Custo do trigo sobe, apesar de queda nos preços
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Agronegócio

Custo do trigo sobe, apesar de queda nos preços

Os moinhos de trigo do Brasil vêem os custos subindo porque o dólar está fortalecido e por causa da forte alta nas taxas de financiamento das importações,
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Os moinhos de trigo do Brasil, que agora encontram preços bem mais baixos para a matéria-prima em relação aos recordes deste ano, vêem os custos subindo porque o dólar está fortalecido e por causa da forte alta nas taxas de financiamento das importações, afirmaram representantes das empresas nessa segunda-feira.

O câmbio para o setor que importa a maior parte de suas necessidades está hoje em torno de R$ 2,23, contra cerca de R$ 1,60 registrado no final de agosto, e as taxas da carta de crédito para importação passaram de 8% para 16% ao ano.

"O custo (com câmbio e taxas) subiu 55% em reais", disse nesta segunda-feira o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, citando a crise financeira.

"Entretanto, isso foi em parte neutralizado pela queda no trigo. Pagávamos em torno de R$ 320 a R$ 300, mas agora podemos pagar em torno R$ 220 (na base FOB), e o frete caiu também", afirmou.

Os futuros do trigo em Chicago atingiram o valor recorde de US$ 13,3 por bushel em fevereiro, mas caíram drasticamente, e nesta segunda-feira operavam cotados a US$ 5,2 o bushel, queda de 60%.

No entanto, lembrou Pih, a maioria dos moinhos não está conseguindo tirar proveito da queda de preços do grão, pois ainda processa estoques, adquiridos a valores maiores.

"Estamos tomando uma paulada dupla, moendo um trigo caro e pagando caro (o financiamento) nesse câmbio. Agora não precisamos comprar trigo", disse

O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Martins, concorda com a avaliação do empresário.

"Nesse momento, acho que existem alguns outros tipos de problemas que afetam o setor, como a falta de crédito. Isso afeta mais do que qualquer coisa", disse Martins. "As próprias tradings que davam crédito não estão dando", declarou.

Já Pih observou que os estoques das empresas são suficientes para suportar a moagem até o próximo mês.

E, na atual circunstância financeira, mesmo aqueles que ainda não precisaram enfrentar empréstimos com taxas mais altas, terão de lidar com o aperto de crédito decorrente da crise financeira.

"Alguns moinhos precisarão de financiamento logo. Estão abastecidos com trigo importado, vão terminar de desovar provavelmente até o final deste mês e no mês que vem", afirmou Pih, que admitiu uma queda na demanda da farinha de trigo, na medida em que o setor tenta repassar custos.

"Estamos vendo uma queda de demanda, não temos certeza se é por causa de outros produtos que concorrem com a farinha ou se está havendo uma estagnação de mercado, ainda não estamos conseguindo identificar a causa", declarou.

Uma opção para aliviar custos seria trabalhar com o trigo nacional, cuja safra será bem maior este ano, estimada pelo governo em 5,8 milhões de toneladas, contra 3,8 milhões na temporada passada.

Mas, de acordo com o empresário, apenas uma parte da produção brasileira - cerca de 3 milhões de toneladas - pode ser utilizada na moagem do produto para panificação. O restante é trigo "soft", cuja demanda no Brasil está em torno de 1 milhão de toneladas.


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