Custo recorde em ano de produção baixa

Agronegócio

Custo recorde em ano de produção baixa

Além da baixa produtividade, cereal tem qualidade ruim. Rendimento tende a cair na medida em que áreas plantadas ‘fora da janela’ forem colhidas
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Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a segunda safra de milho 2015/16, em Mato Grosso, será marcada por uma produtividade bastante comprometida por causa dos impactos climáticos sobre as lavouras. Enquanto isso, na outra ponta, também se tem outras certezas, primeiro de que esta é a safra com recorde de custo de produção e segundo, que na medida em que a colheita avança, além de confirmar que o rendimento médio por hectare pode ser ainda menor, os trabalhos no campo revelam a baixa qualidade do grão. Problemas que podem afetar a renda do produtor, ou que já estão afetando a receita. Como destacou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as perdas de produtividade nas lavouras estão acima dos 50% em algumas propriedades do Estado. 

Como destaca o Imea, enquanto a produtividade caminha para trás, para um saldo de quatro ciclos passados, por exemplo, o custo de produção é recorde, de safra para outra passou de R$ 1,97 mil para R$ 2,55 mil. Fora isso, com a intensificação da colheita a partir de agora, quando os trabalhos chegarão às áreas semeadas de forma mais tardia e fora da janela ideal, a tendência é a de que a produtividade estadual reduza ainda mais, aumentando a diferença entre custo de produção e produtividade, ou seja, deixando o ponto de equilíbrio cada vez mais desfavorável ao produtor. 

Até o momento a estimativa do Órgão é de um rendimento médio no Estado de 83,4 sacas por hectare (sc/ha). “Se comparado, esse rendimento ao que se viu na safra 2010/11, cuja produtividade foi a menor das últimas cinco safras, observa-se uma evolução de 25%, mesmo assim significaria o segundo pior desde então. Paralelamente, o custo variável apresentou constantes altas, safra a safra, estando neste ano 72% superior ao que se viu há cinco anos. O cenário, portanto, é da produtividade voltando a patamares próximos há cinco anos, mas com custos de produção recordes. Isso reflete diretamente no bolso do produtor mato-grossense, pois o ponto de equilíbrio, ou seja, o preço médio pelo qual cada saca de milho precisa ser vendida para cobrir o custo variável está 37% superior ao da safra 2010/11, registrando, assim, o maior patamar já visto”, explicam os analistas do Imea. 

O PREÇO - Mesmo apresentando desvalorização pontual da saca nos últimos dias, a cotação do milho em Mato Grosso segue melhor do que há um ano quando estava em torno de R$ 13,94 contra R$ 28,90, valor que em relação à semana passada traz perdas de pouco mais de 12%. 

A baixa oferta de milho em Mato Grosso, MT, causada pela demanda aquecida da safra 2014/15 e os problemas climáticos da safra atual, elevaram os preços do cereal. Com o aumento da oferta ocasionado pelo avanço da colheita no Estado, o preço recuou nos últimos dias, e pode continuar nesse movimento no próximo mês, o que costuma acontecer neste período em que os trabalhos de campo são intensificados, como observam os analistas do Imea. Entretanto, eles também chamam à atenção para um outro cenário. “Com a expectativa de quebra que rodeia a safra 2015/16 no Estado, o preço interno do milho ainda pode voltar a subir, isso porque, quando as plantas mais prejudicadas, as que foram semeadas após a janela ideal, forem colhidas, a produtividade média deve convergir para o que se estima para o final da safra. Caso o mercado interno mantenha a demanda firme neste período, o preço do milho pode sofrer uma pressão de alta. Desta forma, a necessidade de compra do cereal deve ser o principal indicador da direção dos preços para julho deste ano”. 

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