Entenda como as negociações são feitas na CBOT
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DÚVIDA DO USUÁRIO

Entenda como as negociações são feitas na CBOT

O professor Argemiro Luis Brum explica como o processo é feito
Por: -Aline Merladete
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Argemiro Luis Brum, Professor Doutor em Economia Internacional do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Unijuí, esclarece como este processo é feito.

Na CBOT podem participar diretamente apenas as empresas e pessoas que pagam um valor para terem assento na mesma. Assim, a grande maioria são corretoras especializadas. As mesmas operam para clientes, seja produtores, seja indústrias processadoras, seja especuladores e/ou outros interessados.

Se um produtor de soja deseja travar preço da soja, para garantir um valor adequado na hora de vender o físico por aqui, ele contrata um corretor destes para operar na bolsa.

Assim, ele decide a quantidade de soja que deseja travar na Bolsa, a qual é transformada em contratos pelo volume que a Bolsa define (5.000 bushels = um contrato) e passa a operar. Assim, se a ideia é travar um preço para março do próximo ano, se ele considerar que o preço atual está positivo aos seus interesses ele vende a quantidade de contratos que definiu. Em março, quando ele irá vender sua soja colhida no mercado físico, ele compra estes contratos de volta (o limite de data é até o dia 15/03). Com isso, se o preço estava hoje, no momento em que ele vendeu, a US$ 9,50 e no físico a 120 reais, quando ele realmente for negociar a soja, em 13 de março (supomos), Chicago estaria em US$ 9,00 e o físico teria recuado para R$ 115,00. Ora, se ele vendeu a US$ 9,50 e está comprando os contratos a US$ 9,00, ele ganhou US$ 0,50/bushel (isso equivale a U$ 1,10 por 60 quilos). Ao câmbio do dia - supomos que seja R$ 5,00 em 13/03 este câmbio - ele irá ganhar R$ 5,50/saco. Assim,  no mercado físico ele vende a R$ 115,00 (abaixo dos 120 que estava agora em setembro), porém, adiciona os R$ 5,50 que ganha na Bolsa e garante o preço final de R$ 120,50. Isso se chama proteção de preço, arbitragem ou travamento de preço. (não esquecer de descontar o custo do corretor)

O sistema é interessante, porém, existem exigências que nem todos os produtores estão dispostos ou podem cumprir, pois é necessário liquidez, já que no momento de realizar a primeira operação na Bolsa é preciso deixar uma margem de garantia. E durante todos os dias até sair da posição (em 13/03) o produtor estará sujeito aos ajustes diários e, para isso, precisa liquidez.

AJUSTE DIÁRIO: é o mecanismo que os compradores e vendedores acertam a diferença entre o preço de sua posição anterior e o preço do dia. Se o mercado no dia seguinte subir para US$ 9,60/bushel, o produtor deve depositar US$ 0,10/bushel na conta estabelecida com a corretora pois a cotação foi no sentido contrário ao que ele realizou (ele vendeu a US$ 9,50 e agora teria que hipoteticamente comprar a US$ 9,60). No outro dia, se o mercado recuar para US$ 9,40/bushel, será depositado nesta sua conta US$ 0,20/bushel pois o mercado caminhou em favor de sua posição. E assim a cada dia útil de Bolsa até liquidar a posição com o movimento contrário feito inicialmente, ou seja, comprando os contratos.

MARGEM DE GARANTIA: depósito feito em favor da Bolsa de Mercadorias. A Bolsa utiliza a margem de garantia em caso de inadimplência do cliente. É um percentual do valor total dos contratos negociados na Bolsa. Isso fica lá depositado como garantia e retorna ao produtor quando ele sai de sua posição, no caso em 13/03, com juros pré-estabelecidos na arrancada. É uma poupança forçada.

Este mecanismo é muito bom para quem tem escala de produção e liquidez para operar na Bolsa. A maioria dos produtores aqui do Sul, por terem áreas menores, não contemplam o primeiro requisito e, em muitos casos, também o segundo. Por isso que não operam em Bolsa geralmente, preferindo contratos de opção no mercado físico local ou fazer negócios à termo (vender uma quantidade do físico antes do plantio ou durante o desenvolvimento da planta, a um valor pré-fixado, recebendo esse dinheiro no momento da entrega física do produto em março, por exemplo). É mais prático e de fácil compreensão, sem custos adicionais e/ou auxílio de corretores etc....


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