Agronegócio

Cultivo de madeira exige monitoramento

Suscetíveis ao ataque da vespa-da-madeira
Por: -Ricardo Maia
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Vespa-da-madeira oferece ameaça constante à produção de pinus, mas ações integradas ajudam no combate ao inseto

Quando foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1989, os produtores de Pinus mal sabiam os estragos que a vespa-da-madeira iria causar. Proveniente da Ásia, a praga ataca especificamente as árvores de Pinus. Quando chegou ao País, sua disseminação foi rápida. No Paraná, o inseto trouxe muita destruição, já que é capaz de matar uma árvore. Hoje, a praga está sob controle, mas não eliminada e ainda requer atenção constante dos produtores. O momento, segundo especialistas, é de monitoramento, pois o período de revoada e reprodução dos insetos se intensifica a partir do mês de outubro.


Susete Chiarello, pesquisadora especialista em pragas da Embrapa Florestas, explica que, pelo seu alto potencial destrutivo, quando começaram as primeiras infestações no País, logo foi criado o Fundo Nacional de Controle à Vespa-da-Madeira. Hoje, com os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Florestas, o controle da praga chega a 70%, índice muito comemorado pela instituição.

Porém, para chegar a esse resultado, foram necessárias muitas pesquisas, as quais fomentaram o desenvolvimento de novos métodos de identificação, manejo florestal e controle da vespa. Susete lembra que o primeiro passo para o combate da praga é o monitoramento da área. A pesquisadora explica que as vespas se instalam especificamente em árvores estressadas. Por isso, onde o inseto se instala o produtor percebe a sua presença pelo "sangramento" de resina fora do tronco, formando pequenas gotículas quando entram em contato com o ar.

Outro sinal da presença da vespa é o amarelamento da copa da árvore, além do tronco apresentar orifícios circulares ao longo de toda a tora. Susete destaca que a madeira de uma árvore infestada tem pouco aproveitamento, principalmente para as indústrias de papel e celulose, já que o produto perde densidade, gerando grandes prejuízos aos produtores. "As madeiras descartadas são utilizadas para lenha ou jogadas fora", lamenta a pesquisadora da Embrapa.


No Paraná, a última grande infestação da vespa-da-madeira ocorreu entre 2002 e 2005. Neste período, de acordo com Carlos Mendes, diretor-executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), houve um desestímulo muito grande no Estado, e agora o setor voltou a se reconstruir. Ele lembra que a praga chegou ao Paraná por meio de toras embaladas que vieram do Rio Grande do Sul.

O ciclo
O ciclo total da vespa é de um ano. Tudo começa com a revoada dos insetos adultos no período de outubro a meados de janeiro, com picos populacionais entre novembro e dezembro. Segundo informações da Embrapa, é neste período que os insetos se acasalam e postam os ovos no tronco das árvores estressadas. Junto com os ovos, a vespa insere também um muco fitotóxico e esporos de um fungo simbionte que serve de alimento para as futuras larvas.

O muco altera o processo fisiológico da planta, comprometendo a defesa do Pinus, enquanto o fungo fecha os condutores de seiva da planta, levando-a à morte. Quando os ovos dão origem às larvas da praga, elas começam a se alimentar do fungo e da madeira, construindo galerias. Nesse processo, a qualidade da madeira já é comprometida. Entre os meses de setembro e outubro, as larvas dão origem às primeiras pupas, transformando-as em insetos adultos. Susete Chiarello salienta que cada fêmea pode postar de 300 a 500 ovos.


Para quebrar este ciclo, a pesquisadora da Embrapa explica que o controle mais usual é o uso das árvores de armadilha. A técnica consiste em estressar quimicamente três ou quatro árvores por área. Segundo ela, as árvores estressadas emitem um odor que atrai as vespas.

Produção
Atualmente, segundo dados da Apre, o Paraná possui 850 mil hectares de área plantada de Pinus, com uma produção de 40 milhões de metros cúbicos de madeira por ano. A região dos Campos Gerais, segundo a entidade, concentra 42% da produção paranaense, voltada para as indústrias de papel e celulose e serraria.
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