El Niño pode colocar a safra de soja em risco?
Os impactos também podem aparecer na fase reprodutiva
Os impactos também podem aparecer na fase reprodutiva - Foto: Pixabay
O início do plantio da soja na safra 2026/27 exige atenção às condições do solo e à distribuição das chuvas, diante do risco de oscilações climáticas. Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond, a possibilidade de intensificação do El Niño reforça a necessidade de planejamento nas principais regiões produtoras.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 181,64 milhões de toneladas de soja em 49,3 milhões de hectares. Apesar da intensificação das chuvas, a irregularidade das precipitações pode comprometer a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial das plantas.
Os impactos também podem aparecer na fase reprodutiva. Pesquisa da Embrapa realizada na safra 2024/25 identificou redução de 4% na produtividade após 18 dias sem irrigação entre os estádios R1 e R3, além de alterações no crescimento e na nodulação das plantas.
Entre as estratégias para reduzir os riscos estão a escolha adequada da janela de semeadura, a nutrição equilibrada e o acompanhamento das previsões meteorológicas. Biofertilizantes à base da alga Ascophyllum nodosum também aparecem como ferramentas complementares, podendo favorecer o desenvolvimento das raízes e a resposta das plantas ao estresse climático.
Conforme Carloto, esses produtos não substituem o manejo adequado. O planejamento antes da semeadura e o monitoramento das condições climáticas são fundamentais para preservar o potencial produtivo da soja. “É importante destacar que os biofertilizantes não substituem o manejo adequado da lavoura, mas atuam de forma complementar em uma estratégia integrada. Para a safra 2026/27, a preparação deve começar já, antes da semeadura. Quanto mais estruturado estiver o sistema produtivo para enfrentar oscilações do fluxo de chuvas e temperatura melhores são as condições para preservar o desenvolvimento da soja e seu potencial produtivo”, completa Bruno Carloto.