Drones aplicam fungos para controle de carrapatos
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Imagem: Divulgação

ESTUDO

Drones aplicam fungos para controle de carrapatos

Estratégia é fazer o controle biológico dessa praga em grandes áreas
Por: -Eliza Maliszewski
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Os carrapatos são considerados um dos principais problemas da pecuária brasileira e também para os seres humanos. O carrapato-do-boi é um parasita de grande alcance na América do Sul e causa perda de apetite, bicheiras, perda de peso e consequente produção de carne e leite nos bovinos. No Brasil, os prejuízos atribuídos ao carrapato situam-se próximo a US$ 8 bovino/ano, podendo dessa forma ultrapassar US$ 1 bilhão anuais. 

Já o carrapato-estrela é causador da febre maculosa. Infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, o quadro inicial é caracterizado por febre alta, dor de cabeça, no corpo e perto dos olhos, enjoo, vômito, diarreia e falta de apetite.Somente no estado de São Paulo, entre 207 e 2019, foram 823 pessoas infectadas.

Como forma de combater esses dois parasitas o Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, estudo o uso do controle biológico aplicado por drones. Trata-se da cepa de um fungo selecionado pelo IB e que se mostrou eficiente para o controle desses carrapatos em grandes áreas, como gramados, parques públicos e fazendas, por exemplo.

Segundo a pesquisadora Marcia Mendes, a estratégia dos especialistas é usar o fungo Metarhizium anisopliae (IBCB 425) amplamente utilizada para controle da cigarrinha-da-raiz na cana-de-açúcar, para controlar larvas, ninfas e adultos de carrapatos-estrela e do boi no ambiente em que ficam as capivaras e os bovinos, respectivamente. "Estamos padronizando a aplicação em áreas de parques e fazendas utilizando drones o que facilitaria muito o trabalho dos gestores públicos, no caso da febre maculosa, e dos produtores rurais, no caso do carrapato-do-boi", explica.

Os testes de padronização do uso de drones já estão sendo realizados no Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, em Jundiaí, com o pesquisador Hamilton Humberto Ramos e a colaboração dos pesquisadores Susi Leite e Hannes Fischer da FATEC Pompeia - Shunji Nishimura. Outros testes já foram realizados em Salto e Pirassununga e em bovinos especificamente em Pindamonhangaba.

Os estudos mostram que na fase de chuvas, o fungo selecionado é ainda mais eficiente. Na época da seca, ele foi um pouco menos eficaz, mas ainda bastante promissor.  No caso dos bois, o experimento com aplicação da cepa no pasto está na fase final e tem mostrado eficiência no controle do carrapato dos bovinos. "Os carrapatos parasitam nos bovinos e depois de 21 dias vão para o solo, onde colocam cerca de três mil ovos, que em 15 dias virarão larvas. Desta forma, é importante a estratégia de controle desses carrapatos no pasto, para quebrar o ciclo e reduzir a infestação. O uso do controle biológico, porém, não impedem a utilização de remédios nos animais. Há uma complementação de esforços", diz Marcia. 

O uso do inimigo natural para o controle dos carrapatos traz grandes benefícios como a redução ou até mesmo eliminação do uso de produtos químicos, diminuindo o risco para animais, trabalhadores e meio ambiente. 


 

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