Embrapa Trigo lança nova cultivar de cevada cervejeira
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Agronegócio

Embrapa Trigo lança nova cultivar de cevada cervejeira

No Brasil, a área de cevada deverá crescer 15%
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A cultivar BRS Itanema é o lançamento da Embrapa Trigo e da Malteria do Vale para atender a demanda de cevada cervejeira nos cultivos irrigados de SP, GO, MG e DF. No Brasil, a área de cevada deverá crescer 15%, ultrapassando os 120 mil hectares. O período de semeadura se estende até meados de julho.


A cevada cervejeira BRS Itanema apresenta ciclo precoce e superior tamanho de grãos, além de potencial de rendimento superior a 7.000 kg/ha com adaptação às principais regiões irrigadas de SP, GO, DF e MG. Seus grãos alcançam classificação média superior a 85% de Classe 1 e o malte apresenta perfil de qualidade que atende as especificações da indústria cervejeira. Com ciclo de uma semana a dez dias mais curto que as demais alternativas em cultivo, BRS Sampa e BRS Manduri, a BRS Itanema será alternativa importante e vantajosa para o mix de cultivares praticado pela indústria de malte. A cultivar é fruto da parceria entre a Embrapa Trigo e a Malteria do Vale e foi apresentada durante a 29ª Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada, nos dias 16 e 17 de abril.

A área de cevada no Brasil cresce pelo terceiro ano consecutivo, apesar das frustrações com o clima que levaram a quebra de 30% na última safra. A previsão é chegar aos 123 mil hectares (ha) neste ano, distribuídos no RS (63 mil ha), PR (53 mil ha), SC (4 mil ha) e SP (3 mil ha). O rendimento médio projetado é de 3 mil kg/ha.           

No estado de São Paulo, a cevada é cultivada em sistema irrigado há seis anos, período em que a área aumentou em 43% e a produção praticamente duplicou. A principal empresa do ramo é a Malteria do Vale, de Taubaté, SP, que fomenta 3 mil ha junto a 60 produtores. De acordo com o engenheiro agrônomo da Malteria, Emílio Gotti Filho, a principal dificuldade da cevada é a competição do espaço irrigado com culturas mais rentáveis, como batata e feijão. A estratégia da empresa foi antecipar o início da semeadura para o mês de abril, permitindo colher a cevada com cerca de 110 dias e depois ainda fazer o plantio do feijão. “São duas excelentes safras, considerando que a cevada tem produzido rendimentos médios próximos a 5 mil kg/ha. A antecipação do plantio também diminui os riscos de chuvas de primavera na colheita”, explica Gotti.


No Paraná, o fomento da cevada é realizado pela Cooperativa Agrária, que administra a maltaria Agromalte, em Entre Rios, PR. O cultivo existe desde 1973 e, atualmente, envolve 180 famílias numa área que varia entre 30 a 35 mil hectares. A cevada é a principal cultura de inverno e está gradativamente roubando espaço do trigo na região centro-sul do Paraná. Na safra 2011/2012, mais de 4 mil hectares migraram do trigo para a cevada. Desde 2006, a área de cevada dobrou, com produtividades sempre acima de 3 mil kg/ha. Além do rendimento, cerca de 1 mil kg/ha superior ao trigo, a cevada tem o ciclo mais curto, o que permite a entrada da soja mais cedo na lavoura. Segundo dados de pesquisa da FAPA/Agrária, a soja plantada na resteva da cevada pode resultar em ganho de até 5 sacos por hectare quando comparado ao resultado após trigo.

Para o pesquisador da AmBev, Mauri Botini, “a cevada do Brasil não fica atrás para qualquer cevada do mundo. Nós temos excelente produtividade, qualidade e produção de malte. O grande limitador é o clima. Gostaríamos de não precisar importar cevada da Europa e sim gerar divisas aqui, na América Latina”, afirma Mauri, lembrando que o clima frustrou a produção nos três principais países produtores na América Latina – Brasil, Argentina e Uruguai, responsáveis por 70% da produção de malte da AmBev. A expectativa da empresa, líder mundial no segmento de cervejas, é crescer 20% ao ano na área de cevada cervejeira no Brasil, especialmente nas regiões onde a qualidade dos grãos é mais estável. Somente em 2012, o número de produtores ligados à empresa aumentou em 33%, localizados em grande maioria no Rio Grande do Sul.

Estudo apresentando pelo pesquisador da Cooperativa Agrária, Noemir Antoniazzi, avaliou que, desde a década de 70, quando iniciaram as pesquisas com melhoramento de cevada no Brasil, o rendimento médio das lavouras passou de 1.700 kg/ha para 4 mil kg/ha. O teor de proteínas, indicativo de qualidade para a indústria, reduziu de 14 para 10% e o extrato de malte passou de 80 para 84% (avaliação com base nas sete cultivares mais plantadas no estado do Paraná no período 1973-2012). “O esforço da pesquisa possibilitou aumentar a competitividade da cevada brasileira frente à concorrência externa”, afirma Antoniazzi.


Apesar da Austrália estar posicionada como o 6º maior produtor mundial de cevada em 2012, as variações do clima ainda causam grandes oscilações na produção: em anos chuvosos os produtores cultivam oleaginosas como a canola, e, em anos secos, é a vez da cevada e do trigo. O sistema brasileiro de produção de cevada e, principalmente, a organização da cadeia produtiva chamou a atenção do pesquisador Jason Eglinton, da Universidade de Adelaide, na Austrália, que visitou o país no mês de abril e ficou impressionado com os resultados apresentados pela pesquisa: “Na média, nossos rendimentos são de 2 mil kg/ha, a metade do que tem-se obtido aqui no Brasil. E a forma como pequenos grupos orientam a produção também é um exemplo para garantir maior liquidez na venda dos grãos, padronizando a qualidade do malte brasileiro”, avalia Eglinton.

“Hoje nós atingimos um patamar, sob o ponto de vista genético, competitivo em qualidade e também em rendimento, mas nós precisamos produzir cultivares que tenham melhor perfil de resistência a doenças, tanto para reduzir os custos de produção, quanto para gerar uma produção mais limpa, com menos agroquímicos na lavoura”, conclui o pesquisador da Embrapa Trigo, Euclydes Minella, lembrando que, atualmente, o oídio é um grande problema na cevada brasileira, além da giberela, que é um problema mundial nos cereais.

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