Crise prejudica e Agrishow deve cair quase 40%

Agronegócio

Crise prejudica e Agrishow deve cair quase 40%

A crise na agricultura deve fazer com que os negócios na Agrishow 2005 caiam 37 5% em relação ao ano passado
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A crise na agricultura - com preços de commodities em queda, dólar desvalorizado e quebra na safra - deve fazer com que os negócios na Agrishow 2005 caiam 37 5% em relação ao ano passado e fiquem em R$ 800 milhões. De acordo com o presidente do Sistema Agrishow, Sérgio Magalhães, o volume negociado em 2004, de R$ 1,28 bilhão, deve ser esquecido. "Se vendermos R$ 800 milhões neste ano será espetacular", disse Magalhães, nesta 2a. feira (25/04), no evento de apresentação da feira que será realizada entre 16 e 21 de maio, em Ribeirão Preto (SP), e deve ter 600 expositores.

O volume de vendas na Agrishow 2005, se atingido, será o mesmo registrado na edição de 2003. No entanto, os organizadores consideram que as perdas podem ser minimizadas, pois nas feiras do Sistema Agrishow já realizadas em Rondonópolis (MT) e em Rio Verde (GO) registraram vendas menores, o que abriria espaço para as transações em Ribeirão Preto. Eles também apostam no avanço da comercialização da safra e em algumas peculiaridades da Agrishow Ribeirão Preto.

"A feira de Ribeirão Preto é voltada cada vez mais para o pequeno e médio produtor que busca mais tecnologia. Em São Paulo, as culturas da cana, do café e de áreas de reflorestamento, por exemplo, estão em alta e isso nos anima", afirmou. Magalhães lembrou que a feira nasceu em 1994, durante uma das maiores crises do setor agrícola, como real valendo mais que o dólar e com poucos recursos para financiamentos. "A Agrishow foi feita para a crise e nasceu em uma, em 1994. Nós não estamos preocupados com os negócios neste ano e sim com a visitação, pois se a situação melhorar o agricultor já viu a tecnologia na feira e voltará a comprar", argumentou.

Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, neste ano os agricultores nem sequer irão reclamar da falta de recursos para os financiamentos do setor, já que, segundo a entidade, cerca de R$ 2 bilhões destinados ao Moderfrota na safra 2004/2005 ainda estão nos bancos. "Esperamos que o agricultor esteja preocupado, por exemplo, com o armazenamento da safra em sua propriedade e passe a investir nisso, já que as vendas de máquinas estão em queda de 20% a 25% em relação a 2004", disse Mello.

LULA

Se o faturamento da Agrishow Ribeirão Preto cairá em 2005, o número de visitantes deve crescer 10% ante o ano passado e chegar a 160 mil pessoas, de acordo com os organizadores. No entanto, o visitante mais ilustre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não estará presente na feira deste ano. Lula visitou a Agrishow em 2002, ainda como candidato, e esteve presente nas duas edições seguintes, já como presidente.

"Acho que ele tem um pouco de receio com a situação da agricultura", disse Magalhães. Mas o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, irá transferir o gabinete de Brasília (DF) para um estande na Agrishow, como fez nos dois anos anteriores, bem como o secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Antonio Duarte Nogueira Júnior, que sai da capital paulista e fica a semana em Ribeirão Preto.

Os organizadores esperam ainda comitivas de ministros da Agricultura de diversos países e de embaixadores estrangeiros no Brasil, bem como de políticos. Neste ano, a Agrishow Ribeirão Preto irá englobar uma feira do sistema voltada para as áreas de fruticultura e de flores, realizada anualmente em Jundiaí (SP). Outra novidade é a ampliação da área de biomassa e bioenergia em parceria com universidades e instituições de pesquisa.

MATO GROSSO

A Agrishow Cerrado 2005 terminou no final de semana em Rondonópolis (MT) com R$ 350 milhões em negócios, apenas 27% do R$ 1,3 bilhão movimentado no ano passado. Magalhães procurou minimizar a queda nos negócios e repetiu que a preocupação dos organizadores é de um aumento na visitação para que o agricultor possa conhecer a tecnologia. "Seguramente as vendas não foram boas, mas é apenas um ciclo de baixa da agricultura e esperamos que os recursos possam ser represados para as outras feiras", disse.

Na Agrishow Comigo, realizada Rio Verde (GO), as vendas já haviam caído pela metade ante 2004, de R$ 400 milhões para R$ 200 milhões.


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