Embrapa orienta sobre escolha de cultivares de soja
Com a aproximação do período de semeadura, a Embrapa alerta aos produtores sobre os cuidados na hora de escolher entre as cultivares convencionais e as transgênicas
Ele orienta que, a partir do momento que se tem uma área sem tantos problemas com plantas daninhas, é interessante voltar ao cultivo das variedades convencionais. “Essa recomendação visa à redução de problemas que podem ocorrer com o plantio sucessivo de transgênicos, que levaria à seleção de plantas daninhas resistentes até mesmo ao herbicida glifosato, podendo ocasionar aumento do custo de produção da cultura e baixa eficiência do uso da tecnologia transgênica”, diz.
Cultivares
Sobre as cultivares de soja da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicadas para o Mato Grosso do Sul, a novidade entre as convencionais é a BRS 285, lançada em 2008 e desenvolvida pelo convênio entre a Empresa e a Fundação Vegetal. A cultivar é a única indicada para todo o Estado. Segundo Carlos Lasaro, provavelmente já existe um volume de sementes disponíveis desse material no mercado, produzido pelos cotistas da Fundação. “A BRS 285 apresenta bom potencial produtivo para todo o Estado e, principalmente, para o Norte onde ela tem um ciclo que possibilita o cultivo de milho safrinha”, informa.
A cultivar é do grupo de maturidade relativa 7.4, de ciclo médio. O grupo de maturidade indica o ciclo total da cultivar, da emergência à maturação da colheita. Quanto menor essa numeração, mais precoce é a cultivar. Outras características da variedade são presença do período juvenil longo (PJL), característica fisiológica que permite à planta ter um porte maior, e a resistência ao nematóide de galha M. incognita. “O PJL é que permite à BRS 285 ter adaptação para o Norte do Estado, sem limitações de porte”, explica o pesquisador.
Variedades para o Sul de MS
Outra convencional é a BRS 239, que apresenta alto potencial produtivo e já é conhecida pelos produtores, sendo uma das principais cultivares convencionais plantadas no Sul do Estado. Apresenta resistência ao nematóide de galha M. incognita e é moderadamente resistente ao M. javanica. A cultivar tem ciclo semi-precoce e grupo de maturidade 6.9.
A BRS 240 também é uma cultivar moderadamente resistente aos nematóides de galha e tem bom potencial produtivo. Apresenta ciclo pouco mais precoce que a BRS 239, com grupo de maturidade 6.8. Outras duas novidades convencionais são a BRS 283 e BRS 284, que são as primeiras cultivares da Embrapa com tipo de crescimento indeterminado e indicadas para Mato Grosso do Sul.
Quanto às transgênicas, existem quatro cultivares já conhecidas pelos produtores do Sul do Estado: BRS 243 RR, BRS 245 RR, BRS 246 RR e a BRS 255 RR. “O destaque em termos de área de produção, nas duas últimas safras, é para a BRS 245 RR”, destaca Carlos Lasaro. Ele cita como característica importante, tanto para a BRS 243 RR quanto para a BRS 246 RR, a resistência à podridão radicular de fitóftora.
Como novidades transgênicas estão as cultivares BRS 291 RR e BRS 292 RR. A BRS 291 RR é uma cultivar do grupo de maturidade 6.6 e, por isso, considerada de ciclo precoce. Também apresenta resistência à podridão radicular de fitóftora e tem ótimo potencial produtivo para o Sul do Estado.
Já a BRS 292 RR tem o ciclo um pouco mais longo, com grupo de maturidade próximo de 7.3. Apresenta período juvenil longo. “Em solos de alta fertilidade, vale ressaltar a importância de se fazer a semeadura com menos plantas estabelecidas, em torno de dez a 12 plantas por metro”, orienta o pesquisador. A cultivar tem bom potencial produtivo e resistência à podridão radicular de fitóftora.
Sobre a época de semeadura para as cultivares, Lasaro recomenda que seja seguido o zoneamento agrícola para a cultura da soja em Mato Grosso do Sul - safra 2009/10, elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Apesar de as pesquisas de vários programas de melhoramento terem desenvolvido cultivares com características que permitem a semeadura mais antecipada, como crescimento indeterminado e presença de período juvenil longo, é mais prudente seguir o zoneamento agrícola, considerando que nas últimas safras houve grandes perdas de produção, principalmente devido a semeaduras antecipadas, antes de 15 de outubro, e instabilidade climática recorrente no Estado”, conclui o pesquisador.