Dívida agrícola de Mato Grosso pode chegar a R$ 16 bi

Agronegócio

Dívida agrícola de Mato Grosso pode chegar a R$ 16 bi

Quantidade de sacas de soja, necessárias para pagar uma parcela da dívida aumentaria de oito, na safra 2009/10, para onze na safra de 2012/13
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A dívida do agronegócio mato-grossense pode chegar a R$ 16 bilhões nos próximos cinco anos se o cenário continuar pontuando com a falta de renda e o custo elevado de produção nas safras seguintes. Em uma estimativa média das dívidas dos produtores de Mato Grosso, feita pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a quantidade de sacas de soja, por exemplo, necessárias para pagar uma parcela de R$ 1,4 bilhão, da dívida acumulada em R$ 11 bilhões desde 1995, aumentaria de oito, na safra 2009/2010, para onze na safra de 2012/2013. Essas parcelas, que devem se estender ao longo de oito anos, esbarram no acúmulo dos juros e na baixa rentabilidade do setor, impedindo que o produtor consiga pagar o valor integral. O que na prática significa, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso, Glauber Silveira, que atualmente essa dívida está impagável. Para ele, empecilhos como a ausência de logística contribuem para a falta de renda e, consequentemente, o não pagamento dos valores.

Foram situações enfrentadas por um produtor que preferiu não se identificar. Com uma dívida de R$ 4 milhões contratada em 2005 pela compra de máquinas e gastos com a correção de solo, o produtor calcula hoje que deve R$ 7,5 milhões aos bancos.

Essa dívida teve início quando o produtor há mais ou menos 14 anos precisou contratar linhas de financiamentos para o custeio da safra agrícola e novos investimentos. A situação se agravou com a crise no agronegócio em 2005. Naquele ano, o excesso de chuva na colheita da soja, o preço da soja no mercado internacional em franca queda e outros fatores adversos contribuíram para que a renda do campo chegasse ao limite do prejuízo e a contribuição do agronegócio para a economia diminuísse percentualmente, se comparada com anos anteriores.

Por isso, o desafio para os próximos 14 anos é de imediato criar o seguro rural, que garanta renda para o produtor em uma situação de emergência. É o que acredita especialistas. Além disso, o analista da Agroconsult André Pessoa defende que o governo deveria subsidiar, por exemplo, o custo do frete. “Seria determinante que o valor fosse para o pagamento da dívida. Já aqueles produtores que não possuem débitos poderiam usar o valor integral para investimentos e custeio de safras”, justifica. Mas o setor ainda pede a correção desses juros acrescidos nas parcelas. “Quando contratamos os financiamentos, as taxas chegavam a 14%. Hoje, essa mesma operação possui juros de 4,5%”, desabafa o representante da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Ricardo Tomczyk. Para ele, os produtores do Estado podem entrar em falência se não houver medidas severas e emergenciais para resolver o impasse. “A atividade pode continuar, mas os produtores não serão os mesmos”, conclui.

Produtor está tirando mais do bolso para custeio

O investimento de capital próprio dos produtores rurais de Mato Grosso para o custeio da safra 2009/2010 cresceu cinco pontos percentuais, de 40% para 45%, enquanto que a participação dos recursos das tradings reduziram de 25% na safra passada para 24% na próxima safra.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, neste ano as tradings vão pagar R$ 1,5 bilhão, ante o R$ 1,7 bilhão do ano passado. Já o agricultor terá que desembolsar cerca de R$ 3 bilhões para custear o plantio estimado em custos que chegam a R$ 6,5 bilhões.

Na safra anterior o agricultor bancou com um pouco mais de R$ 2 bilhões, quando o custeio estimado era de R$ 6 bilhões. “O custo por hectare está na média de R$ 700, o que significa ser um custo elevado”, justifica ele.

A rentabilidade também é baixa, conforme Silveira. “Na safra 07/08 a rentabilidade era de R$ 126 por hectare, na safra 08/09 chegou a R$ 44. No entanto, não sabemos como será na safra seguinte”, afirma.

Conforme a Aprosoja, as demais participações nos gasto com a safra 09/10 se dividem em sementes (3%), fertilizantes (3%), bancos (10%) e defensivos agrícolas (15%). Na safra 08/09, 2% eram de gastos com sementes, 6% com fertilizantes, 11% com bancos e 16% com defensivos.


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