Despesas com frete devem subir 30% em Goiás
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Agronegócio

Despesas com frete devem subir 30% em Goiás

Alta é reflexo da lei que regula a jornada de trabalho dos motoristas
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Alta nas despesas é reflexo da lei que regula a jornada de trabalho dos motoristas profissionais, aponta a Faeg
 
Em vigor desde domingo (29-07) a Lei 12.619 - que regula a jornada de trabalho dos motoristas profissionais - ainda é alvo de polêmica. Em Goiás, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) diz que fiscalizará o cumprimento da medida. Entidades ligadas ao transporte e ao setor agropecuário afirmam ser a lei uma forma de garantir a segurança do trabalhador. Por outro lado, questionam os reflexos que irá gerar no segmento de cargas. O setor produtivo, por exemplo, acredita que a lei encarecerá em pelo menos 30% o frete. O estado é o segundo maior produtor do Centro-Oeste e somente nesta safra deve produzir acima de 18,1 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 12,7% frente a 2010/11, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

"Hoje nossa referência de preço é a cidade de Rio Verde, que fica a 1 mil km de Santos (SP). Acreditamos que o frete possa aumentar em média 30% dos atuais R$ 120 por tonelada", afirma o analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Pedro Arantes.

De acordo com a nova regra, os caminhoneiros terão que interromper a jornada de trabalho durante 30 minutos a cada 4 horas rodadas. Prevê ainda repouso diário de 11 horas a cada 24 horas atuadas e descanso semanal de 25 horas.

"Após os 45 dias de adequação, fizemos uma campanha da jornada legal, para conscientizar os caminhoneiros. Mas a fiscalização, agora, está sendo a de rotina", informou, ao Agrodebate, o inspetor PRF Afrânio Andrade.

O assessor jurídico do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Goiás, Davi Pereira de Souza, considera a lei importante para a categoria trabalhista. No entanto, questiona sua real aplicação.

"Os caminhoneiros estavam acostumados a trabalhar mais de 8 horas. A lei, a princípio, é boa pois tem o objetivo de coibir os índices de acidentes, mas a aplicabilidade é complicada", afirmou.

Lacunas

Para o analista da Faeg, Pedro Arantes, a legislação ainda tem lacunas. "É um dilema, pois sabemos dos problemas da sobrecarga dos caminhoneiros. Precisa ser feita alguma coisa em função dos desastres nas estradas. Onde esse motorista vai parar quando que der o intervalo?", questiona.

Com o custo do frete mais elevado, produtores do estado já vizualizam uma nova forma de escoar a produção de grãos até os portos. "A grande expectativa é a ferrovia [Ferrovia de Integração do Centro-Oeste]. A pretensão é que 50% dessa carga sejam transportados dessa forma, futuramente", frisa Pedro Arantes.

A Valec - estatal do Governo Federal - já lançou o edital para contratar a empresa responsável pela elaboração do projeto executivo das obras da primeira etapa da ferrovia ligando os estados de Goiás a Mato Grosso. Os 890 quilômetros entre Campinorte (GO) a Lucas do Rio Verde (MT) foram divididos em sete lotes. Conforme a própria empresa, a previsão é que o mapeamento completo dure até um ano e as obras tenham início em 2014.

O governo estima gastar R$ 4 bilhões com a obra, prevista para ser realizada em 24 meses.

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