Cultivares de feijão IAC estão em dez estados brasileiros
CME MILHO (DEZ/20) US$ 4,090 (1,09%)
| Dólar (compra) R$ 5,58 (-0,36%)

Imagem: Divulgação

AGRICULTURA

Cultivares de feijão IAC estão em dez estados brasileiros

Os principais produtores nacionais - GO, MG e PR - destacam-se com relação à quantidade de sementes multiplicadas
Por:
708 acessos

Dez estados do Brasil solicitaram autorizações para multiplicar sementes de cultivares de feijão desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, totalizando 675 campos de produção de sementes. Os principais produtores nacionais - Goiás, Minas Gerais e Paraná - destacam-se com relação à quantidade de sementes multiplicadas. Esses dados são fruto de pesquisa realizada pela equipe do IAC para aferir a eficácia na transferência de tecnologias relacionadas ao grão de feijão. Este alimento se destaca pelo alto índice de proteína vegetal e é considerado fundamental para a alimentação humana.

O estudo considerou o período de 2010 a 2019. Nesse intervalo, foram autorizados os plantios de 1.670,8 toneladas de sementes dos três tipos de feijão - carioca, preto e rajado. A partir de três fases de multiplicação, esse volume de sementes genéticas pode alcançar cerca de 30 mil hectares de sementes que, após novas multiplicações, serão instaladas nas lavouras do País, o maior produtor e consumidor do Mercosul (Mercado Comum do Sul).

As empresas recebem do IAC as sementes genéticas, que carregam a garantia das características agronômicas obtidas na pesquisa, como resistência a pragas e doenças, produtividade e qualidades nutricionais. Após multiplicar, essas empresas transferem esses materiais aos agricultores.

A estimativa levou em conta a necessidade de 60 quilos de sementes para o plantio de um hectare, com produtividade média de 1.800 quilos, por hectare, em três fases de multiplicação para as três classes de sementes, chamadas genética, básica e C1.  Sobre os tipos de feijão, o carioca é o mais difundido ao longo do período analisado, representando 87,3% do total de sementes para plantio, 89,5% das áreas de campos de multiplicação e 84,1% dos contratos de licenciamento. As três principais cultivares transferidas para Goiás foram: IAC Imperador, IAC Milênio e IAC Formoso, todos do tipo carioca. Em Minas Gerais, destacaram-se IAC Milênio, IAC Imperador e IAC Netuno, este último é feijão preto. Estas três também foram as mais demandadas no Paraná.

O tipo carioca está em nove estados brasileiros, principalmente nas regiões Sul e Sudeste e em alguns do Nordeste e Centro-Oeste. O Mato Grosso é o único onde o tipo carioca não é o principal. Lá, assume a liderança o tipo rajado, que também está em Goiás, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, porém em participação pequena, onde o carioca predomina. “A cultivar IAC Nuance, do tipo rajado, voltada para mercado exportador teve aproximadamente 50% da semente autorizada semeada no estado de Goiás”, diz Alisson Fernando Chiorato, pesquisador do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). O tipo preto, nas cultivares IAC Netuno e IAC Veloz, alcança destaque nos estados do Paraná e Bahia, no período analisado.

Desenvolvido pelo IAC na década de 1960, o carioca permanece em processo de melhoramento até a atualidade e foi o tipo mais licenciado aos produtores de sementes ao longo do período de 2010 a 2019. “No total, foram 1.458,2 toneladas de sementes autorizadas para semeadura somadas as diversas cultivares IAC”, afirma a pesquisadora do IAC responsável pelo estudo, Luiza Maria Capanema Bezerra.

A maior concentração em transferência ao setor produtivo de cultivares do tipo comercial carioca reflete o padrão de consumo da população brasileira, que prefere esse grão. As cultivares do tipo carioca estão na 42ª geração, com pacote tecnológico que reúne alto potencial produtivo, resistência a pragas e doenças, tamanho de grão, tempo de cozimento, valor nutricional e aceitabilidade comercial. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) apontam que o carioca ocupa 40% dos campos brasileiros de feijão.

O estudo também destacou que os resultados alcançados se devem ao esforço conjunto de estratégias de pesquisa, desenvolvimento, transferência de tecnologias e inovação. Essas ações, ao longo da última década, viabilizaram maior alinhamento de cultivares de feijão IAC às demandas da cadeia de produção do feijão. “As informações sobre difusão de cultivares IAC do Programa de Melhoramento Genético do Feijoeiro permitiram identificar um ganho de confiança dos produtores de sementes de feijão brasileiros nas tecnologias IAC, com destaque para o tipo carioca que, no período avaliado, representou 32,3% da quantidade total de sementes autorizadas para semeadura”, avalia a pesquisadora do IAC responsável pelo estudo, Luiza Maria Capanema Bezerra.

A partir de 2016, o IAC adotou uma estratégia de diversificação de seu portfólio de tecnologias de feijoeiro com o objetivo de oferecer tipos comerciais diferentes do carioca, como preto e rajados. A proposta é disponibilizar grãos que tenham oportunidades também no mercado externo, a exemplo do IAC Nuance com grãos rajados tipo Cranberry, e a cultivar IAC Tigre, com grãos rajados tipo Pinto Beans, um tipo americanizado, consumido no México, Canadá e Europa. 

Dessa forma, os agricultores podem ter outras opções de mercado, diante das oscilações de preços do carioca, normalmente causadas pelos impactos das variações climáticas que impactam a produção.

Os pesquisadores alertam sobre a existência de materiais piratas no mercado, que prejudicam os programas de melhoramento mantidos pelas instituições de pesquisa e causam prejuízos aos produtores, atraídos por sementes de qualidade suspeita e vendidas por menores preços.

A programação científica no IAC está atenta às preferências de consumo e às tendências mercadológicas no Brasil e no exterior, considerando variabilidade de tipos, qualidade, nutrição e preço. Estão em fase de final de desenvolvimento no Instituto Agronômico cultivares de feijão do tipo Nave beans, com grão pequeno e branco, e o Small Red, com grão vermelho. Atender ao mercado externo traz desafios às instituições de pesquisa e à indústria alimentícia na cadeia de produção do feijão. “É preciso oferecer continuamente soluções tecnológicas capazes de fomentar a inovação”, diz Luiza.

O Brasil é responsável por 90% do feijão produzido no Mercosul, que teve produção média de 3,6 milhões de toneladas, nos últimos quatro anos, conforme dados da CONAB. Desse volume, a produção brasileira responde por 3,1 milhões de toneladas anuais. Esse montante coloca o Brasil como o maior produtor e consumidor. Já o estado de São Paulo é, praticamente, o único que abastece o país com produto novo nos meses de novembro e dezembro.

Anúncios que podem lhe interessar


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink