles avaliando que o impacto da seca na região Sul do país já reduziu em até 8 por cento o potencial da colheita brasileira.


"Nosso número inicial da safra brasileira era otimista... O que nos fez projetar um potencial de safra entre 74 a 75 milhões de toneladas. Hoje consideramos um potencial de perdas nos Estados de Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e sul de Mato Grosso do Sul de 6 milhões de toneladas", disse a corretora Andrea Cordeiro, da Labhoro, com sede no Paraná.

Tal projeção reduziria a safra nacional para 68-69 milhões de toneladas, contra 75,3 milhões de toneladas oficialmente estimadas para a temporada anterior, quando o Brasil teve a sua maior produção da história.

"O potencial de perdas aumenta à medida que as chuvas não vêm. E se não chover corretamente nos próximos 15 dias a safra pode cair para até 65 milhões de toneladas", acrescentou.

Algumas áreas dos Estados atingidos pela seca podem ser beneficiadas por precipitações previstas para os próximos dias no Sul do Brasil. Mas a corretora disse que "em vários pontos, especialmente onde foram cultivadas variedades precoces, as chuvas não revertem as perdas".

A corretora avalia que os números de perdas apontados pelos órgãos oficiais são conservadores. Na quinta-feira, a Secretaria de Agricultura do Paraná, o Estado onde a soja foi mais atingida até o momento, reduziu o potencial de produção da oleaginosa em 1,4 milhão de toneladas.


Os governos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estimaram uma redução total de 800 mil toneladas, o que somado com o Paraná daria uma quebra de 2,2 milhões de toneladas para a soja. Em Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste), a federação da agricultura local (Famasul) fala preliminarmente em perda de cerca de 400 mil toneladas.

"O mercado apresenta um potencial grande para novas correções", disse ela, notando que provavelmente a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) não devem trazer dados muito impactantes na semana que vem, até porque os governos estaduais não apontaram todo o prejuízo.

As informações sobre o clima no Brasil e na Argentina têm sustentado os futuros de Chicago nos últimos dias.
"Entretanto, os mapas climáticos apontam que a La Niña intensificará, o que pode comprometer ainda mais a safra brasileira, argentina e paraguaia, que num total projetamos ter perdidos potencial de produção de aproximados 10 milhões de toneladas de soja."


MAIS CONSERVADOR

O analista de mercado Steve Cachia, da corretora Cerealpar, também do Paraná, avalia que será necessário mais tempo para se conhecer exatamente o volume das perdas nas lavouras de soja do Brasil. "Se chover no Rio Grande do Sul, muita coisa pode se recuperar, milho não, mas no caso da soja sim", ponderou.

A safra gaúcha de milho cairá 25 por cento na comparação à estimativa inicial, segundo a Emater-RS.

De qualquer forma, Cachia não vê mais a possibilidade de o país colher um recorde, mesmo tendo aumentado a área plantada.

"Aquela produtividade do ano passado, esquece. Não tem como, a princípio a produção deve cair... Imaginava-se que poderia passar de 75, chegar a 76, agora estamos trabalhando com um número de 74, mas isso ainda não é definitivo", disse.

Apesar da quebra de safra, o Brasil ainda teria condição de ter uma grande colheita. "Na verdade, o problema maior está no sul e na Argentina, se for olhar Mato Grosso e Goiás está excelente... A nível nacional, vamos ter produção boa ainda."

A Informa Economics prevê também uma queda de 2 milhões de toneladas na safra brasileira, para 72 milhões de toneladas

MATO GROSSO
O presidente da Aprosoja de Mato Grosso, Glauber Silveira, disse que as lavouras do maior produtor brasileiro da oleaginosa estão boas e que o Estado caminha para produzir um recorde superior a 22 milhões de toneladas, conforme estimativa do Imea, o órgão de estatísticas ligado ao setor produtivo.

No entanto, ele ressaltou que as primeiras colheitas não apresentam um potencial tão bom, por terem sido afetadas por uma seca em outubro, quando no início dos trabalhos de semeadura as chuvas ainda não tinham se regularizado. "Mas isso não dá nem 1 por cento da safra", explicou.


O Imea apontou que 0,4 por cento da área do Estado, de quase 7 milhões de hectares, havia sido colhida até quinta-feira (5).
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