Cultivo de árvores nativas gera retorno ao investimento de até 28,4% ao ano
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Imagem: André Cherri
SILVICULTURA

Cultivo de árvores nativas gera retorno ao investimento de até 28,4% ao ano

Estudo analisou 40 projetos em quatro biomas brasileiros e comprovou benefícios
Por: -Eliza Maliszewski

Um retorno de investimento com mediana de 15,8%, podendo alcançar 28,4% ao ano: esta é uma das principais conclusões da análise de 40 projetos de plantio de árvores nativas brasileiras em quatro dos seis biomas brasileiros. O estudo constatou ainda que modelos produtivos com espécies nativas podem retirar de 6,7 a 12,5 toneladas de dio´xido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano. Eles também reduzem a erosa~o do solo, melhorando a qualidade da a´gua que chega aos rios e reservato´rios.

Liderado pelo Forc¸a-Tarefa Silvicultura de Espe´cies Nativas da Coaliza~o Brasil Clima, Florestas e Agricultura, com apoio e coordenac¸a~o do WRI Brasil, o estudo avaliou 40 casos implementados ou apoiados por 30 diferentes agentes econômicos - desde agricultores familiares a parcerias com finalidade experimental, bem como empresas rurais. Juntos, eles ocupam mais de 12 mil hectares em oito estados, com predomina^ncia nos dois principais biomas florestais do Brasil, Amazo^nia e Mata Atla^ntica.

A análise se concentrou em três diferentes modelos que possibilitam o cultivo de árvores nativas brasileiras: a silvicultura de espe´cies nativas, os sistemas agroflorestais (SAF) e o sistema integrac¸a~o lavoura-pecua´ria-floresta (ILPF). Ao todo, os 40 casos avaliados cultivam mais de 100 espe´cies florestais e agri´colas, entre nativas e exo´ticas.

A avaliação econômica desses projetos mostrou que as taxas internas de retorno (TIR) dos investimentos variam de 2,5% a 28,4% ao ano, com mediana de 15,8%. Com excec¸a~o de dois casos, todos os resultados mostram TIR superior a 9% - percentual competitivo na comparação com outras atividades agropecua´rias. A rentabilidade para o produtor é também um indicativo de que o Brasil tem uma grande oportunidade de gerar emprego e renda se aumentar e der escala a atividades de silvicultura de espe´cies nativas na produc¸a~o de madeira, o´leos vegetais, alimentos como castanhas, frutas e diversos outros produtos florestais.

"Há um enorme potencial para os produtos florestais brasileiros nas cadeias produtivas nacionais e globais. No caso do mercado de madeira tropical, por exemplo, menos de 10% da produc¸a~o mundial tem origem no Brasil", explica Miguel Calmon, líder da Forc¸a-Tarefa Silvicultura de Espe´cies Nativas da Coaliza~o Brasil.

"O Brasil tem mais de 90 milho~es de hectares de pastagem com algum ni´vel de degradac¸a~o. Desse total, mais de 40 milho~es encontram-se em estado severo. O que este estudo mostra é que essa imensa fronteira que exige restauração pode ser uma oportunidade rentável de investimento para o produtor", destaca Daniel Soares, analista de investimento do WRI Brasil e um dos autores do estudo.

Além da taxa de retorno do investimento, o produtor ainda se beneficia dos serviços ambientais oferecidos pelas espécies nativas, tais como melhora dos recursos hi´dricos e aumento da resilie^ncia e produtividade de outras atividades que podem ser consorciadas com as árvores. A remoc¸a~o de carbono da atmosfera, por sua vez, é um benefício para todo o planeta, mas também pode contribuir com o fluxo de caixa do produtor, já que oportunidades no mercado de carbono vêm ganhando impulso mundialmente.

A análise dos 40 casos de produção envolvendo árvores nativas brasileiras foi feita com a Ferramenta de Investimento Verena, do WRI Brasil, com base em um modelo financeiro de fluxo de caixa descontado. As informac¸o~es para compor os modelos financeiros foram fornecidas pelos executores e parceiros dos casos. As principais informac¸o~es para fazer a ana´lise econo^mica e financeira foram a produtividade esperada para cada espe´cie, os custos de implementac¸a~o e manutenc¸a~o e as despesas administrativas. O custo de oportunidade da terra foi baseado no valor da terra, em reais por hectare, referente ao uso e ao munici´pio mais pro´ximos ao caso.

A avaliação um a um dos casos mostrou que o investimento necessa´rio e o retorno variam entre os modelos. A silvicultura de nativas, em geral, requer maior exposic¸a~o de caixa e um peri´odo maior para que o investimento cumpra o retorno esperado. Os SAFs e sistemas ILPF, os quais incluem culturas agri´colas ou pecua´ria, permitem antecipar a entrada de caixa.

Para a ana´lise de carbono, utilizou-se o GHG Protocol Florestas e Sistemas Agroflorestais. A silvicultura de nativas mostrou potencial para retirar 12,5 toneladas de dio´xido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano (tCO2eq/ha/ano). Os sistemas agroflorestais, por sua vez, mostraram potencial de remover 6,7 tCO2eq/ha/ano. O estudo não quantificou a remoção de carbono dos sistemas ILPF.


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