Crise no trigo: VEJA quanto o Brasil vai gastar a mais
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Imagem: Paulo kurtz/ Embrapa
COMIDA MAIS CARA

Crise no trigo: VEJA quanto o Brasil vai gastar a mais

Oferta mundial de trigo recuou cinco milhões de toneladas nesta safra
Por: -Leonardo Gottems

Em plena crise mundial de fornecimento de trigo, a inflação do cereal de inverno em meio ao desastre econômico argentino vai exigir aproximadamente “meio bilhão de Dólares a mais, além dos 6,21 bilhões de dólares que o Brasil gastou no ano passado na importação de trigo”. A afirmação é do analista sênior da Consultoria TF Agroeconômica, segundo o qual o custo “terá de ser repassado ao consumidor final, é claro”.

“O consumidor já está sentindo o efeito destes aumentos, paulatinamente. Os moinhos fazem aumentos quinzenais, para não assustar, mas que são necessários para manter a saúde financeira das empresas. Para se ter uma ideia, uma farinha de panificação que, em novembro, custava R$ 65,00 a saca de 25 quilos para a padaria, hoje custa R$ 88,00, alta de 35,38%, três vezes mais do que a inflação do período. Mas, a culpa não é do moinho, nem do governo, é da situação mundial”, explica.

O especialista afirmou, em entrevista à R7, que a oferta mundial de trigo recuou 0,57% ou cinco milhões de toneladas nesta safra, apesar do aumento do consumo mundial. Ele destaca que os estoques mundiais estão caindo desde a safra de 2020/21, quanto eram de 291,22 milhões de toneladas (MT), para 279,72 MT em 2021/22 e agora 267,02 MT na safra 22/23. 

“Como se sabe, quando os estoques mundiais diminuem, os preços sobem”, aponta Pacheco, que salienta ainda a guerra da Ucrânia, que reduziu as exportações daquele país à metade do que normalmente exportava. A Índia, que também suspendeu suas exportações de trigo, “não é um player significativo no mercado mundial (exportou menos de 1,0 MT entre os anos de 2011-2020)”, ressalta ele.

“Os preços continuam subindo, tanto na Bolsa de Chicago, que reflete a situação de oferta e demanda mundial, como no Brasil. Os preços no Brasil tem um agravante porque acabou a disponibilidade de trigo nacional e, de agora em diante, até setembro, quando começa a colheita da safra nova, os preços internos deverão ser regulados pela paridade de importação. O que isto significa? Um novo salto do preço do trigo de R$ 2.000/t, que é o preço atual do produto nacional. para R$ 2.600/tonelada, ou mais 30%, que é o preço do produto importado posto moinhos e que deverão ser refletidos nos preços das farinhas e, através delas, aos seus subprodutos - massas, biscoitos e pães diretamente ao consumidor final, nas padarias, pizzarias, supermercados, etc”, conclui o analista da TF.


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