Dívida dos mais ricos dispara 93% em crédito caro
Na baixa renda, a queda também admite interpretações distintas
Na baixa renda, a queda também admite interpretações distintas - Foto: Pixabay
As dívidas nas linhas de crédito mais caras do país cresceram entre famílias de maior renda, mas recuaram entre as de menor rendimento. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, com base em levantamento da Folha em dados do Banco Central, o saldo devido no rotativo do cartão e no cheque especial por quem ganha mais de dez salários mínimos subiu 93% em termos reais de julho de 2023 a julho de 2026.
Na faixa acima de vinte salários, a participação no estoque dessas dívidas passou de 5,3% para 10,5%. Entre os mais pobres, o saldo diminuiu. O custo é elevado. Em agosto, os juros mensais eram de 15,18% no rotativo e 7,43% no cheque especial. Segundo a CNC, 71,9% das famílias com renda superior a dez salários mínimos estavam endividadas em setembro.
O avanço pode resultar da combinação entre orçamento pressionado pelos juros e aumento dos limites concedidos a clientes de renda mais alta, considerados menos arriscados pelos bancos. Os dados não permitem determinar o peso de cada fator.
Na baixa renda, a queda também admite interpretações distintas: pode refletir renegociações e redução do endividamento, mas também cortes de limites e dificuldade de acesso ao crédito. Um saldo menor, portanto, não significa necessariamente melhora das finanças.
Essa mudança pode afetar o consumo, já que famílias de maior renda concentram parte dos gastos não essenciais. Com mais recursos comprometidos por dívidas caras, sobra menos espaço para despesas futuras. No segundo trimestre, o consumo das famílias caiu 0,4% ante o trimestre anterior, enquanto o PMI de serviços atingiu 49,2 pontos em setembro, abaixo da linha de expansão.