Em Santa Catarina, jovens encontram no tabaco a fonte de renda da família
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Imagem: Marcel Oliveira
AGRICULTURA

Em Santa Catarina, jovens encontram no tabaco a fonte de renda da família

Região montanhosa, de muita declividade e com pequenos espaços para cultivo torna inviável a produção de culturas
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A pequena Isadora tem apenas 9 meses e ainda nem compreende a façanha que seus jovens pais já protagonizaram, graças ao tabaco. E o fizeram em uma pequena propriedade em região montanhosa, a 5,5 quilômetros da sede de Presidente Nereu, na região serrana de Santa Catarina.

Nessa quinta-feira, 11, Valdelirio de Souza, 27 anos, e Cristiane Petry de Souza, também de 27, receberam a expedição Os Caminhos do Tabaco 2021 em sua bela residência, em Tirivas, para mostrar tudo o que já construíram com sua força de vontade e sua energia, retirando o sustento das lavouras.

E a base de toda a economia familiar é o tabaco. Aliás, é assim desde quando o próprio Valdelirio era menino, e cresceu na casa dos seus pais, Anilto de Souza e Maria de Fátima de Souza, cuja propriedade se situa a cerca de 700 metros de onde os jovens hoje possuem a sua própria moradia. Na redondeza, todos os vizinhos, incluindo parentes, têm no tabaco a fonte de renda, porque em áreas montanhosas, de muita declividade e com pequenos espaços para cultivo em meio às reservas de mata nativa, praticamente nenhuma outra cultura seria economicamente viável.

Ali Valdelirio cresceu vendo os pais retirarem a garantia de sustento das lavouras de tabaco, ao lado do irmão Cleonir, hoje seu vizinho, casado com Letícia e pai da pequena Erica, praticamente da mesma idade de Isadora. Eles têm ainda três irmãs, Marciana, que também atua na agricultura, mas na produção de hortigranjeiros em localidade próxima; Marineia e Juliana, que vivem na cidade. Há quatro anos, Valdelirio e Cleonir decidiram adquirir uma área de terras, de oito hectares, para ali se instalarem com independência. Isso ocorreu há dois anos, quando cada um iniciou a construção de seu próprio lar. E, claro, para passarem a plantar tabaco por conta própria. Mais tarde ainda adquiriram uma outra área de terras, de cinco hectares, completando os 13 hectares que possuem.

No entanto, as lavouras são conduzidas em família, com todos auxiliando nas tarefas. Valdelirio cultiva 95 mil pés, da variedade Virgínia. Ele calcula que as suas plantações, nas quais a colheita foi concluída ao fim de dezembro, renderão 1.050 arrobas. Nas primeiras 300 arrobas que já vendeu, ficou satisfeito com a média alcançada.

Tal resultado sinaliza para a garantia de continuidade nos investimentos realizados até o momento, e que não são poucos. Além de uma bela e aprazível residência localizada de forma estratégica em um topo de morro, do qual o casal pode mirar em 360 graus todo o entorno, até o horizonte a perder de vista em meio a montanhas verdejantes, ainda fizeram toda a terraplenagem e ergueram duas estufas elétricas e os galpões e paióis. E, claro, adquiriram carro, trator, implementos e todos os equipamentos para trabalho. Tudo em apenas dois anos, e tudo com os recursos gerados pelo tabaco.

A opção por permanecer na área rural

Atualmente, enquanto eles seguem classificando e preparando o restante do tabaco armazenado no galpão, as lavouras de Valdelirio e Cristiane mostram milho em diferentes estágios de desenvolvimento. Parte dele, plantado mais cedo, até já foi colhido. O cereal que colheu no início desta semana rendeu 400 sacos, que secam na estufa, e serão vendidos a R$ 80,00 a saca, preço que o produtor considera bom.

Ficar no interior foi uma aposta arrojada para o casal, que até poderia ter investido numa rotina na cidade. Cristiane, por exemplo, morou e trabalhou por seis anos na cidade, e até se formou no curso superior de Estética, mas decidiu largar a vida urbana para apostar num futuro na agricultura ao lado de seu amor, do qual era colega de aula desde a infância na escola da localidade.

Hoje, desfrutam de um patrimônio significativo que já construíram (e Valdelirio o fez literalmente, pois ergueu a própria casa e também galpões e estufas, com a ajuda de seu pai). Mesmo cientes do empenho e da dedicação que a vida no meio rural requer, em áreas de terra íngremes, vislumbram, com sorriso e determinação no rosto uma vida plena e feliz para a pequena Isadora, que seguram e acalentam em seus braços.

UM OLHAR DE PRODUTOR

A visita à família Dias

Nossa segunda propriedade visitada no Estado de Santa Catarina, ontem pela manhã, foi a da família Dias: o Jeferson e a Paula, e os pais dele, Gilmar e Sílvia, em Faxinal de Vila Nova, a pouco mais de três quilômetros da sede de Ituporanga, que é chamada de “Capital da Cebola”. Eles produzem 250 mil pés de tabaco, entre Jeferson, o pai e sua irmã Jéssica, que mora em propriedade ao lado. A família Dias tem seis estufas elétricas, quatro delas alimentadas por serragem. Ou seja, não vai lenha normal, como se usa em geral. A família adota há 20 anos um equipamento que alimenta por conta a fornalha quando a unidade de cura necessita de mais temperatura. Isso possibilita a eles noites de sono muito mais tranquilas, pois não necessitam ir abastecer a fornalha com frequência.

A importância das abelhas

Além de fumicultores, Jeferson Dias e seu pai Gilmar são pedreiros. Inclusive, pararam uma obra na qual estavam trabalhando para receber nossa expedição. E ao lado da sua casa, Jeferson, por hobby, cria abelhas sem ferrão, entre várias espécies, já possuindo 40 colmeias. Ele ressalta que as abelhas, além de produzirem um mel saboroso e saudável, são fundamentais para a polinização de tudo na natureza, provando, mais uma vez, que o fumicultor sempre busca preservar o equilíbrio do ambiente ao seu redor. Jeferson, que está cursando Técnico em Agronegócio, e sua esposa Paula, que é formada em Letras Português/Inglês, decidiram seguir a vida na agricultura, para ali criar os filhos Júlia e Murilo, ao lado dos pais dele.


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