Des­co­nhe­ci­men­to no cam­po

Agronegócio

Des­co­nhe­ci­men­to no cam­po

Mais de 90% dos pro­du­to­res de mi­lho do Pa­ra­ná ain­da des­co­nhe­cem a nor­ma das dis­tân­cias mí­ni­mas pa­ra o plan­tio de mi­lho
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Resolução Normativa, da CTNBio, determina as normas de plantio do milho OGM e convencional; regra ainda não é integralmente cumprida no Paraná por não haver separação dos grãos nas cooperativas nem diferença no preço

Mais de 90% dos pro­du­to­res de mi­lho do Pa­ra­ná ain­da des­co­nhe­cem a nor­ma das dis­tân­cias mí­ni­mas pa­ra o plan­tio de mi­lho, po­pu­lar­men­te co­nhe­ci­da co­mo coe­xis­tên­cia. A Re­so­lu­ção Nor­ma­ti­va 4/07, da Co­mis­são Téc­ni­ca Na­cio­nal de Bios­se­gu­ran­ça (­CTNBio), de­ter­mi­na as re­gras de plan­tio de mi­lho con­ven­cio­nal e trans­gê­ni­co, mas es­ti­ma­ti­vas da Se­cre­ta­ria de Es­ta­do da Agri­cul­tu­ra e do Abas­te­ci­men­to (­Seab) mos­tram que no cam­po o des­co­nhe­ci­men­to ain­da é gran­de. ­Além dis­so, ou­tro fa­tor que tem co­la­bo­ra­do pa­ra que es­sa re­so­lu­ção não se­ja in­te­gral­men­te cum­pri­da é o pró­prio mer­ca­do: a maio­ria das coo­pe­ra­ti­vas não têm se­pa­ra­do os ­grãos e o pre­ço pa­go pe­lo pro­du­to é o mes­mo.

O plan­tio do mi­lho Bt foi au­to­ri­za­do pa­ra o plan­tio de ve­rõa da sa­fra (2008/09), mas a ­maior uti­li­za­ção ocor­reu nes­ta sa­fri­nha de­vi­do à fal­ta de se­men­tes. O ar­ti­go 2º da Re­so­lu­ção Nor­ma­ti­va afir­ma que a dis­tân­cia en­tre uma la­vou­ra co­mer­cial de mi­lho ge­ne­ti­ca­men­te mo­di­fi­ca­do (OGM) e ou­tra de mi­lho con­ven­cio­nal, lo­ca­li­za­da em ­área vi­zi­nha, de­ve ser ­igual ou su­pe­rior a cem me­tros. A ou­tra al­ter­na­ti­va é dis­po­ni­bi­li­zar 20 me­tros, des­de que acres­ci­da de bor­da­du­ra com, no mí­ni­mo, 10 fi­lei­ras de plan­tas de mi­lho con­ven­cio­nal (ve­ja qua­dro). Tam­bém é pre­ci­so dei­xar uma ­área de re­fú­gio de 10% da cul­tu­ra tra­di­cio­nal no plan­tio trans­gê­ni­co pa­ra a ma­nu­ten­ção da tec­no­lo­gia trans­gê­ni­ca, ou se­ja, pa­ra evi­tar o de­sen­vol­vi­men­to de in­se­tos re­sis­ten­tes ao mi­lho Bt.

A fis­ca­li­za­ção de­ve ser fei­ta pe­lo Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra, Pe­cuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Ma­pa) que, du­ran­te es­ta sa­fri­nha, fis­ca­li­zou ape­nas 71 pro­du­to­res da Re­gião Oes­te do Pa­ra­ná, e uns pou­cos do Ma­to Gros­so e do Ma­ra­nhão. Os tra­ba­lhos co­me­ça­ram pe­lo Pa­ra­ná por­que é o lí­der na pro­du­ção na­cio­nal de mi­lho e con­cen­tra a maio­ria dos re­gis­tros de mi­lho ge­ne­ti­ca­men­te mo­di­fi­ca­do. Ao to­do fo­ram la­vra­dos 22 au­tos de in­fra­ção por des­cum­pri­men­to da nor­ma, que fo­ram trans­for­ma­dos em pro­ces­sos ad­mi­nis­tra­ti­vos. Os pro­du­to­res têm di­rei­to a apre­sen­tar de­fe­sa mas, se con­de­na­dos, o va­lor da mul­ta po­de che­gar a R$ 1,5 mi­lhão.

O Ma­pa não fez re­la­tó­rio da fis­ca­li­za­ção nos ou­tros ­dois Es­ta­dos e tam­bém não tem da­dos que quan­ti­fi­quem o plan­tio de trans­gê­ni­cos. No en­tan­to, no pró­xi­mo ano a me­ta é es­ten­der a fis­ca­li­za­ção pa­ra os 12 Es­ta­dos pro­du­to­res de mi­lho. ‘‘Não acre­di­to que há di­fi­cul­da­des na fis­ca­li­za­ção, que foi fei­ta por ­amostragem’’, afir­ma Mar­cus Vi­ní­cius Coe­lho, coor­de­na­dor de Fis­ca­li­za­ção de OGM do Ma­pa. O ór­gão tem ­mais de 3 mil fis­cais. Pa­ra­le­lo a es­se tra­ba­lho do mi­nis­té­rio, a ­Seab tem fei­to o mo­ni­to­ra­men­to das la­vou­ras trans­gê­ni­cas com aná­li­se de ris­co fi­tos­sa­ni­tá­rio tam­bém na Re­gião Oes­te. Des­de fe­ve­rei­ro, téc­ni­cos es­tão per­cor­ren­do as pro­prie­da­des on­de há la­vou­ras OGM ao la­do de con­ven­cio­nais.

Es­tá sen­do fei­ta uma pes­qui­sa a cam­po com o ob­je­ti­vo de quan­ti­fi­car e de­tec­tar a pos­sí­vel con­ta­mi­na­ção dos trans­gê­ni­cos so­bre o con­ven­cio­nal. ‘‘Te­mos mo­ni­to­ra­do a efi­ciên­cia da nor­ma (Re­so­lu­ção Nor­ma­ti­va da ­CTNBio) e den­tro de uma me­to­do­lo­gia úni­ca no ­País. Com os re­sul­ta­dos, in­clu­si­ve, pre­ten­de­mos ar­gu­men­tar com a ­CTNBio so­bre es­sas re­gras de ­plantio’’, sa­lien­ta Mar­ce­lo Sil­va, en­ge­nhei­ro do De­par­ta­men­to de Fis­ca­li­za­ção Sa­ni­tá­ria (De­fis), da ­Seab. Fo­ram co­le­ta­das es­pi­gas, que se­rão sub­me­ti­das ao tes­te PCR (rea­ção po­li­me­rá­si­ca em ca­deia, que ana­li­sa o DNA da plan­ta), pa­ra ava­lia­ção de trans­gê­nia. Os re­sul­ta­dos da pes­qui­sa po­dem ser apre­sen­ta­dos no pró­xi­mo mês.

Ele sa­lien­ta que no cam­po ‘‘há uma de­sin­for­ma­ção ­geral’’ alia­da ao fa­to de que as coo­pe­ra­ti­vas não têm fei­to a se­gre­ga­ção dos ­grãos. ‘‘Des­ta for­ma, a nor­ma per­de a ­importância’’, ob­ser­va. A Or­ga­ni­za­ção das Coo­pe­ra­ti­vas do Pa­ra­ná (Oce­par) foi pro­cu­ra­da pa­ra co­men­tar o as­sun­to, mas a as­ses­so­ria de im­pren­sa in­for­mou que a en­ti­da­de não tem ne­nhum le­van­ta­men­to que apon­ta a se­gre­ga­ção ou não dos ­grãos de mi­lho. No en­tan­to, a re­co­men­da­ção é pa­ra que to­dos si­gam a nor­ma da ­CTNBio.


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