Estudo investiga viabilidade de tambaquis em tanques-redes no NE
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Agronegócio

Estudo investiga viabilidade de tambaquis em tanques-redes no NE

Tradicionalmente cultivado em viveiros escavados para esse fim, o tambaqui tem um sistema de produção relativamente caro para o pequeno produtor de base familiar
Por:
O oceanógrafo Carlos Alberto da Silva - Cadal, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros(Aracaju, SE), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, teve uma ideia simples, barata e muito promissora para um projeto de pesquisa em aquicultura.


Com um lago de contenção hidráulica disponível na sede da Unidade, um potencial “laboratório a céu aberto”, ele decidiu investigar a viabilidade da criação de tambaquis em tanques-redes (gaiolas metálicas para piscicultura).

Tradicionalmente cultivado em viveiros escavados para esse fim, o tambaqui tem um sistema de produção relativamente caro para o pequeno produtor de base familiar. “Os viveiros continentais têm de ter um tamanho razoável já no início da produção e isso dificulta o aumento gradual da criação, com investimento inicial muito alto para o pequeno produtor”, explica Cadal.

Sistema de produção

O objetivo do projeto é verificar o desempenho zootécnico do tambaqui em tanques-redes, em diferentes densidades em cada gaiola, desde a etapa de recria ou berçário até a fase de engorda, também chamada de terminação. O projeto visa, ainda, medir e analisar o impacto ambiental do sistema de produção no ecossistema do lago.

Em outubro de 2011, após a adequação de PH da água, foram introduzidos no lago, em 12 tanques-redes, 2,3 mil alevinos de tambaqui com 0,35 grama cada um, em diferentes concentrações para cada gaiola. Como o lago da Unidade, concluído em 2010, é um ambiente aquático totalmente inexplorado, os pesquisadores têm a condição ideal para avaliar os impactos da criação.


A ação de pesquisa tem apoio de três outros pesquisadores da Unidade especializados em aquicultura, Paulo Carneiro, Alexandre Nizio e Rodrigo Fujimoto, além de estagiários e bolsistas. Os cientistas realizam mensalmente biometria para verificar as taxas de crescimento, níveis de sanidade e quantidades adequadas de ração para os alevinos, além de dados de qualidade da água e níveis de deposição de resíduos orgânicos no fundo do corpo d’água.

Em janeiro, após três meses de recria, foram separados 480 animais que apresentaram taxas de crescimento e aumento de peso mais altas, atingindo 80g, para a segunda fase, de engorda. Os demais peixes foram introduzidos livres no lago, fora das gaiolas, para povoamento do ambiente. Nesta etapa a taxa de sobrevivência foi de 94%, e o peso médio dos peixes atingiu 45g, dados muito promissores, segundo o coordenador do projeto.

Os pesquisadores continuarão avaliando os impactos na segunda etapa, agora com o cenário de povoamento do lago por tambaquis livres, e realizarão avaliações das condições ambientais e sanitárias do sistema. A expectativa, segundo Silva, é que os peixes atinjam o tamanho comercial de 1 quilo entre novembro e dezembro de 2012.


Inovação

Cadal aponta que o sistema de produção para tambaquis em tanques-redes é inédito na região, e pode representar uma excelente alternativa para pequenos produtores e comunidades que vivem junto a corpos d’água. “Com a validação do sistema para a nossa região, poderá se tornar viável a criação em lagos, açudes, lagoas e represas, com baixo investimento inicial para produtores que não dispõem de muitos recursos”, explica.

Para o pesquisador, a diversificação dos sistemas de produção, aliada à redução de custos de investimento inicial, poderá ser a chave do sucesso da piscicultura continental no Nordeste.

Os resultados de diversos projetos de pesquisa com tambaqui obtidos até o momento serão apresentados no V Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquaciência 2012), que será realizado pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com a Aquabio de 1 a 5 de julho, em Palmas, TO. Os pesquisadores apresentarão trabalhos sobre o projeto com tanques-redes no lago também na 49ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ), de 23 a 26 de julho, Brasília. A reunião é organizada pela Embrapa em conjunto com a UNB e outras instituições.

O projeto tem ainda a parceria inovadora com a seccional da Associação dos Empregados da Embrapa (AEE), que fornece as rações para o experimento. Em contrapartida, os peixes que povoam o lago serão a grande atração nas atividades de pesca recreativa promovidas pela entidade no lago da Unidade futuramente.

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