CI

Especialistas defendem medidas para reduzir riscos climáticos no RS

Planejamento territorial é desafio diante de extremos climáticos


Foto: Ivan Lucas Miorandi

A necessidade de revisar a ocupação de áreas vulneráveis e ampliar a preparação para eventos climáticos extremos está entre os principais desafios do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. Especialistas reunidos no Tecnopuc Experience 2026, em Porto Alegre, defenderam mudanças no planejamento territorial, maior integração entre municípios e fortalecimento dos planos de contingência para reduzir os impactos de novos desastres.

A discussão destacou que a prevenção não depende apenas de obras ou medidas emergenciais, mas também da capacidade de identificar riscos, organizar respostas e considerar as condições das comunidades expostas. O planejamento dos territórios foi apontado como uma das prioridades, especialmente em regiões onde a ocupação urbana e a vulnerabilidade social dificultam a proteção da população.

Para Cláudio Ari Mello, professor da Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e integrante do Gabinete do Clima do Ministério Público estadual, um dos principais desafios é preparar os territórios densamente ocupados para situações de emergência.

Segundo o especialista, a elaboração de planos de contingência deve considerar as características de cada localidade e envolver tanto o conhecimento científico quanto a participação das comunidades. A articulação entre poder público, pesquisadores e moradores é necessária para que as medidas de prevenção estejam alinhadas às condições reais da população.

A integração regional também entrou no debate. Cibele Vieira Figueira, professora e pesquisadora da Escola Politécnica da PUCRS, destacou que os efeitos dos desastres ultrapassam os limites de um município, exigindo estratégias de planejamento que considerem as conexões entre diferentes localidades gaúchas.

Durante as enchentes de 2024, a pesquisadora participou de iniciativas do projeto #Força RS, voltadas ao levantamento de informações sobre abrigos emergenciais. A experiência revelou a capacidade de mobilização coletiva diante da crise, mas também evidenciou desigualdades que ampliam as dificuldades enfrentadas por grupos socialmente vulneráveis.

Outro ponto levantado pelos participantes foi a necessidade de ampliar a preparação dos serviços de saúde. Os efeitos de um desastre climático podem permanecer por períodos prolongados, mesmo depois da redução das águas, o que exige acompanhamento das populações atingidas.

Abner Willian Quintino de Freitas, fundador e CEO da Hopeful, startup especializada em educação para desastres e integrante da comunidade Tecnopuc, ressaltou que os impactos precisam ser avaliados além das consequências físicas imediatas.

Com experiência em epidemiologia dos desastres e resiliência dos sistemas de saúde, o pesquisador chamou a atenção para os efeitos sobre a saúde mental e para a insuficiência de dados que permitam acompanhar as condições das pessoas afetadas ao longo do tempo. Esses fatores, segundo ele, devem fazer parte das estratégias de resposta e recuperação.

A preparação para novos eventos também envolve mudanças na educação e na percepção dos riscos ambientais. Gabriel Wedy, professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da PUCRS e especialista em Direito Climático, avaliou que as enchentes de 2024 ocorreram em um contexto no qual os alertas sobre a crise climática já eram conhecidos.

Para Wedy, ampliar a educação ambiental e climática desde a pré-escola até o ensino superior é uma medida necessária para formar uma sociedade mais preparada. O professor também defendeu que a área jurídica desenvolva maior capacidade de comunicação com a população sobre os desafios relacionados às mudanças climáticas.

A gestão de resíduos foi outro tema discutido no encontro. Lucas Fontes, cofundador e CEO da Green Thinking, negócio de impacto voltado à educação ambiental, à gestão de resíduos e à economia circular, destacou que os hábitos de consumo e descarte também influenciam as condições ambientais.

De acordo com o empreendedor, situações de desastre tornam ainda mais evidente a relação entre resíduos, ambiente e saúde pública. Ele defendeu que a responsabilidade pelas práticas sustentáveis seja compartilhada entre o poder público e a sociedade, acompanhada de medidas de preparação para novas emergências.

As discussões ocorreram durante um painel moderado por Laís Lucas, professora da PUCRS e doutora em Direito, que reuniu representantes das áreas jurídica, ambiental, tecnológica e de saúde.

Realizado em Porto Alegre, o Tecnopuc Experience chegou à nona edição em 2026, reunindo universidades, empresas, pesquisadores e empreendedores para discutir desafios contemporâneos.

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7