Embrapa avalia impacto do feijão transgênico no solo
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Agronegócio

Embrapa avalia impacto do feijão transgênico no solo

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Pela primeira vez no Brasil, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, farão uma avaliação dos impactos ambientais da transgenia sobre microorganismos e fauna do solo. A coleta deste material começou ontem (03-05) na área de plantio de feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado, em Santo Antônio de Goiás (GO), no campo experimental da Embrapa Arroz e Feijão.

A amostra será analisada pelos pesquisadores dos Laboratórios de Ecologia Microbiana e Fauna do Solo da Embrapa Agrobiologia, em Seropédica (RJ), sob os aspectos de teor de nitrogênio atmosférico fixado e assimilado pela planta, a comunidade microbiana associada à superfície das raízes e àquela presente na porção do solo que está sob a influência da raiz (rizosfera) para identificar possíveis grupos de microrganismos. Serão também avaliadas a biomassa microbiana e a atividade respiratória.

Além disso, serão analisados os invertebrados mais freqüentes no solo como minhocas, besouros, aranhas e formigas. Estes organismos são importantes para a fertilidade e as condições físicas do solo, e, no caso de predadores, podem atuar no controle biológico de pragas.

A pesquisadora Norma Gouvêa Rumjanek, da Embrapa Agrobiologia, argumenta que o importante neste trabalho é que, pela primeira vez, estão sendo levados em conta todos os aspectos possíveis em termos de biossegurança para ver se estas plantas produzirão impactos sobre os organismos do solo. “O resultado dessa avaliação estará pronto em seis meses. Esta é uma das condições colocadas pelo Ibama para dar continuidade ao projeto do feijão transgênico”, diz. O mesmo trabalho será feito na área plantada com mamão geneticamente modificado, na Bahia. Após essa fase, será realizada outra coleta em 20 dias.

Impactos

O solo é um sistema dinâmico e complexo, que abriga diversas formas de vida que interagem ativamente com a comunidade vegetal por meio das substâncias encontradas nas raízes e da síntese de sinais moleculares capazes de intermediar interações específicas, afetando direta ou indiretamente a nutrição e a saúde das plantas. A comunidade microbiana é resultado não somente da relação dos seres que integram essa comunidade, como também dos efeitos de perturbações e estresses ambientais.

Segundo os pesquisadores da Embrapa, as alterações na composição das substâncias radiculares provenientes da transformação de plantas por meio de engenharia genética podem (ou não) influenciar a composição das populações da biota do solo, alterando os processos de decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes.

No Brasil, o plantio de culturas transgênicas em áreas extensas pode representar um novo tipo de impacto ambiental que precisa ser avaliado com cuidado, em especial, porque os resultados obtidos em países de clima temperado não poderão, a princípio, ser importados para a nossa realidade. O estudo de possíveis efeitos sobre as comunidades de organismos não-alvo pode mostrar que alterações não esperadas ocorreram durante o desenvolvimento da planta transgênica afetando diferentes partes do genoma.


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