CI

Criação de suínos ao ar livre melhora qualidade da carne

Alternativa para pequenos produtores tem com principal atrativo o sabor do alimento


Alternativa para pequenos produtores tem com principal atrativo o sabor do alimento, na comparação com animais mantidos em chiqueiros desde que nascem
 
Reduzir os custos da produção de suínos em 80% é o objetivo do sistema de criação ao ar livre desenvolvido desde 2006 pela Escola Estadual de Educação Profissional de Carazinho (Eeeprocar), que ministra o curso técnico em Agropecuária. Conforme o professor Valmor Francisco Bissoto, o agricultor pode aproveitar várias coisas que possui na propriedade, como os pneus velhos que viram cocho, ao invés de causaram danos ao meio ambiente. Os piquetes em que os animais irão ficar devem ser divididos com cerca elétrica, que segundo o professor, não tem um custo elevado. “Um pequeno agricultor poderia aplicar este sistema tranquilamente, sem precisar de muitos recursos, criando animais mais sadios”, assegura ele, observando que o manejo também se torna mais prático, pois os porcos são mais dóceis.

A Escola trabalha neste sistema apenas com a cria, uma vez que a terminação do leitão é de maneira convencional. “Depois que eles são desmamados, ficam na creche por quatro semanas, que é um espaço ainda ao ar livre, mas longe das matrizes. Após, partem para a engorda e depois são abatidos em Santo Antônio do Planalto, pois a Escola não possui local apropriado”, afirma. A cada 15 dias acontece um parto, de uma das 10 matrizes, somando ao mês uma produção de aproximadamente 20 leitões, consumidos pelos alunos da Eeeprocar, sendo que o excedente é vendido para suprir os custos.
 
Benefícios

São vários os benefícios da produção ao ar livre, entre eles, não se faz necessária a aplicação de ferro nos leitões, uma vez que eles nascem com deficiência desta substância e o leite materno não supre. “O nosso solo é rico em ferro e como a porca se revolve na terra o leitão acaba ingerindo-a ao se amamentar”, enfatiza. Os dentes e o rabo também não são retirados, pois como os suínos vivem livres, não são afetados pelo estresse, comum em leitões criados em locais fechados. “Não temos problemas com canibalismo e com ferimentos nas tetas da porca ou entre os próprios animais, por este motivo”, destaca Bissoto.

O sabor da carne é o que mais chama a atenção, na comparação com animais mantidos em chiqueiros desde que nascem. De acordo com o professor, foram feitos testes que comprovaram que a carne é mais saudável e consistente. “O estresse também influencia neste fator, bem como a alimentação, que no início é somente o leite materno, partindo para a ração, que atende as exigências nutricionais. E ele está sempre fuçando aqui e ali, comendo raízes, minhocas, entre outros”, esclarece.

Para abrigar os suínos, é necessário construir uma cabana para cada piquete, com 2,8 m de frente por 1,8 m de fundos e abastecê-la com palha antes de a matriz dar cria. O parto é acompanhado apenas de longe, com intervenções somente quando necessário. “Desde 1996 houve dois casos que tivemos que intervir, nos demais a porca da cria sozinha”, comenta. Para aquecer o ambiente, a própria matriz cobre a porta da cabana com a palha e à medida que a temperatura sobe ela mesma retira.

Manejo

A área do projeto, atualmente, ocupa 10,1 mil m², mas ela deve ser temporária, para evitar excesso de matéria orgânica acumulada num único local. A rotação dos piquetes também é muito importante, uma vez que o pisoteio e as constantes chuvas acabam por destruir a vegetação. Na Escola existem 13 piquetes para as 10 matrizes e o reprodutor, permitindo que sempre fiquem duas áreas em descanso. Segundo o professor, dependendo da época, a porca pode ficar até três meses no piquete.

Para os alunos, que moram a maioria em pequenas propriedades, o aprendizado é muito significativo, pois esta é uma alternativa de melhorar o padrão de vida dos agricultores. “Os alunos devem passar por todos os setores da Escola. Sendo assim, com os suínos, os estudantes ficam responsáveis pela alimentação, controlando a quantidade, a exigência nutricional, observando o comportamento dos animais, do solo e das plantas”, observa, adquirindo conhecimento que posteriormente poderão ser aplicados em suas propriedades.
Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7