Agronegócio

Embrapa recebe alunos do curso de altos estudos militares do Exército

Foram apresentadas pesquisas sobre conservação de recursos genéticos, biodiesel, biotecnologia animal, microalgas e produção de bioinseticidas.
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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa foi uma das instituições escolhidas pelo Exército Brasileiro para compor a Viagem de Estudos Estratégicos dos Cursos de Altos Estudos Militares da Escola de Comando e Estado-maior do Exército – ECEME. A visita aconteceu na manhã desta quinta-feira (07) e foi sediada na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizada em Brasília (DF). Ao grupo, formado por 130 majores e tenentes-coronéis, foi apresentado um resumo dos avanços nas pesquisas com recursos genéticos, biotecnologia e agroenergia desenvolvidos pela instituição.

Os oficiais foram recebidos pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, e pelos Chefes-gerais José Manuel Cabral, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Manoel Souza, da Embrapa Agroenergia. José Cabral destacou que para a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia é uma grande honra mostrar algumas pesquisas e trabalhos executados na Empresa. Já Manoel Souza afirmou que "é uma honra para a Embrapa  ter sido lembrada pelo Exército na questão energética, especialmente por ser um tema de extrema importância para a segurança nacional".

Logo após as boas-vindas dos chefes das Unidades Descentralizadas, o presidente Maurício Lopes apresentou a Empresa aos militares, destacando a sua atuação desde a criação, na década de 70, até atualidade, como protagonista na evolução da agropecuária brasileira.

"O que somos hoje representa o grande investimento do Governo e da sociedade brasileira em uma agricultura baseada em ciência e inovação, o que hoje possibilita ao País ter impactos mensuráveis em segurança alimentar, capacidade de exportação de alimentos e desenvolvimento regional", ressaltou o presidente.

Lopes destacou que a Embrapa vêm acompanhando as mudanças globais e modernizando e aprimorando sua capacidade de planejamento. "Trabalha-se na lógica da inteligência estratégica, a partir do monitoramento permanente e dinâmico das tendências do mercado e da sociedade, que indicam caminhos e a ajudam a instituição a se posicionar de forma cada vez mais competitiva", explicou.

Visita foi dividida em cinco estações de pesquisa

Para a visita, foram montadas cinco estações de pesquisa:  Banco Genético da Embrapa; Biodiesel e aproveitamento de resíduos e coprodutos; Biotecnologia na reprodução animal; Microalgas e Bioinseticidas para o controle de pragas que afetam a agricultura.

Na primeira estação foi apresentado o Banco Genético da Embrapa, pioneiro no Brasil por reunir em um só espaço pesquisas de conservação e uso sustentável de recursos genéticos de plantas, animais e microrganismos. Com uma área de aproximadamente dois mil metros quadrados, o prédio tem capacidade para armazenar amostras de 750 mil sementes. É o maior da América Latina e um dos maiores do mundo, com mais de 120 mil amostras de sementes de 765 espécies conservadas em câmaras frias a 20º abaixo de zero, onde podem permanecer por até 100 anos.

"O objetivo do Banco Genético da Embrapa é contribuir para a segurança alimentar das gerações atuais e futuras. Ele funciona como um backup de todos os bancos de conservação mantidos pela Empresa nas diferentes regiões brasileiras, o que o torna um manancial genético à disposição dos cientistas para o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias com características de interesse da sociedade, como por exemplo, resistência a pragas e doenças; tolerância a estresses climáticos e maior teor nutricional, entre outras aplicações", explicou o pesquisador da Embrapa Juliano Pádua. Os métodos de conservação de recursos genéticos animais (sêmen, DNA e embriões) foram apresentados pelo pesquisador Alexandre Floriani.

Em seguida, os militares conheceram as pesquisas com Biodiesel e aproveitamento de resíduos e coprodutos realizadas na Embrapa Agroenergia.  A estação mostrou que diversificar as fontes de matérias-primas é uma estratégia que pode ser adotada para garantir a segurança do abastecimento de combustível. Por isso, a Embrapa têm trabalhado na domesticação e desenvolvimento de tecnologias para produção de oleaginosas, a exemplo do pinhão-manso, da macaúba e do dendê.

Nesta estação, os militares puderam ver de perto a produção de biodiesel, quais as matérias-primas utilizadas e o uso dos resíduos para produção de pelletes, briquetes, geração de energia e o projeto de destoxificação de tortas de pinhão-manso e algodão utilizando cogumelos. De acordo com o pesquisador José Dilcio Rocha, os militares tinham interesse em saber a respeito das principais matérias-primas utilizadas, o aumento de produção e uso desse biocombustível e o aproveitamento dos resíduos gerados.

A terceira estação mostrou as pesquisas realizadas na área de Biotecnologia na reprodução animal. Várias tecnologias geradas e inseridas ao longo dos anos no setor produtivo foram apresentadas aos visitantes, como: Inseminação Artificial, Inseminação Artificial com Tempo Fixo, Transferência de Embriões, Produção In Vitro de Embriões, Sexagem de Sêmen e de Embriões, Criopreservação de Gametas e de Embriões, Clonagem, Transgenia e o uso de conhecimentos de Fisiologia Reprodutiva, Biologia Molecular e da Epigenética no aperfeiçoamento destas biotécnicas.

"Esta área biotecnológica é de grande impacto, pois contribui para acelerar significativamente o melhoramento animal de nossos rebanhos e consequentemente a produção e a produtividade sustentável das respectivas cadeias produtivas", explicou o pesquisador da Embrapa Ricardo Alamino.

O pesquisador lembrou que a evolução dos estudos brasileiros na área de biotecnologia animal levou a equipe de Reprodução Animal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia a alcançar um feito inédito em 2001: o nascimento do primeiro clone bovino da América Latina, "Vitória da Embrapa", uma fêmea bovina da raça Simental.

A quarta estação se dedicou a demonstrar como as Microalgas podem ser uma alternativa para a produção de biocombustíveis. A capacidade das microalgas de produzirem grandes volumes de biomassa foi apresentada como uma atividade de grande potencial para produção de biocombustíveis no futuro. Foi exposto um fotobiorreator com microalgas, que são uma alternativa para a produção de biocombustíveis.

"A biomassa algal já é considerada a matéria-prima de escolha para a produção da terceira geração de bicombustíveis, pois o seu cultivo possui menor possibilidade de competir com a agricultura de alimentos e é mais sustentável do ponto de vista ambiental", explicou o pesquisador Bruno Brasil.

A última estação apresentou aos militares a contribuição da Embrapa no desenvolvimento de Bioinseticidas para combater o Aedes aegypti e outras pragas que atacam a agricultura brasileira, como a lagarta do cartucho do milho e o bicudo do algodoeiro.

"A Embrapa investe desde a década de 1990 em pesquisas para controlar esse e outros mosquitos transmissores de doenças a partir do desenvolvimento de inseticidas biológicos capazes de combater os insetos-alvo, sem fazer mal à saúde humana, de animais e ao meio ambiente", enfatizou a pesquisadora Rose Monnerat.

A pesquisadora também apresentou dois inseticidas biológicos desenvolvidos nos laboratórios da Embrapa: o Bt-horus® SC, produzido em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia Ltda., do Distrito Federal, e o Inova-Bti SC, desenvolvido em parceria com o Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt) e que em breve será vendido nos supermercados do país.

Militares reconhecem a importância das pesquisas da Embrapa para a defesa da Nação

O chefe do Instituto Meira Mattos de Estudos Políticos e Estratégicos da Escola de Comando e Estado-maior do Exército, Coronel Valtir de Sousa, disse que a visita à Embrapa foi de extrema importância para os oficiais-alunos. Além das estações técnicas, ele ressaltou que a palestra do presidente da Embrapa, Maurício Lopes, foi muito elucidativa não só pelo ponto de vista acadêmico, mas pelos dados apresentados.

O coronel afirmou ainda que a defesa do País não é exclusividade dos militares, mas de todos os cidadãos. E a visita à Embrapa comprovou isso. "Ao garantir a segurança alimentar da população, a Empresa está contribuindo para a defesa da nação", complementou, citando Edgar Allan Poe: "Não é na ciência que está a felicidade, mas na aquisição da ciência", ou seja, em saber utilizá-la em prol da sociedade e "isso a Embrapa vem fazendo com maestria ao longo dessas mais de quatro décadas", enfatizou.

O Tenente-coronel Túlio Endres, responsável pela organização da visita dos alunos da ECEME à Embrapa, destacou que o conhecimento de tecnologias sensíveis desenvolvidas pela Embrapa servirão de subsídios valiosos para análises de alto nível que poderão condicionar os estudos estratégicos, o planejamento e a atuação das Forças Armadas Brasileiras nos contextos nacional e internacional, com o objetivo de manter inviolados nosso patrimônio e nossa soberania.

Presidente da Embrapa destacou similaridade entre as duas instituições

O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, recebeu uma placa de agradecimento e medalha da Escola de Comando e Estado-maior do Exército "Escola Marechal Castelo Branco" pela contribuição da Embrapa à formação dos oficiais.

"Considero muito importante essa interação entre a Embrapa e o Exército Brasileiro porque em grande medida nós temos objetivos comuns. A Empresa trabalha desde a sua criação, há 43 anos, a segurança alimentar do nosso País e o fortalecimento das relações do Brasil com o mundo. E o Exército tem a ênfase na segurança e no fortalecimento das instituições nacionais. A interação, a colaboração e a sinergia entre esses órgãos são cada vez mais necessárias para a sociedade brasileira", enfatizou o presidente.

Maurício Lopes também ressaltou que se sente honrado com a escolha do alto comando da instituição militar em querer conhecer a Embrapa, saber como ela está organizada, e como se planeja para o futuro. "É um sinal do reconhecimento do Exército pela excelência em pesquisa, pela estrutura consolidada da Empresa e pela boa imagem que tem na sociedade", finalizou.

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