A cultura da soja no Brasil enfrenta uma série de desafios devido à ocorrência de diversas doenças, que exigem um manejo adequado para reduzir os prejuízos e garantir a produtividade. Entre essas doenças, a ferrugem asiática é uma das mais impactantes, transformando a maneira como a soja é cultivada no país desde sua chegada na década de 2000.
Antes da chegada da ferrugem asiática, os agricultores gastavam em média US$ 5 por hectare para proteger suas plantações com defensivos químicos. Após a aparição dessa doença, esse custo aumentou significativamente, atingindo uma média de US$ 25 a US$ 30 por hectare devido ao impacto negativo na produtividade da cultura.
De acordo com o artigo Da ferrugem à anomalia da soja: a evolução das doenças na cultura e o manejo adequado para minimizar seus prejuízos de Ronaldo Yugo, diretor do portfólio de fungicidas Latam da Bayer e Lucas Cardoso Santos, gerente de marketing de fungicidas da Bayer, a ferrugem asiática tem o potencial de devastar até 80% de uma plantação de soja e tornou-se uma das principais causas da queda na produção do país. O impacto financeiro negativo causado por essa doença chegou a ultrapassar R$ 10 bilhões em um único ano.
Para combater a ferrugem asiática, foram implementadas várias estratégias, incluindo períodos de vazio sanitário e aplicações preventivas de defensivos. O Brasil é singular nesse aspecto, sendo o maior produtor de soja do mundo em clima tropical, o que torna a prevenção e o controle da ferrugem uma prioridade.
Entretanto, ao longo dos anos, surgiram novos desafios na cultura da soja, como a mancha alvo e o mofo branco. A mancha alvo tem causado perdas significativas nas plantações, especialmente no Cerrado brasileiro, exigindo o uso de produtos mais completos.
O mofo branco, por sua vez, é uma ameaça persistente, já que as estruturas desse fungo permanecem no solo por anos, aguardando condições adequadas para se desenvolver.
Recentemente, surgiu um novo problema: o apodrecimento de grãos e vagens durante o enchimento da soja, conhecido como anomalia de vagens da soja, que tem afetado a região médio norte de Mato Grosso. Estima-se que esse problema tenha causado prejuízos de cerca de R$ 1,5 bilhão ao setor produtivo nas últimas três safras.
Para lidar com essa nova ameaça, é crucial identificar corretamente a doença, que muitas vezes é imperceptível em sua fase inicial. Posteriormente, manchas de coloração castanha-amarelada se desenvolvem, levando ao apodrecimento da vagem e à queda precoce dos grãos. O manejo envolve a escolha de variedades menos suscetíveis e o uso de fungicidas para reduzir as perdas.
Para minimizar os danos causados por essas doenças, a Bayer destaca medidas importantes, como o uso do sistema de plantio direto com culturas que ajudam a cobrir o solo com palha, o respeito ao período de vazio sanitário, o plantio mais cedo para evitar as épocas mais favoráveis às doenças, o uso de produtos químicos preventivos, a escolha de variedades tolerantes e o uso de ferramentas digitais para monitoramento e controle eficaz.