Em 2011, IBGE prevê safra de grãos 2,5% menor que a de 2010

Agronegócio

Em 2011, IBGE prevê safra de grãos 2,5% menor que a de 2010

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas é estimada em 145,1 milhões de ton
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O IBGE realizou, em novembro, o segundo prognóstico para a safra de 2011, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e nos estados de Rondônia, Maranhão, Piauí e Bahia. Para a estimativa da produção nacional em 2011, os números levantados nas regiões e estados onde a pesquisa foi realizada foram somados às projeções obtidas a partir das informações de anos anteriores para as Unidades da Federação e para as culturas, que por força do calendário agrícola, ainda não dispõem das primeiras estimativas. Assim, neste segundo prognóstico, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas² para 2011, é estimada em 145,1 milhões de toneladas, inferior 2,5% à registrada em 2010 devido, principalmente, às menores previsões da Região Sudeste (-1,6%) e Sul (-9,0%). Nas informações da pesquisa do prognóstico as avaliações representam 70,4% da produção nacional prevista, enquanto que as projeções realizadas respondem por 29,6% do valor total.


Entre os seis produtos analisados para a safra de verão 2011, três apresentam variação positiva em relação à produção de 2010: algodão herbáceo em caroço (34,3%), arroz em casca (8,2%) e feijão em grão 1ª safra (26,0%). Com variação negativa: amendoim em casca 1ª safra (10,9%), milho em grão 1ª safra (7,3%) e soja em grão (0,2%). Com relação à área a ser colhida, à exceção do amendoim em casca 1ª safra e do milho 1ª safra que registram decréscimos de 3,2% e 0,2%, respectivamente, os demais produtos apresentam variações positivas: algodão herbáceo em caroço (26,6%), arroz em casca (0,7%), feijão em grão 1ª safra (11,4%) e soja em grão (1,1%).

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço)

O segundo prognóstico da produção de algodão em caroço é da ordem de 3,9 milhões de toneladas, contra 2,9 milhões de toneladas obtidas em 2010, indicando um incremento de 34,3%. Esse novo levantamento confirma tendência apontada anteriormente de ganhos, principalmente, em face da ampliação da área, tendo em vista a melhor cotação verificada para o produto, tanto no mercado interno, como no externo. Entre os principais centros produtores, apenas Goiás registra retração na área, sendo que o Mato Grosso, maior produtor, que participa com 53,9% da produção nacional, aponta incrementos de 33,7% na área a ser colhida e de 45,8% na produção esperada. Nesse estado, com o atraso das chuvas e consequente adiamento do plantio da soja, houve ampliação na área da 1ª safra do produto estimada em 309.729 ha. A 2ª safra do produto, cultivada após a colheita da leguminosa, tem previsão de 250.893 ha, que somados à área do algodão irrigado (1.114 ha), perfazem uma estimativa de área plantada no Mato Grosso de 561.736 hectares. Vale lembrar que, em 2010, as áreas colhidas na 1ª e 2ª safras do produto foram de 154.248 ha e 264.770 ha, respectivamente.

ARROZ (em grão)

No caso do arroz, a produção esperada para 2011 é de 12,2 milhões de toneladas, 8,2% superior à obtida em 2010. Houve, frente à previsão de outubro, estabilidade no quadro do produto, já que o Rio Grande do Sul (principal produtor, com 63,9% de participação na produção nacional) manteve nesse prognóstico o aumento de 13,1% na produção esperada e de 5,3% na área, por conta da retomada de plantios que na safra 2010, devido às chuvas intensas no período da semeadura, não puderam ser instalados. Por outro lado, o Mato Grosso, maior estado produtor do cereal no Centro-Oeste, aponta retração na área cultivada em 28,3% contra os 16,9% informados no mês passado, devido, conforme mencionado no relatório anterior, à dificuldade de abertura de novas áreas e consequente plantio de arroz no primeiro ano após o desmatamento, tendo em vista o maior rigor nas leis, na fiscalização dos órgãos ambientais e ainda na dificuldade de liberação de financiamento.

FEIJÃO (em grão)

1ª safra – O segundo prognóstico para a safra nacional de feijão das águas em 2011 aponta para uma produção esperada de 2,0 milhões de toneladas, superando em 26,0% a produção alcançada no ano corrente. Destaca-se que esse ganho deve ser creditado, especialmente, à expectativa de que essa safra se desenvolva em condições meteorológicas dentro da normalidade, já que se estima um rendimento médio de 863 kg/ha, 13,1% superior ao obtido na safra correspondente de 2010. Os preços praticados no mercado, por ocasião do plantio da 1ª safra, estimularam o cultivo, registrando-se uma área plantada de 2,3 milhões de hectares, 2,5% maior que a de 2010.

MILHO (em grão)

1ª safra – Para o milho 1ª safra, espera-se uma produção de 31,3 milhões de toneladas, 7,3% inferior à observada em 2010 devido, notadamente, ao prognóstico do rendimento médio ser inferior em 7,2%. A área plantada ou a ser plantada registra uma retração de 3,5%. Conforme relatado no primeiro prognóstico, os números desfavoráveis para esta safra são decorrentes da baixa cotação que o produto apresentou ao longo deste ano, em face dos volumes estocados e, ainda, pelo elevado custo de produção. Minas Gerais, embora tenha apresentado pequenos ganhos na área a ser colhida (1,3%) e na produção (1,6%), superou o Paraná, até então maior produtor dessa safra do produto. Nesse Estado, houve uma significativa retração na área do milho 1ª safra (19,5%) como resultado da opção dos produtores paranaenses, neste primeiro período de plantio, pelo cultivo de soja e feijão. Por outro lado, fica a expectativa, como vem se observando nos últimos anos, do aumento na área do cultivo da segunda safra.

SOJA (em grão)

O segundo prognóstico de soja para 2011, de 68,4 milhões de toneladas, indica uma variação negativa de 0,2% em comparação ao volume obtido em 2010. A área a ser colhida mostra acréscimo de 1,1%, enquanto o rendimento médio esperado apresenta decréscimo de 1,2%, sendo respectivamente, 23,6 milhões de hectares e 2.901 kg/ha. A ampliação da área cultivada ocorre, principalmente, em áreas anteriormente ocupadas com o milho, como também em áreas de arroz tendo em vista as maiores cotações e liquidez da soja.

Salienta-se que, tanto para a soja quanto para o milho, as condições climáticas foram, de maneira geral, excelentes em 2010, sendo observados recordes históricos de rendimentos médios para esses dois produtos. Para o cálculo da projeção do rendimento da safra 2011, são utilizados os resultados obtidos nos cinco últimos anos, fazendo-se uma média, onde se abandonam os extremos, verificam-se, no comparativo das safras 2010 e 2011, retrações nos rendimentos desses dois produtos. Além disso, as avaliações de campo da Região Sul estão considerando deficiência hídrica por conta do fenômeno La Niña, embora seja consenso que não se podem indicar prejuízos até o momento.

Em novembro, safra de grãos prevista é 11,1% superior à de 2009

A décima-primeira estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, feita pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola3, indica uma produção da ordem de 148,8 milhões de toneladas, superior em 11,1% à obtida em 2009 (134,0 milhões de toneladas), 0,1%maior que a estimativa de outubro e 1,9% superior à safra recorde de 2008 (146,0 milhões de toneladas). A área a ser colhida em 2010, de 46,5 milhões de hectares, apresenta decréscimo de 1,5%, frente à área colhida em 2009. As três principais culturas, arroz, milho e soja, que somadas representam 91,0% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondem por 83,5% da área a ser colhida e registram, em relação ao ano anterior, variações de -6,5%, -6,8% e +7,1%, respectivamente. No tocante à produção, o milho e a soja apresentam, nessa ordem, acréscimos de 8,7% e 20,2%, enquanto o arroz tem decréscimo de 10,3%.

Entre as Grandes Regiões, esse volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresenta a seguinte distribuição: Região Sul, 63,8 milhões de toneladas; Centro-Oeste, 52,3 milhões de toneladas; Sudeste, 17,0 milhões de toneladas; Nordeste, 11,7 milhões de toneladas e Norte, 4,0 milhões de toneladas. Comparativamente à safra passada, são constatados incrementos nas regiões Norte (6,0%), Sul (21,7%), Centro-Oeste (7,1%) e decréscimos na Nordeste (-0,4%) e Sudeste (-1,0%).

Observa-se que o Paraná recuperou a liderança na produção nacional de grãos, com uma participação de 21,7%, seguido pelo Mato Grosso, com 19,4%, que no ano passado havia ocupado a primeira posição, tendo em vista que a safra paranaense de 2009 sofreu prejuízos por conta das condições climáticas adversas, como seca no início do ano, geadas em junho e chuvas excessivas no período final das culturas de inverno.



Produção Agrícola 2010 – comparação do levantamento de novembro em relação a outubro de 2010

Em novembro destacam-se as variações nas estimativas de produção, comparativamente ao mês de outubro, de três produtos: café em grão (+0,4%), milho em grão total (+0,2%) e trigo em grão (+0,9%). Os acréscimos registrados para o café e para o milho decorrem, notadamente, de reavaliações nos dados finais de colheita dos produtos.

Para o trigo, principal lavoura deste período, a produção esperada de 5,7 milhões de toneladas supera em 0,9% à informada no mês anterior. O incremento decorre das reavaliações nos dados do Paraná, maior produtor, com participação de 57,5% da produção nacional. Nesse Estado, na presente safra, ao contrário de 2009, as condições meteorológicas têm beneficiado as lavouras, o que resultou na revisão positiva de 1,9% no rendimento médio estimado agora em 2.884 kg/ha contra os 2.831 kg/ha previstos no mês passado.

Produção Agrícola 2010 – estimativa de novembro em relação à produção obtida em 2009

Dentre os 25 produtos selecionados, quinze apresentam variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: algodão herbáceo em caroço (0,1%), aveia em grão (37,0%), batata-inglesa 1ª safra (5,3%), batata-inglesa 2ª safra (0,9%), batata-inglesa 3ª safra (6,9%), cacau em amêndoa (3,2%), café em grão (18,6%), cana-de-açúcar (6,0%), cebola (6,0%), cevada em grão (31,8%), feijão em grão 3ª safra (16,1%), laranja (3,9%), milho em grão 2ª safra (27,6%), soja em grão (20,2%) e trigo em grão (15,3%). Com variação negativa, estão: amendoim em casca 1ª safra (16,9%), amendoim em casca 2ª safra (40,5%), arroz em casca (10,3%), feijão em grão 1ª safra (5,2%), feijão em grão 2ª safra (16,4%), mamona em baga (9,9%), mandioca (0,9%), milho em grão 1ª safra (0,8%), sorgo em grão (19,3%) e triticale em grão (23,5%).

Para o arroz em casca, a diminuição na produção ocorreu em função do excesso de chuvas que atrasou a semeadura e determinou a perda de áreas em alguns municípios do Rio Grande do Sul, maior produtor nacional.

No que se refere ao milho, as variações foram em função notadamente de mercado, com preços não atrativos e estoques elevados, havendo com isso decréscimo de produção da 1ª safra do produto, substituído pelo plantio da soja, e acréscimo do milho 2ª safra como prática cultural e por expectativa de recuperação do preço do grão na ocasião do plantio.

Para a soja, o ganho de produção ocorreu como consequência da expansão da área, notadamente, em substituição as cultivadas anteriormente com o milho, como também em menor escala, em áreas com algodão e arroz, devido as maiores cotações e liquidez da soja. Houve acréscimo no rendimento médio, porque as condições climáticas foram mais favoráveis, não se repetindo a estiagem ocorrida na safra de 2009.

Quanto ao trigo, registra-se aumento de produção, diferentemente do ano anterior quando o excesso de chuvas no período de colheita causou prejuízos as lavouras no Paraná e Rio Grande do Sul, maiores centros produtores. Nesse ano as condições climáticas estão dentro da normalidade. Os números poderiam ter sido melhores, não fosse a retração na área cultivada considerando que, em todas as Unidades da Federação informantes, houve diminuição do plantio devido ao desestímulo dos produtores em cultivarem o cereal em face dos baixos preços praticados no mercado.

Para o café o acréscimo na produção, em relação à safra colhida em 2009, é consequência, principalmente, da particularidade que apresenta o café arábica, espécie predominante no País, de alternar anos de altas e baixas produtividades.

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1 Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para Cereais, leguminosas e oleaginosas, ora divulgados, foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em outubro de 2007, para as principais lavouras brasileiras.

2 Caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.

3 O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das Comissões Municipais (COMEA) e/ou Regionais (COREA); consolidadas em nível estadual pelos Grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA) e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO) constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA).
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