Cotações da soja em Chicago recuaram nesta semana

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Cotações da soja em Chicago recuaram nesta semana

No transcorrer da mesma a situação foi se degradando e o mercado foi cedendo
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As cotações da soja em Chicago recuaram nesta semana, chegando ao piso dos US$ 9,00/bushel, algo que não era visto desde o final de setembro. O fechamento desta quinta-feira (14/11) ficou em exatos US$ 9,00/bushel, para o primeiro mês cotado, contra US$ 9,25 uma semana antes.

A semana até iniciou bem, com notícias favoráveis sobre o acordo comercial entre EUA e China e a boa performance das exportações dos EUA em soja. Todavia, no transcorrer da mesma a situação foi se degradando e o mercado foi cedendo.

Em relação ao acordo comercial EUA-China, os dois países teriam concordado em retirar tarifas aplicadas por ambos. Porém, há dúvidas quanto a assinatura desta “Fase Um” do acordo. Não há nova data e local definidos, após o cancelamento da reunião da APEC no Chile. Ao mesmo tempo, mais da metade dos analistas internacionais começam a acreditar que o litígio comercial irá mesmo até 2021, consolidando a estratégia chinesa de esperar o resultado das eleições presidenciais estadunidenses, que ocorrerão em novembro de 2020. Diante disso, o mercado entrou em modo “cautela” em relação ao dito acordo, fato que repercutiu nas cotações da soja e outros produtos.

Por sua vez, as exportações líquidas de soja, por parte dos EUA, foram boas na semana encerrada em 31/10, atingindo a 1,8 milhão de toneladas. Esse volume representa 41% acima da média das quatro semanas anteriores. A China foi o maior comprador com 956.300 toneladas. O volume total semanal superou as expectativas do mercado.

Mas o clima favorável para o avanço da colheita nos EUA, assim como os números do relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 08/11, esfriaram a motivação exportadora.

De fato, a colheita de soja nos EUA chegou a 85% da área no dia 10/11, contra 92% na média histórica para esta época, registrando um bom avanço sobre a semana anterior.

Por outro lado, o relatório do USDA não confirmou as expectativas de redução de produção da safra estadunidense e manteve a estimativa de produção local em 96,6 milhões de toneladas, aumentando os estoques finais para 12,9 milhões de toneladas em 2019/20. Já a produção mundial foi levemente reduzida para 336,6 milhões de toneladas, com estoques finais globais sem alteração, ou seja, em 95,4 milhões de toneladas. A futura produção brasileira está projetada em 123 milhões de toneladas, a da Argentina em 53 milhões e a do Paraguai em 10,2 milhões de toneladas. As importações chinesas de soja foram mantidas em 85 milhões de toneladas. Estes números acabaram ajudando a reduzir as cotações em Chicago durante a semana.

Na prática, os grandes exportadores se inquietam com a demora para a finalização do acordo comercial entre EUA e China, fato que impede exportações de soja estadunidense mais expressivas para o país oriental, em um momento em que o plantio da nova safra sul-americana acontece e projeta uma safra recorde.

No Brasil, o relativo fracasso dos leilões do “pré-sal” impediu a entrada de dólares de forma mais expressiva no país, ao mesmo tempo em que as indefinições comerciais entre EUA e China causam desvalorização das moedas emergentes. Soma-se a isso os grandes distúrbios sociopolíticos na América Latina e temos um quadro de forte desvalorização do Real. Durante a semana a moeda brasileira bateu no seu segundo nível mais desvalorizado da história, ao atingir R$ 4,18 por dólar.

Esta situação acabou alavancando os preços internos da soja, na medida em que o recuo em Chicago foi relativamente baixo e os prêmios nos portos brasileiros se recuperaram um pouco, na esteira das indefinições sobre o acordo sino-estadunidense, fechando a semana entre US$ 0,85 e US$ 1,00/bushel.

Assim, o balcão gaúcho voltou à média de R$ 78,69/saco nesta semana, enquanto os lotes ficaram entre R$ 86,00 e R$ 86,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes giraram entre R$ 78,00 em Sorriso (MT) e R$ 84,00 em Campos Novos (SC), passando por R$ 86,00 no centro e norte do Paraná; R$ 77,50 em São Gabriel (MS); R$ 78,50 em Goiatuba (GO); R$ 75,00 em Pedro Afonso (TO); e R$ 77,00/saco em Uruçuí (PI).

O plantio da nova safra nacional de soja atingia a 55% da área em 08/11, contra 56% na média histórica para esta data. Já comercialização da última safra chegava a 95% do total em 08/11, contra 96% na média histórica. Por fim, a comercialização antecipada da futura safra de soja atingia a 35% do total previsto, contra 27% na média histórica, demonstrando que os produtores consideram os preços aceitáveis e estão vendendo para cobrir os custos de produção. Em termos estaduais, em relação a média histórica, nenhum Estado produtor se encontra abaixo da mesma quanto a venda futura. Até mesmo o Rio Grande do Sul, geralmente mais conservador, indicava 17% já vendido, contra 15% na média. Dos quatro principais Estados produtores nacionais, o que mais vendeu foi Goiás com 45%, seguido do Mato Grosso com 42%. 


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