Criação de suínos ao ar livre melhora qualidade da carne
Alternativa para pequenos produtores tem com principal atrativo o sabor do alimento
A Escola trabalha neste sistema apenas com a cria, uma vez que a terminação do leitão é de maneira convencional. “Depois que eles são desmamados, ficam na creche por quatro semanas, que é um espaço ainda ao ar livre, mas longe das matrizes. Após, partem para a engorda e depois são abatidos em Santo Antônio do Planalto, pois a Escola não possui local apropriado”, afirma. A cada 15 dias acontece um parto, de uma das 10 matrizes, somando ao mês uma produção de aproximadamente 20 leitões, consumidos pelos alunos da Eeeprocar, sendo que o excedente é vendido para suprir os custos.
São vários os benefícios da produção ao ar livre, entre eles, não se faz necessária a aplicação de ferro nos leitões, uma vez que eles nascem com deficiência desta substância e o leite materno não supre. “O nosso solo é rico em ferro e como a porca se revolve na terra o leitão acaba ingerindo-a ao se amamentar”, enfatiza. Os dentes e o rabo também não são retirados, pois como os suínos vivem livres, não são afetados pelo estresse, comum em leitões criados em locais fechados. “Não temos problemas com canibalismo e com ferimentos nas tetas da porca ou entre os próprios animais, por este motivo”, destaca Bissoto.
O sabor da carne é o que mais chama a atenção, na comparação com animais mantidos em chiqueiros desde que nascem. De acordo com o professor, foram feitos testes que comprovaram que a carne é mais saudável e consistente. “O estresse também influencia neste fator, bem como a alimentação, que no início é somente o leite materno, partindo para a ração, que atende as exigências nutricionais. E ele está sempre fuçando aqui e ali, comendo raízes, minhocas, entre outros”, esclarece.
Para abrigar os suínos, é necessário construir uma cabana para cada piquete, com 2,8 m de frente por 1,8 m de fundos e abastecê-la com palha antes de a matriz dar cria. O parto é acompanhado apenas de longe, com intervenções somente quando necessário. “Desde 1996 houve dois casos que tivemos que intervir, nos demais a porca da cria sozinha”, comenta. Para aquecer o ambiente, a própria matriz cobre a porta da cabana com a palha e à medida que a temperatura sobe ela mesma retira.
Manejo
A área do projeto, atualmente, ocupa 10,1 mil m², mas ela deve ser temporária, para evitar excesso de matéria orgânica acumulada num único local. A rotação dos piquetes também é muito importante, uma vez que o pisoteio e as constantes chuvas acabam por destruir a vegetação. Na Escola existem 13 piquetes para as 10 matrizes e o reprodutor, permitindo que sempre fiquem duas áreas em descanso. Segundo o professor, dependendo da época, a porca pode ficar até três meses no piquete.
Para os alunos, que moram a maioria em pequenas propriedades, o aprendizado é muito significativo, pois esta é uma alternativa de melhorar o padrão de vida dos agricultores. “Os alunos devem passar por todos os setores da Escola. Sendo assim, com os suínos, os estudantes ficam responsáveis pela alimentação, controlando a quantidade, a exigência nutricional, observando o comportamento dos animais, do solo e das plantas”, observa, adquirindo conhecimento que posteriormente poderão ser aplicados em suas propriedades.