Custo maior e baixa da arroba travam uso de confinamento

Agronegócio

Custo maior e baixa da arroba travam uso de confinamento

Por: -Bruno Cirillo
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A perspectiva de que o confinamento bovino cresceria ainda mais neste ano - como tem ocorrido nos últimos seis anos- não vai se confirmar, se depender dos pecuaristas, que reclamam do preço dos grãos em contraste com a cotação da arroba. "É um momento de descompasso. Os custos são altos, enquanto as expectativas, em relação ao mercado futuro, não são razoáves", resume o produtor de Água Boa (MT), Maurício Tonhá.


O sistema de confinamento vinha sendo implementado com vigor pela pecuária mato-grossense: em 2005, o estado confinava 117,8 mil animais; no ano passado, confinou 763,9 mil- avanço de 548% -, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Tanto que se estimou, em 2011, que este ano haveria um crescimento de 15%, em todo o Brasil, do volume de bois confinados.

"Nos próximos anos, o Mato Grosso deve se consolidar como o maior confinador do País", afirma o superintendente da Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, realçando a importância do estado para a produção (em confinamento ou não) nacional. Afinal, os mato-grossenses são responsáveis pelos maiores volumes de grãos e carnes produzidos em território nacional.



"Boitéis"

Um movimento que vem acontecendo no estado é a utilização do confinamento por agricultores. Ou seja, proprietários rurais que já têm acesso ao grão - portanto, escapam dos altos custos do milho e da soja - passam a investir na tecnologia, seja para arrendá-la a pecuaristas (o chamado "boitel") ou para uso próprio, de acordo com o gestor Daniel Ferreira, do Imea.

Um indicativo dessa tendência é que a região médio-norte do estado, onde mais se produz soja, apresentou o maior crescimento (72%) do uso do confinamento no ano passado, quando 176 mil cabeças de boi foram produzidas de forma intensiva.

"Mesmo com toda a pressão no preço dos grãos, ainda vamos ver, este ano, um aumento do confinamento forçado", acredita Ferreira, explicando que produtores de bovinos, com falta de pasto, recorrem ao arrendamento de confinamentos para suportar a produção. Isso também ajuda a explicar a criação dos "boitéis".


O boi confinado gera custos diários de R$ 4,50 - contra R$ 10 mensais no pasto -, segundo cálculos do especialista.


Vegetativo

A longo prazo, com a entrada do ciclo de alta do preço do boi, o confinamento pode atrair os pecuaristas e servir de alavanca para a produtividade. "O confinamento tem que ser encarado como um negócio", observa Vacari. "E ninguém entra em um negócio para perder dinheiro". Segundo o representante da Acrimat, "a conta, neste ano, não fecha".

Vacari vê "riscos desnecessários" no cenário atual do confinamento. "Se a gente tiver o custo do grão mais barato e uma recuperação de preços na BM&F, então valerá a pena", diz.

Para Ferreira, o emprego da tecnologia deve ter crescimento vegetativo, no Mato Grosso, durante a maior parte deste ano. "Mas as perspectivas de preço são boas para o segundo semestre, o que certamente estimulará o confinamento", observa.

Todavia, em sua análise, o uso da técnica deve crescer "um pouco menos do que no ano passado, tendo um leve incremento". Os frigoríficos, entrando "forte" com confinamentos próprios no mercado, intimidam os criadores, segundo Ferreira. "O sentimento é de que manteremos o mesmo nível do ano passado, de 763 mil [bois confinados]", prevê o gestor do Imea.



Tecnologia

Contudo, a técnica é benquista. "É uma ferramenta interessante. O pecuarista tem que fazer uso dela, se possível", observa Vacari. Nos Estados Unidos, uma parcela superior a 90% da produção é feita com base no confinamento, enquanto no Brasil esse número não chega a 1% do volume total.

O superintendente da Acrimat é entusiasta do modelo. "Mas, hoje, [empregá-lo] pode ser um risco desnecessário para o pecuarista", reconhece.
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