Cristalina de Goiás pratica o ABC do desenvolvimento

Agronegócio

Cristalina de Goiás pratica o ABC do desenvolvimento

A colheita de alho em Cristalina é responsável pela geração de mais de quatro mil vagas de emprego no município
Por: -José Antônio
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Dono da maior área irrigada para lavoura na América Latina, o município goiano coloca suas riquezas a serviço do desenvolvimento sustentável de sua economia


Aproveitar a vocação natural de uma região mostra ser uma das boas práticas da administração pública no Brasil para movimentar a economia municipal. No leste goiano, a cidade de Cristalina, distante 280 km de Goiânia, coloca uma de suas riquezas a serviço do desenvolvimento de sua economia.O município é dono da maior jazida de cristal de rocha do planeta, responsável por produzir matéria-prima para aproximados 250 artesãos locais, que se dedicam à lapidação e fabricação de jóias e artesanato.

Cristalina é, também, destaque como grande produtor na agricultura brasileira, especialmente nas lavouras de alho, batata e cebola, divididas em quase 9 mil hectares de terra. Nestas três culturas, o município emprega cerca de oito mil trabalhadores com carteira assinada, numa população de 38.504 habitantes (IBGE/2009). Aliás, a produtividade agrícola de Cristalina é impulsionada pela irrigação. O município tem a maior área irrigada para a agricultura da América Latina: 42 mil hectares e 476 pivôs, que ainda ajudam a produzir café, feijão, milho, tomate, trigo, soja, cevada, abóbora, ervilha, algodão, beterraba e cenoura.

Segundo números da prefeitura de Cristalina, o município produz 2,3 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que eleva o município à 8ª posição no ranking nacional do Produto Interno Bruto Agrícola (PIB Agrícola). Para se ter uma ideia do poder da agricultura na economia de Cristalina, somente a produção de alho local representa 37% de todo o produto nacional. Dados da Associação Nacional de Produtores de Alho (Anapa) mostram que a plantação de alho no município ocupa aproximadamente 2 mil hectares de terra, com produtividade média de 15 toneladas por hectare.

Mãos brasileiras

Por ser feito manualmente, o plantio do alho é o que mais emprega mão-de-obra no município, com cerca de quatro mil postos de trabalho diretos na região. José Dalmir, 26 anos, é um dos beneficiados por isso. Oriundo de Sobral, no estado do Ceará, o lavrador trabalha há três meses na Fazenda Paineiras, distante cerca de 70 km da cidade (GO-020). Na propriedade, Dalmir corta cerca de 10 mil cabeças de alho por dia (25 caixas de 20 quilos cada), acompanhado de homens e mulheres de todo o Brasil. “Somos principalmente do Nordeste e Norte do País”, lembra.

Administrada por Nélson Roque Leichtweis, 42, a Fazenda Paineiras produz 1,2 tonelada de alho tipo roxo por safra e emprega 150 trabalhadores no cultivo do produto, além de repolho, pimentão e cereais. O próprio Nélson é dos profissionais que aproveitam as oportunidades de emprego geradas em Cristalina. Ex-morador do município de São Miguel do Iguaçu (PR), o gerente afirma que trabalhava como bancário no Paraná, mas, na busca por um salário melhor, aceitou o convite do dono da fazenda, Roberto Kenji Yuki, para comandar a produção agrícola na propriedade.

Nélson explica que deixou a terra-natal para trás em 1989, mas encontrou em Cristalina um “novo eldorado” para sua vida. Até mesmo uma nova família o gerente ganhou em Goiás. “Casei com uma goiana e estou satisfeito por aqui”, sorri. Na Fazenda Paineiras, o gerente comanda todo o processo agrícola, desde o plantio, colheita, beneficiamento, embalagem e transporte dos produtos. Segundo Nélson, o desenvolvimento da cultura do alho em Cristalina é estimulado pelos terrenos planos da região e sua riqueza em água. “A irrigação eleva a capacidade de produção local”, analisa.

Rafael Corsino, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), afirma que a qualidade do alho roxo produzido em Goiás abre o mercado brasileiro para o produto. Dados da Anapa apontam o estado como o maior produtor de alho do País, com cerca de 80 mil toneladas por safra. Corsino revela que o Brasil possui cerca de três mil produtores de alho nobre roxo e quase mil pequenos produtores de alhos comuns.
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