Agronegócio

Crédito para café supera R$ 2,5 bilhões no ano

As linhas de financiamento para a cadeia produtiva do café atingiram níveis recordes este ano
Por: -Priscila Machado
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As linhas de financiamento para a cadeia produtiva do café atingiram níveis recordes este ano. O Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), disponibilizou pouco mais de R$ 1,5 bilhão para o financiamento da produção, industrialização e comercialização de café, que somados às Cédulas de Produto Rural (CPRs) e aos recursos provenientes do crédito rural totalizaram mais de R$ 2,5 bilhões.

“Em 2006, atingimos o teto máximo de crédito para financiamento; acredito que se houvesse maior recurso também seria utilizado”, diz o coordenador do Funcafé, Eduardo Chacur. Em 2007, os recursos do Funcafé devem chegar a R$ 2 bilhões, segundo a coordenação geral do fundo.

Os bancos também ampliaram a participação no financiamento à cafeicultura. O volume de crédito aprovado pelo Banco do Brasil na última safra alcançou R$ 840 milhões até setembro, com um aumento de cerca de 45% em relação ao mesmo período no ano anterior. No número de operações contratadas, o aumento foi de 25%.

O Banco do Brasil disponibilizou até setembro R$ 376 milhões em recursos do Funcafé. A procura por essa linha de financiamento, cuja garantia é dada pelos próprios agentes financeiros, teve um crescimento de 26% em relação à safra anterior. Segundo o gerente executivo da diretoria de agronegócios do Banco do Brasil, José Carlos Vaz, essa linha é a mais procurada para custeio e comercialização, atividades onde o produtor encontra maior necessidade de crédito.

No total, o Banco do Brasil tem R$ 1,3 bilhão aplicado na cafeicultura. Cerca de R$ 650 milhões estão nas CPRs, R$ 250 milhões provenientes do Funcafé, R$ 200 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 200 milhões em crédito rural. Atualmente o banco tem 110 milhões de operações de investimento, sem contar as operações de comercialização. Vaz acredita que a maioria dos investimentos são feitos por produtores já tradicionais na atividade, em plantações já existentes.

As linhas de crédito para a cafeicultura do Banco do Brasil cresceram cerca de 30% em relação a 2005, de acordo com o executivo. “Isso é reflexo do bom momento que o setor vem vivendo. A inadimplência também é baixa o que mostra que é um segmento com boas perspectivas”, analisa.

Mas também os bancos privados crescem os olhos sobre o crédito à cafeicultura. O Santander Banespa também disponibiliza, além da linha do Funcafé, linhas próprias como as CPRs e o crédito rural, sendo este o mais procurado pelos clientes do banco. Segundo o superintendente comercial de agronegócios do Santander, Walmir Segatto, o produtor lança mão do crédito rural por ser mais acessível financeiramente, com taxa de 8,75% ao ano. No caso do Funcafé essa taxa é de 9%. Este ano o banco disponibilizou R$ 150 milhões através do Funcafé. Esse dinheiro é utilizado pelo produtor para o custeio da lavoura, colheita e estocagem.

“O produtor procura o crédito para investir no plantio, aquisição de máquinas, equipamentos e no beneficiamento, que foi o que teve mais teve procura em 2006”, afirma Segatto. O superintendente acredita numa tendência de renovação do parque cafeeiro após o período de crise que afetou a cultura nos últimos anos e no aumento do investimento do produtor, que volta a ter margem de lucro. “Este ano, houve uma procura maior pelas linhas de crédito porque o produtor está mais bem capitalizado e sua expansão permitiu maiores investimentos”, afirma.

Mercado Futuro

O Banco do Brasil pretende reforçar sua atuação na Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F) e irá implementar a partir de abril o homebroker, uma ferramenta em que o próprio produtor estabelece uma posição de mercado futuro na BM&F.

Segundo Vaz, a procura pelo contrato futuro na cafeicultura ainda é pequena em relação ao tamanho do mercado. “É uma área que pode se expandir muito mais e vamos investir para que isso ocorra”, conta ele. O Santander também pretende atuar com contratos futuros, lançando um programa contra risco de mercado já em 2007. “Hoje, atendemos o produtor em qualquer fase do ciclo e agora queremos ter uma atuação mais consistente na formação de preço, oferecendo ao produtor o recurso de travamento de preços na BM&F”, explica Segatto.

No período de janeiro a novembro, a BM&F negociou 513.968 contratos futuros de café, o que corresponde a 51,3 milhões de sacas — quase uma vez e meia a última safra brasileira. Em relação ao mesmo período de 2005, o crescimento é de 10%. O recorde histórico foi em 2004, com 61 milhões de sacas. Para o diretor de derivativos agropecuários e energia da BM&F, Félix Schouchana, a Bolsa passou a ser uma referência de preço no mercado de café no Brasil e isso é um sinal da consolidação do mercado futuro no País. “Uma operação de seguro de preço diminui os riscos para o produtor, a indústria e o banco” avalia.

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