Embarques brasileiros de café sobem 25% em fevereiro


Agronegócio

Embarques brasileiros de café sobem 25% em fevereiro

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(14/03/2003 - Coffee Break) -O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil) informou que as exportações de café em fevereiro de 2003 tiveram um aumento de 25,46% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 1.772.252 sacas para 2.223.473 sacas. Se comparado com o verificado em janeiro (2.272.567 sacas), registrou-se uma queda de 2,16%. O volume de verde embarcado em fevereiro atingiu 1.976.904 sacas, 24,22% a mais que o registrado no mesmo mês do ano passado — 1.591.423 sacas — e 5,45% a menos que as 2.090.771 sacas exportadas em janeiro. O total de arábica embarcado chegou a 1.688.175 sacas, 16,98% a mais que em fevereiro de 2002, quando somou 1.443.136 sacas, e 5,84% a menos que em janeiro (1.792.962 sacas). As remessas de conillon, em fevereiro, totalizaram 288.729 sacas, volume 94,71% maior que o verificado no mesmo período do ano anterior — 148.287 sacas — e 3,05% menor que as 297.809 sacas expedidas em janeiro. As remessas de solúvel atingiram 246.569 sacas, 36,35% a mais que as 180.829 sacas verificadas em fevereiro do ano passado e 35,63% a mais que as 181.796 sacas exportadas em janeiro. Em termos de receita cambial, os valores obtidos em fevereiro de 2003 (126,584 milhões de dólares) foram 49,48% superiores ao do mesmo mês do ano passado (84,680 milhões de dólares) refletindo o aumento do volume e a recuperação de preços no mercado internacional. Se comparado com a receita de janeiro, 127,417 milhões de dólares, verificou-se uma queda da ordem de 0,65%.

Varginha — A Estação de Avisos Fitossanitários do Ministério da Agricultura, em Varginha, divulgou seu boletim de avisos, referente ao mês de fevereiro. Assinado por Roque Antônio Ferreira, Leonardo Bíscaro Japiassú, Antônio Eustáquio Miguel e Antônio Wander R. Garcia, o boletim indica que o índice pluviométrico do mês de fevereiro foi de 33,0 milímetros, contra uma média histórica para o mês de 184,0 milímetros. As precipitações ocorridas durante o mês foram menores que a evapotranspiração, sendo utilizada a reserva do solo para suprir essa diferença. O levantamento indica que caso não ocorram precipitações acima da média histórica nos próximos meses o déficit hídrico em 2003 será maior que nos anos anteriores. A temperatura média de fevereiro foi de 23,6º C semelhante à média histórica para o período, ao passo que a temperatura máxima absoluta foi de 32,6º C e a mínima 15,6º C. A evapotranspiração potencial foi 96,5 milímetros. O boletim aponta que nas lavouras não controladas, localizadas na Fazenda Experimental de Varginha, a ferrugem apresentou um índice de infecção médio de 11,0%. Esses índices, no entanto, são bastante inferiores aos encontrados na maioria das lavouras da região. Segundo o boletim, o controle preventivo e/ou curativo com fungicidas específicos foliares deve ter continuidade. A cercosporiose teve índice de infecção médio de 6,5%, sendo sugerido controle, principalmente em lavouras com alta carga. Já a phoma apresentou baixo índice de infecção. No que se refere às pragas, o bicho mineiro mantém um nível de infestação médio baixo, porém, devido à estiagem, já se observa adultos nas lavouras, sendo que há uma possibilidade concreta do aumento da praga nos próximos meses. O ácaro vermelho apresentou baixa incidência em fevereiro, ao passo que o bicho mineiro teve, na área amostrada, um índice médio de ataque de 2%, sendo aconselhável monitoramento e controle, nos casos em que os ataques excedam dois pontos percentuais. O boletim informa ainda que o crescimento vegetativo das lavouras da região ficou, em fevereiro, em 5,1 nós por ramo, contra um crescimento médio de 5,8 nós por ramo em fevereiro do ano passado.

Tigre — A Vicofa (Associação de Café e Cacau do Vietnã) informou que o longo período de seca, somado ao aumento de custos de produção, principalmente com combustíveis, deverá fazer com que a produção do país apresente quebra. De acordo com a entidade, a quebra da safra 2002/03 poderá chegar a 25%. Na opinião de Doan Trieu Nhan, presidente da Associação, o país asiático deverá ter uma colheita da ordem de 9 milhões de sacas, contra as 12 milhões de sacas colhidas em 2001/02. Nhan ressaltou que, caso os problemas climáticos não se repitam, é possível que a produção de 2003/04 salte para 11 milhões de sacas. Ele apontou que, se a estiagem continuar e os preços dos combustíveis ficarem em alta, devido a possível guerra no Iraque, essa projeção deverá ser baixada para entre 9 e 10 milhões de sacas. O dirigente observou que os preços baixos e os combustíveis em franca elevação fizeram com que os produtores fossem impedidos de realizar adequadamente os processos de irrigação.

Domínio — A Organização Mundial de Propriedade Intelectual transferiu a propriedade do domínio “www.juanvaldez.org” para a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia. A entidade havia instaurado uma ação contra o dono do domínio, Daniel Harrison, de Nevada, nos Estados Unidos. A entidade alegava que o domínio era similar ao seu, confundindo com a marca do café colombiano. O domínio vinha sendo utilizado por uma empresa de segurança em internet. Recentemente a Federacafé intensificou as ações para proteger suas marcas em vários países. A Federação trabalha basicamente com a marca Juan Valdez, Café de Colombia e com a certificação "Colombian".

Ruanda — A produção de Ruanda no ano civil de 2002 atingiu a marca de 19 mil toneladas métricas, cerca de 317 mil sacas. O volume é 5,55% maior que o registrado no ano civil de 2001, quando 18 mil toneladas haviam sido colhidas. De acordo com o Escritório de Café de Ruanda, o aumento da produção é uma conseqüência das boas condições climáticas nas zonas cafeeiras. Segundo Leon Haguma, diretor comercial do Escritório, a expectativa é que em 2003 o país apresente novo aumento de produção, atingindo 22 mil toneladas, cerca de 367 mil sacas. Além de produzir mais, Ruanda quer ter maior qualidade. Um projeto financiado pela Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos está levando a algumas regiões do país técnicas de melhoria da produção e condições para que os cafeicultores executem a lavagem de seus cafés de maneira a incrementar a qualidade do produto.

Preço x indústria — O período de 17 a 28 de fevereiro registrou uma ligeira queda nas cotações internacionais do café verde, que também se refletiu na redução do custo da saca de café no mercado físico. Com isso, a expectativa na redução do preço do café no varejo já começa a existir, principalmente pela alta concorrência. Um comunicado expedido pelo Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo vem alertando os torrefadores, mostrando os riscos de uma política comercial "imediatista e pouco consistente, num momento em que existem vários motivos para se acreditar que os preços do café verde subirão novamente". O Sindicato aponta que, entre tais fatos estaria a aprovação de R$ 300 milhões para a colheita, o que vai capitalizar a produção, diminuindo a pressão de venda do café verde e enxugando a oferta. Além disso, a entidade destaca que o CDPC poderá aprovar, na próxima quinta-feira, a retomada dos leilões de opções. Adicionalmente, o Sindicato destaca que a safra de 2003 será menor, com algumas regiões tendo redução da colheita de até 60% em relação ao ano passado. "Nestas condições, entendemos ser absolutamente importante que os industriais de café acompanhem, atentamente, a evolução do mercado de café, observando suas tendências e interpretando cada movimento, principalmente, as decisões do governo, antes de decidirem-se por alterar a sua política de preços para o varejo. A sua entidade pode ajudá-lo nesta pesquisa", destaca o comunicado do Sindicafé. A entidade lembra que os preços médios atuais estão, ainda, muito próximos dos preços praticados há 20 meses, nível considerado insatisfatório. O Sindicato aponta que a indústria de café gastou quase quatro meses para recompor os seus preços de venda, a partir de agosto de 2002, quando o café verde começou a evoluir seus preços. "É um custo muito grande, quase insuportável, o de recompor os preços de venda após uma decisão inconseqüente de diminui-los para aproveitar uma oportunidade de vender um pouco mais. Por último, as vendas de café, em geral, estão mais fracas em todo o país, segundo informações que temos colhido entre os industriais. O calor excessivo, a baixa qualidade e o poder de compra reduzido da população, não estão permitindo que as vendas evoluam. Portanto, não é hora de reduzir os preços imaginando que este recurso vá resolver o seu problema", ressalta o comunicado.

Em destaque

* O México registrou o embarque de 231.079 sacas em fevereiro, informou o Conselho de Café do México. Esse volume é 12,19% maior que o verificado no mesmo mês de 2002, quando 205.974 sacas foram exportadas. Nos cinco primeiros meses do atual ano safra, a nação norte-americana aferiu a remessa de 710.396 sacas. Esse total é 40,00% menor que o observado no mesmo período da safra passada — 1.184.085 sacas.

* Ao longo de fevereiro, as exportações da Colômbia somaram 904 mil sacas, 3,43% a mais que o observado no mesmo mês de 2002 (847 mil sacas). Nos últimos 12 meses, o país efetuou o embarque de 10.345 milhões de sacas, total 2,71% maior que o verificado em igual período do ano anterior, 10,072 milhões de sacas.

Fonte: Coffee Break (www.coffeebreak.com.br)


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