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Custos desafiam avanço do algodão brasileiro no exterior

Alta de fertilizantes e gargalos logísticos pressionam competitividade


Foto: Divulgação

O algodão brasileiro vem ampliando a produção e a presença no mercado internacional, mas o avanço do setor depende da capacidade dos produtores de manter os custos sob controle. O encarecimento dos fertilizantes e outros componentes do chamado custo Brasil estão entre as principais preocupações para a continuidade da expansão das exportações.

Segundo Gustavo Piccoli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a competitividade é determinante para que a fibra produzida no país continue conquistando espaço no mercado mundial. Custos mais elevados podem comprometer a capacidade do Brasil de ofertar algodão a preços compatíveis com a demanda internacional.

Entre os pontos considerados essenciais pelo setor estão a redução de gargalos logísticos e a busca por soluções que evitem novos aumentos no custo de produção. Para Piccoli, manter preços competitivos é fundamental para preservar a participação brasileira nas exportações.

O crescimento registrado pelo algodão brasileiro é resultado, segundo o presidente da Abrapa, de um trabalho consistente de longo prazo voltado à promoção da fibra nacional no exterior. Entre as iniciativas citadas está o Cotton Brazil, programa da Abrapa desenvolvido em parceria com a Apex e a Anea.

A estratégia inclui visitas a mercados internacionais e a apresentação das características do produto brasileiro. Piccoli destaca atributos como qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade e certificação, além do atendimento aos padrões exigidos pelos compradores internacionais.

Os debates promovidos durante o Congresso Brasileiro do Algodão também têm como objetivo ampliar o conhecimento dos produtores, estimular a pesquisa e favorecer a troca de informações. A proposta é contribuir para que o setor encontre alternativas para aumentar a produção, reduzir custos e manter a qualidade da fibra.

De acordo com Piccoli, o desafio é produzir algodão em escala, com responsabilidade social e sustentabilidade, sem perder competitividade. Esse equilíbrio é considerado necessário para que o Brasil continue atendendo ao mercado internacional.

Para os próximos anos, o presidente da Abrapa projeta crescimento no volume produzido e nas exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, defende uma expansão do consumo de algodão dentro do próprio país.

Na avaliação de Piccoli, o fortalecimento da indústria têxtil nacional poderia ampliar o processamento da matéria-prima no Brasil. Ele defende políticas industriais capazes de incentivar o setor e criar condições para que uma parcela maior do algodão seja industrializada internamente antes de chegar ao mercado externo.

A continuidade do avanço do algodão brasileiro, segundo o presidente da Abrapa, dependerá da combinação entre competitividade, qualidade, escala e sustentabilidade, além da capacidade de controlar os custos de produção e manter espaço nos mercados internacionais.

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