Escoamento

Especialistas debatem desafios para escoar produção agropecuária

Custo do frete pelas rodovias atuais ainda é um gargalo para o produtor rural.
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o jornal “O Estado de S. Paulo” promoveram, na terça (7), o Fórum Estadão - Logística e Infraestrutura no Agronegócio para debater os desafios das novas fronteiras agrícolas e o escoamento da produção agropecuária.


 
Dividido em dois painéis, o evento reuniu especialistas do setor e representantes governo e dos usuários de transportes. O primeiro debate foi conduzido pelo jornalista do Estadão Gustavo Porto.
 
O consultor da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, Luiz Antonio Fayet, afirmou que o Brasil se tornará o principal fornecedor de alimentos do mundo. No entanto, ressaltou, o país precisa de logística e infraestrutura baratas e eficientes e solução prévia para trechos abandonados pelas concessionárias de ferrovias.
 
“O custo do frete pelas rodovias atuais ainda é um gargalo para o produtor rural. A exportação de soja de Sorriso (MT) até o porto de Santos e Paranaguá, por exemplo, custa US$ 126 a tonelada. Se fosse exportada pela rota Miritituba/Belém, esse custo cairia para US$ 80/t”.
 
O presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (ANUT), Luiz Baldez, também falou sobre o custo logístico do agronegócio e destacou que no caso da soja e do milho ele é cerca de 4 vezes maior do que de outros competidores, como Estados Unidos e Argentina. 

 
“O frete ferroviário é precificado com base no rodoviário. No resto do mundo ele é 44% inferior ao rodoviário, enquanto no Brasil é de apenas 3%. Também é dedicado a um só produto: o minério de ferro. Em 2015, ele foi responsável por 75% da movimentação da malha ferroviária”.
 
Em seguida, o secretário-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, enfatizou que a qualidade média das rodovias é ruim e que o pavimento, sinalização e geometria estão comprometidos. “As concessões rodoviárias estão em melhores condições que as públicas, mas o alto custo do pedágio merece atenção”.
 
Para finalizar o primeiro painel, o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Rabello Borges, lembrou que as concessões podem solucionar alguns gargalos logísticos. “As concessões estão predominantemente nos estados de São Paulo e Paraná, mas elas são fundamentais nas novas fronteiras agrícolas”, disse Borges.

 
Na segunda parte do evento, o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, apresentou a evolução da movimentação de grãos, a infraestrutura existente e o que está previsto para o país, principalmente para a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
 
O diretor-geral da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Luiz Bastos, e o diretor de planejamento da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Adailton Dias, encerraram os debates do dia.
 
Bastos falou sobre o Canal Verde Brasil, que deu mais agilidade na operação do Porto de Santos. O sistema é responsável pela autorização do embarque de carga e descarga no porto. “Com o novo sistema, as filas no porto foram reduzidas e somente veículos irregulares estão sendo parados”.
 
Já Dias apresentou dados preliminares do Plano Nacional de Logística (PNL) sobre a infraestrutura e o investimento que o país precisa para o escoamento adequado da produção.

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