Estudo prevê mais produção com menos desmatamento

Agronegócio

Estudo prevê mais produção com menos desmatamento

Pesquisa indica a incorporação de 18 milhões de hectares à produção agrícola. Desafio é direcionar o crescimento às áreas de pastagens degradadas
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São Paulo - Pesquisa apresentada ontem em São Paulo reconhece a possibilidade de uma significativa expansão da produção agrícola brasileira sem a necessidade da abertura de novas áreas, o que implicaria em desmatamento. A projeção, feita para 2020, prevê a adição de 18 milhões de hectares aos atuais 70 milhões ocupados hoje pela agricultura tradicional e florestas plantadas. O cálculo, que considera a demanda por alimentos e biocombustíveis, faz parte de um estudo desenvolvido pela WWF, organização não-governamental focada na preservação do meio ambiente, em parceria com a Allianz Seguros.

Cassio Franco Moreira, coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente da WWF, explica que o desejável é fazer com que essa incorporação de área ocorra em cima de pastagens degradadas. Ele destaca que, dos 200 milhões de hectares de pastagens no Brasil, 30% estão degradados, com baixa ou nenhuma produtividade. De acordo com o levantamento feitos pela WWF, apenas de 7 a 8 milhões de hectares dessas áreas consideradas marginais estariam passíveis de reversão, a julgar por condições como preço da terra, logística e políticas públicas. "A pressão dos outros 10 milhões de hectares é motivo de preocupação e se não for ordenada pode implicar na abertura de novas áreas", diz o pesquisador.

Conforme o estudo, em 10 anos a soja tem potencial para saltar dos atuais 25 milhões para 39 milhões de hectares. O crescimento é projetado com base nas previsões de aumento do consumo para produção de biodiesel, mas também de exportações do complexo soja. A cana-de-açúcar passa de 8 para 10 milhões de hectares. A área é suficiente para que o Brasil responda por 32% de todo o etanol produzido no mundo e por 89% do álcool de cana. A WWF ainda faz uma aposta no pinhão-manso. A produção da oleaginosa é hoje de 340 mil toneladas. Em 2020, poderá chegar a 4,4 milhões de toneladas.

O estudo "Impacto do mercado mundial de biocombustíveis na expansão da agricultura brasileira" também mostra os estados com mais e melhores condições de sustentar esse avanço do agronegócio. No caso da produção puxada não apenas pelos biocombustíveis, como pela demanda por proteína, destaque para Maranhão, Piauí e Bahia, devido ao preço das terras – mais baratas – e facilidade competitiva à exportação. No Paraná ou no Sul do país essa expansão tende a ser de zero ou então negativa, no caso da cana-de-açúcar, que ganha terreno no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. "A cana vai entrar em áreas que têm infraestrutura, ao contrário dos grãos, que podem ser cultivados de forma mais isolada", esclarece Moreira Franco.

Para o pesquisador da Embrapa Fábio Marin, o estudo apresentado ontem serve para desmistificar a ideia de que a cana e os grãos estão desmatando e invadindo áreas de preservação. "Não podemos desconsiderar os problemas da agricultura, o desafio de produzir e preservar, mas a cana como biocombustível é uma cultura eficiente e uma oportunidade para o Brasil." Ele citou como contribuição à expansão racional o zoneamento agroclimático da cana, desenvolvido pela Embrapa, que está tecnicamente concluído e agora espera decisões políticas para ser implantado. O documento vai determinar para onde e como as lavouras de cana podem avançar.

Enio Pereira, do Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), concorda com o técnico da Embrapa, mas faz uma ressalva às alternativas de geração de energia, como a eólica e a solar. Do investimento nessas fontes, ainda mais alternativas, depende o aumento da competitividade brasileira na geração de energia renovável, argumenta.

Para onde vai a expansão?

O estudo da WWF/Allianz respeita algumas premissas que nortearam a projeção. Foram consideradas basicamente áreas do bioma do cerrado. Também foram atendidos os limites impostos pela legislação ambiental, em relação à reserva legal e áreas de preservação permanente. Para as regiões do Cerrado que já possuem agricultura, considerou-se que 30% das terras destinadas à pecuária possam ser convertidas para produção agrícola. Para os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, o porcentual considerado foi de 20%. Para as diversas regiões, foram pontuados cenários positivos e negativos. Em Goiás e no Mato Grosso, no Centro-Oeste, por exemplo, o destaque é para os investimentos no setor de processamento de carnes e grãos. A dificuldade está na logística de escoamento. No Sul, ao contrário, há excelente logística e presença de polos agroindustriais, mas há pouca disponibilidade de expansão e alto preço das terras. O equilíbrio vem do Norte e Nordeste, que têm logística favorável à exportação e preço da terra acessível.

O jornalista viajou a convite da Allianz Seguros.

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