Educação rural é precária e preocupa
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Agronegócio

Educação rural é precária e preocupa

Grande parte das escolas rurais não possui infraestrutura adequada e não oferece remuneração justa
Por: -Marianna
Uma pesquisa do Ibope revelou que grande parte das escolas rurais brasileiras não possui infraestrutura adequada e não oferece remuneração justa aos professores

Uma pesquisa encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA ao Ibope revelou dados alarmantes sobre a educação rural brasileira. Cerca de 70% das escolas rurais não têm biblioteca, 92% delas não possuem internet e somente 32% têm banheiros adequados.

Em 76% das escolas, o mimeógrafo está presente e é um importante instrumento de apoio ao ensino. Além disso, 66% das escolas não têm computador; 74% não dispõem de máquina fotocopiadora, 56% não possui televisão, videocassete ou aparelho de DVD.

O cenário de descuido vai além das condições físicas. O emprego nas escolas do campo garante, para 66% dos professores, no máximo, dois salários mínimos mensais. Em 50% das escolas não há diretor presente e em 48% dos casos, não há coordenador, supervisor ou orientador pedagógico.

Prova Brasil

Durante a pesquisa, foi aplicada a Prova Brasil em 50 Escolas dos estados de Minas Gerais, Paraná, Distrito Federal, Tocantins, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco.

As notas das escolas rurais ficaram 10 pontos abaixo da média nacional em Língua Portuguesa e 34 pontos em Matemática. O que significa que alunos de escolas rurais do país apresentam desempenho em matemática 18% inferior à média nacional. Já o de português é 6% abaixo da média brasileira.

“Temos um cenário de pobreza e esquecimento que consolida uma forte inércia, sem perspectiva de futuro ou de desenvolvimento para quem estuda no campo. Realidade que não está longe de nós. Não é difícil encontrar no Espírito Santo cenários como os indicados pela pesquisa, que é nacional”, comenta o presidente da Faes, Júlio Rocha.

Situação capixaba

O Espírito Santo não entrou na pesquisa realizada pelo Ibope, mas a situação capixaba assemelha-se muito à realidade nacional. Escolas com infraestrutura inadequada, professores com baixa remuneração e alunos com rendimento inferior ao esperado são ocorrências constantes no Estado.

Em Mimoso do Sul, por exemplo, a questão do transporte é o que mais preocupa o presidente do sindicato rural, Luiz Carlos da Silva. Os estudantes são transportados do campo para a cidade todos os dias em veículos precários. Há também poucos investimentos em qualificação dos profissionais do ensino. “Essa situação implica em despesas para as famílias. O professor é quem deveria sair da cidade e vir para a roça ensinar”.

No município de Pinheiros a situação é bastante parecida. Há cerca de 10 anos, 20 escolas rurais foram desativadas e, desde então, todos os estudantes precisam se deslocar para a cidade diariamente.

“A infraestrutura de nossas escolas não é ruim. Temos uma escola no interior e outras boas na sede de Pinheiros. Mas ainda assim o interior perde muito. Quem estuda na cidade não volta para trabalhar no campo”, conta o presidente do Sindicato Rural de Pinheiros, Wilson Tótola.

A situação se agrava pela “tradição” da baixa escolaridade no campo. Quase 70% dos pais brasileiros não completaram a 8ª série. Somado a isso, a falta de uma educação de qualidade reduz as esperanças e perspectivas de mobilidade social no setor rural.

Investimentos

Frente à realidade preocupante das escolas rurais brasileiras, a CNA e o Senar estão lançando dois projetos, o Escola Viva e o Senar Rondon, que primeiramente vão atingir os estados da pesquisa e posteriormente serão disseminados para todo o Brasil.

O programa Escola Viva conterá uma ampla proposta de ações com o objetivo de sanar as deficiências do ensino rural, incluir os estudantes do meio rural nas discussões do mundo contemporâneo e estimular o crescimento pessoal e a mobilidade social.

Acompanhamento do rendimento escolar por professores, realização de cursos livres e profissionalizantes, formação continuada de professores e transformação da unidade escolar são propostas do programa Escola Viva.

Já o projeto Senar Rondon, prevê a realização de trabalhos em escolas públicas rurais com o objetivo de melhorar as condições de desempenho dos alunos, promovendo o acesso ao conhecimento e a interação, com envolvimento dos pais e da comunidade.

Dados do abandono
- 58% das escolas convivem com esgoto inexistente ou inadequado
- 92% das escolas não têm internet
- 82% das escolas não têm telefone
- 74% das escolas não têm máquina fotocopiadora
- 70% das escolas não têm biblioteca
- 66% das escolas não têm computador
- 49% dos alunos já reprovaram de ano
- 30% das crianças trabalham, a maioria ajudando os pais na roça

As informações são de assessoria de imprensa.

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