Desmate na Amazônia permanece em alta

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Desmate na Amazônia permanece em alta

Foram devastados em fevereiro 724 quilômetros quadrados de floresta, 12% a mais que área desmatada em janeiro
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O desmatamento na Amazônia continua em alta, mesmo em mês de chuva. Dados do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que detecta a devastação em tempo real, mostram que no mês de fevereiro foram derrubados 724 quilômetros quadrados de floresta na região, um número 12% maior que os 639 quilômetros quadrados derrubados em janeiro.


O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, disse que os dados confirmam "a continuidade de um processo consistente de degradação", mas que não é possível falar em aumento de um mês para o outro, porque a área observada não foi a mesma.

"Mato Grosso foi observado em fevereiro, Pará e Rondônia não foram", devido à intensa cobertura de nuvens, disse Câmara. As nuvens impedem que o satélite "enxergue" o solo.
De qualquer forma, os dados preocupam o governo porque, tradicionalmente, fevereiro é um mês no qual não se desmata justamente porque é "inverno" (ou seja, estação chuvosa) na Amazônia. O Deter nem sequer tem os dados de fevereiro de 2007 (com os quais seria possível fazer uma comparação ano a ano), porque o Inpe acreditava nessa baixa atividade.

O desmatamento observado pelo Deter em fevereiro é mais alto do que o visto em janeiro, agosto (243 quilômetros quadrados), setembro (611) e outubro (457), mas menor que novembro (974) e dezembro (943), quando a devastação explodiu e fez o governo deflagrar uma série de ações de controle.


Os Estados onde foi observada a maior devastação foram Mato Grosso (639 quilômetros quadrados) e Roraima (51 quilômetros quadrados). Isso não quer dizer, no entanto, que Pará e Rondônia, que compõem com Mato Grosso a tríade da devastação, tenham derrubado menos: só não foram vistos.

O governo de Mato Grosso contesta as informações do Deter. Para a Sema (órgão ambiental estadual), áreas classificadas como pontos de desmate pelo Deter são na verdade locais onde a floresta foi degradada há oito anos ou mais.

O Inpe diz que a polêmica se deve a uma divergência de metodologia. Para o Deter, áreas nas quais o sinal espectral (a luz que o satélite capta) de solo é maior que o de vegetação são florestas degradadas que não funcionam mais como uma floresta -e, portanto, entram na conta da devastação.


O Inpe vai agora cruzar os dados do desmatamento com os de queimadas e flagrar, assim, a degradação progressiva em Mato Grosso.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu o aumento do desmatamento nos dois primeiros meses deste ano. Ela disse que as medidas anunciadas pelo governo, que ainda estão sendo implementadas para tentar barrar o desmatamento, não têm a mesma "velocidade que a dinâmica" da devastação ambiental.
"Elas [as medidas] com certeza irão surtir efeito, mas não em apenas um ou dois meses. Queremos que todas venham a acontecer e que, se possível, tenhamos em 2008 uma redução do desmatamento", declarou.

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