Embrapa desenvolve uvas sem sementes
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Agronegócio

Embrapa desenvolve uvas sem sementes

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BRS Clara, BRS Linda e BRS Morena. Esses são nomes de batismo das três primeiras cultivares de uvas sem sementes desenvolvidas pela Embrapa Uva e Vinho, localizada em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Elas são a resposta às demandas do mercado consumidor que sempre esteve em busca de uvas de mesa sem sementes.

Embora pesquisadas e desenvolvidas no Sul do País, os novos materiais são adaptados ao clima tropical, com recomendação de plantio no Noroeste de São Paulo, Norte de Minas Gerais e no Vale do Submédio São Francisco. Isso significa que outras regiões do País que tenham condições edafoclimáticas semelhantes, como o Centro-Oeste, por exemplo, podem fazer o cultivo, com técnicas adequadas de produção, entre elas a irrigação.

No processo de pesquisa, que durou cerca de sete anos, a Embrapa adotou o melhoramento genético tradicional, sem utilização de transgenia. As três cultivares são indicadas para consumo in natura, devendo ter boa aceitação, tanto no mercado interno quanto no exterior. A apresentação das novas cultivares ocorreu na Estação Experimental de Viticultura Tropical da Embrapa, em Jales (SP), e o lançamento oficial na Câmara Municipal da mesma cidade, na segunda quinzena de dezembro.

A BRS Clara, tipo uva branca, foi obtida pelo cruzamento entre as uvas 154 e 147 com a Centennial Seedless e destaca-se pelo sabor moscatel (suave e agradável), pela coloração verde-amarelada e pela textura crocante da polpa. Possui produtividade elevada, de até 30 toneladas por hectare/ano, e os cachos apresentam boa conformação, naturalmente cheios, de tamanho médio a grande.

A BRS Linda, também branca, é uma cultivar vigorosa que mostrou ótima adaptação nas regiões onde foi testada. É resultado de cruzamentos entre as uvas 154-90 e Saturn. Tem coloração verde e fertilidade elevada, emitindo, normalmente, dois cachos por ramo, podendo produzir até 47 toneladas por hectare/ano. O cacho atinge facilmente de 450 a 600 gramas e a polpa é firme e crocante. Apresenta sabor neutro, bem aceito pelo consumidor brasileiro, que prefere frutas menos ácidas.

Já a BRS Morena é do tipo preta e caracteriza-se como cultivar precoce, com alta fertilidade (dois cachos por ramo, de tamanho médio e grande). Sua produtividade média varia de 20 a 25 toneladas por hectare/ano. Foi obtida por meio de cruzamentos das uvas Marroo Seedless com a Centennial Seedless. O sabor é muito agradável, com equilíbrio entre açúcar e acidez, sendo que a polpa tem textura firme e crocante.

A Embrapa vai disponibilizar material de propagação (gemas) das três cultivares a partir de abril de 2004, cuja comercialização será feita pela Embrapa Transferência de Tecnologia, em Brasília (DF). Reservas já podem ser feitas em formulário encontrado no site www.campinas.snt.embrapa.br. A quantidade mínima para aquisição será de 100 gemas por cultivar, a serem remetidas via Sedex. As gemas (livres de viroses) devem ser utilizadas em porta-enxertos com origem conhecida e com garantia de sanidade. A partir de julho de 2004, a Embrapa vai ter disponível também os porta-enxertos das cultivares IAC 572 e IAC 766, usadas durante os testes de validação das uvas sem sementes. Mais informações podem ser obtidas no site www.cnpuv.embrapa.br) ou via carta para Rua Livramento, 515, CEP 95700.000, Bento Gonçalves (RS) e no telefone (54) 455-8000.


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