Estiagem provoca aumento de custos no Sul

Agronegócio

Estiagem provoca aumento de custos no Sul

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A estiagem que afeta o Rio Grande do Sul poderá provocar aumento nos custos de produção de aves e suínos no Sul do País. A escassez de chuvas está causando uma perda de 30% na produção gaúcha de milho. Com isso, o preço do grão já subiu 10% no estado e pouco mais de 5% na região Sul. Produtores de aves e suínos pedem ação do governo, no segundo semestre, para garantir o abastecimento. Hoje, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Milho, Sorgo, Aves e Suínos estará reunida discutindo a safra 2004/05.

A estimativa do governo gaúcho é que faltem 1,3 milhão de toneladas de milho para abastecer o estado. "Já tem indústria buscando o grão em outros estados", afirma Ricardo Schwarz, diretor-técnico da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Com isso, o preço do produto no estado está cotado a R$ 17,40 a saca (60 quilos), para um custo estimado em R$ 13,85. No Paraná, a cotação do grão também subiu, passando para R$ 15 a saca, alta de 7%, em 45 dias, desde que a seca começou no Rio Grande do Sul. "Há uma reação nos pólos produtores de aves e suínos", diz Fábio Meneghin, analista da AgroConsult Consultoria & Marketing. No entanto, ele não acredita que haverá risco de desabastecimento, pois o produto poderá ser levado do Sudeste e Centro-Oeste para o Sul. "Só vai encarecer um pouco a atividade", avalia o analista.

O diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Produtoras de Suínos do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, diz que a alta está encolhendo a rentabilidade da cadeia produtiva. Mas, como a quebra da produção ainda não está determinada, ele afirma que ainda não há como definir o quanto a alta do custo de produção vai afetar o setor. Os produtores de aves e suínos no estado consomem 3,7 milhões de toneladas de milho por ano. "O certo é que vamos precisar de apoio do governo, com venda de estoques oficiais, para regularizar o abastecimento no segundo semestre", diz Kerber.

O analista Daniel Dias, da FNP Consultoria, diz que, com a seca no Rio Grande do Sul, a safrinha ganhou mais importância. Com a perspectiva de redução na área cultivada - com exceção do Sul, no restante do País o preço do grão ainda está abaixo do custo de produção -, Dias acredita na recuperação dos valores pagos aos agricultores. "Mais uma vez a safrinha será determinante para o mercado", avalia.

Segundo o chefe de Previsão de Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Francisco de Assis Diniz, a estiagem, que já dura mais de 45 dias - caracterizada por poucas e irregulares precipitações - é provocada por ação de ventos que não permitem a permanência de frentes frias no estado. Mas ele garante que, a partir de fevereiro, o clima se regulariza. Em dezembro, choveu menos de um terço do que o normal para a época e, em janeiro, cerca da metade. Nestes meses, é comum precipitações de 150 milímetros. Com isso, 40% dos municípios gaúchos estão em estado de emergência.


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