Desperdícios nas lavouras serão mapeados em MT
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Agronegócio

Desperdícios nas lavouras serão mapeados em MT

Projeto vai identificar principais gargalos no pré e pós colheita
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Projeto pioneiro começou a ser executado pela Aprosoja e vai identificar principais gargalos no pré e pós colheita
 
A colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso marcou o início de um projeto na unidade federada com o objetivo de mapear o tamanho das perdas ocorridas desde o pré até o pós colheita. O setor produtivo quer saber o volume de grãos que deixa de chegar ao destino final em função do desperdício registrado entre o campo, o trajeto com transporte e armazenagem. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Fávaro, fala em ganhos financeiros e maior competitividade com a mensuração dos números.

"Precisamos valorizar tudo o que colhemos. Há perdas na colheita, no transporte, armazenagem e tudo isso pode ser combatido para dar maior eficiência ao produtor rural", citou, em entrevista ao Agrodebate. O projeto considerado pioneiro em Mato Grosso é realizado pela entidade que congrega os produtores de soja e milho por meio de uma parceria com as Universidades Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Estado de Mato Grosso (Unemat), além da Universidade de Illinois. Ao todo, sete propriedades rurais de Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá, vão receber pesquisadores das instituições de ensino do estado para a coleta de dados.

"Precisamos descobrir onde estão os gargalos", acentua ainda Carlos Fávaro, da Aprosoja. Conforme explica o dirigente, o projeto começa ser executado durante a colheita da safra de milho, mas também vai chegar à soja. Somente nesta temporada o estado deve colher uma supersafra do cereal, revisada para mais de 14 milhões de toneladas, conforme o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea).

Em Sinop, onde em 650 hectares de terra cultiva soja e milho, o agricultor Leonildo Barés intensificou a colheita do milho nas últimas semanas. O trabalho foi acompanhado pelos pesquisadores. "Quando juntarmos os dados vamos descobrir os verdadeiros motivos e os valores das perdas", comentou.

O produtor reconhece que o uso de máquinas antigas pode contribuir com as perdas ainda na etapa da colheita. "Maquinários precisam ser eficientes. Geralmente utilizamos equipamentos com 15 anos de uso, quando o ideal de vida útil é de dez anos", cita o agricultor.

Doutora na área de máquinas e mecanização agrícola a pesquisadora Zulema Figueiredo, da Unemat, lembra não ser possível zerar os desperdícios no momento da colheita. Mas podem ser minimizados de acordo com a adoção de medidas.

"Há fatores ligados às perdas que são relativos às máquinas [plataformas, trilhos de máquinas]. As perdas nunca serão zero, mas podem ser minimizadas", citou, ao Agrodebate.

O misto de estradas ruins e a falta de infraestrutura também impacta nos registros de perdas, lembra o pesquisador doutor pela área de armazenagem e pós colheita Carlos Caneppeli, da UFMT.

O projeto também vai mensurar o volume de grãos que se perde nesta etapa de escoamento da produção. "O objetivo é levantar os pontos críticos dessas perdas que ocorrem ao longo do transporte dos grãos e do escoamento", descreve o pesquisador.

Gargalos nas estradas

Problemas na infraestrutura das estradas já se tornaram velhos conhecidos do setor produtivo matogrossense. Um estudo elaborado pelo Movimento Pró-Logística identificou a necessidade de investimentos na ordem de R$ 266 milhões para manutenção e conservação de 120 trechos de rodovias estaduais. As entidades elegeram as rotas consideradas prioritárias para o transporte de grão e somente 21 trechos demandariam outros R$ 82 milhões de investimentos.

"Quanto pior a situação, maiores são os gastos, maiores as manutenções necessárias e riscos de acidentes", destaca Edeon Vaz Ferreira, coordenador-executivo do Pró Logística.

Os recursos para obras nas rodovias originam-se do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab), cobrado no transporte de toda produção agrícola e pecuária e objetiva financiar o planejamento, execução e acompanhamento dos serviços nos setores de transporte e habitação do estado. Com a realização das obras para o Mundial de Futebol em Cuiabá, parte dos recursos ganhou novo direcionamento.

"Esse ano passado e esse ano tivemos um pouco de dificuldades em virtude do acordo feito de parte desses recursos serem destinados a construção das obras da Copa do Mundo", reconhece o secretário de Transportes de Mato Grosso, Arnaldo Alves.

Segundo o secretário, em torno de R$ 1 bilhão do Fethab vão atender as demandas para a Copa do Mundo. Enquanto isso, explica Arnaldo Alves, o governo do Estado deve colocar R$ 2,2 bilhões para suprir as obras nas rodovias do estado.

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